Lentidão da vacinação no Brasil e em Goiás se torna problema diante da velocidade do coronavírus

“Precisávamos ter mais doses para uma vacinação mais acelerada”, afirmou Flúvia Amorim, superintendente de vigilância em Saúde do Estado

MEDICO EM ATENDIMENTO DE PACIENTE COM COVID19 |FOTOS © TATIANA FORTES/ GOV. DO CEARA

De acordo com o último ranking de vacinação por estado divulgado pelo Consórcio dos veículos de imprensa, atualizado às 20h desta sexta-feira, 28, Goiás ficou em 12ª posição na aplicação das duas doses, com 9% da população imunizada com reforço e 10,6% apenas com a primeira dose da vacina contra a Covid-19. “Nosso problema é falta de registros. Algo que já falamos há muito tempo. Temos muitos municípios que têm doses e casos, mas não estão registrados, então não contabiliza”, afirmou a superintendente de Vigilância em Saúde, Fluvia Amorim.

A superintendente concorda que a velocidade do vírus está muito maior que a da vacinação. “Isso é fato no Brasil inteiro, não apenas em Goiás. Precisávamos ter mais doses para uma vacinação mais acelerada. Ao mesmo tempo, que os municípios tivessem condições de faze registros mais rápidos. Aí sim teríamos um resultado melhor”, pontuou.

Neste final de maio, dez municípios goianos com mais de 20 mil habitantes registraram alta nos casos de Covid-19, são elas: Trindade, Jaraguá, Quirinópolis, Itaberaí, Aragarças, Santa Helena de Goiás, Minaçu, Piracanjuba, Anicuns e Cidade de Goiás. Sobre uma estratégia a ser tomada com o aumento das contaminações, Flúvia afirma que o assunto já é pauta para a próxima reunião do Centro de Operações de Emergências (COE).

“Reuniões já estão sendo feitas. Inclusive, na próxima reunião de quarta-feira, 2, do COE já está na pauta essa discussão da situação atual e do que é que pode ser recomendado e deliberado para tentar conter a transmissão. As medidas que podem ser feitas a gente já sabe, que é a diminuição de contato das pessoas. Vamos avaliar a situação e, dentro das conhecidas, o que neste momento é possível e necessário fazer”, informou a superintendente.

Segundo ela, é necessário analisar as medidas por região. “O problema é que o estado vive situações diferentes. Não estamos com o Estado ao mesmo tempo na mesma situação epidemiológica”, disse.

Vacinação

De acordo com Flúvia, a autorização do Ministério da Saúde (MS) para que 70% das doses sejam usadas para imunizar a população em geral por faixa etária irá facilitar operacionalmente a vacinação. “A gente vai conseguir usar as vacinas de forma mais rápida. O que aconteceu com o grupo de comorbidades? A gente começou a observar municípios com estoque de vacinas, vacinas paradas. Isso não pode acontecer neste momento. Com essa mudança, vamos conseguir que, na medida em que a vacina chegar, vamos conseguir usar mais rapidamente, mais pessoas imunizadas e mais pessoas protegidas”, observou.

Apesar da boa notícia para aqueles que não estavam dentro dos grupos prioritários, o MS também trouxe más notícias nos últimos dias: a redução de pelo menos 8,4 milhões de doses previstas. Para a superintendente, a novidade pode atrasar ainda mais a vacinação.

“Com certeza [reflete em atrasos na vacinação]. O que aconteceu foi que o MS estava contando com vacinas que ainda não tinha sido liberada pela Anvisa, então teve que retirar do cronograma, e os problemas que ocorreram em relação ao IFA, tanto da Fiocruz quanto Butantã. Mesmo o IFA tendo chegado agora, eles demoram cerca de 20 dias para começar a entregar as produções. Então, não é rápido. Por isso, também, fez com que diminuísse a previsão do mês de junho”, explicou Flúvia.

O Ministério da Saúde contava com remessas de vacinas da Sputnik IV e Covaxin, que não tiveram uso liberado no país pela Anvisa. Ainda, segundo a superintendente, Goiás não receberá doses de vacinas neste final de semana do governo federal.

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