Veja dicas para minimizar consumismo das crianças na compra do material escolar

Especialista explica como evitar compras desnecessárias e aprender a dizer não aos filhos

Com o período de volta às aulas se aproximando, os pais têm a preocupação de aumento de gastos com a compra dos materiais escolares. O bombardeio de publicidade e a busca pelo novo podem fazer com que as crianças se tornem potenciais consumistas, já na infância. Mas como evitar as compras desnecessárias?

De acordo com a psicóloga Lizandra Arita, o perigo está na “formação de pessoas que terão a falsa sensação de que, comprando coisas, conseguirão amenizar suas questões internas, seus vazios de afeto”. “E essa é uma busca que nunca tem fim, pois temos a falsa ideia de que comprando, consumindo, abrandaremos vazios de afeto, carinho e atenção, já que a área de recompensa no cérebro é ativada. No entanto, isso é uma cilada”, alerta.

Psicóloga Lizandra Arita | Foto: Divulgação

Segunda a especialista, pais e filhos devem fazer parte de uma unidade enquanto família: um núcleo de pessoas que se ajuda mutuamente, que convive junto, que se apoia e que se esforça em socorrer uns aos outros em suas situações de fragilidade.

Por isso, para ela, a grande questão é o exemplo dado aos filhos. “Afinal, filhos são reflexo de seus pais. A aprendizagem é feita, em grande parte, pela imitação. Então, quando os filhos veem os pais consumindo demais, é assim que eles vão aprender a consumir. O excesso de compras dos pais pautará o comportamento dos filhos, no futuro”, acrescenta.

Mas como fazer? Evitar televisão e anúncios, por exemplo, corta o estímulo de compras, mas o consumismo está, afinal de contas, por toda a parte: nos outdoors, no anúncio no tablet, no carro de som, no cartaz na porta da loja no shopping. A solução, garante a psicológa, estar trabalhar internamente, explicando aos pequenos que podemos sim ter coisas boas sem consumir demais.

Na hora das compras

Quando chegar o momento de comprar os materiais, os menores podem ficar em casa, já que a decisão cabe aos pais. No entanto, a especialista argumenta que não se deve manter os filhos em uma redoma. A partir de determinada idade, eles podem até acompanhar nas compras, mas sabendo que os pais é que decidem o quanto podem gastar e quais produtos comprar.

Diante disso, a especialista enfatiza que é preciso aprender a dizer não. Segundo ela, a verdade deve ser dita, sim, para a criança. “Ela não deve viver em meio a mentiras e nem em um mundo cor-de-rosa. Claro, que a criança pode ser poupada de muitos detalhes e não precisa saber de tudo exatamente como acontece, até porque eles têm seus limites de compreensão, de acordo com a idade. No entanto, muitas vezes subestimamos a capacidade de entendimento das crianças e temos medo de dizer não aos filhos”, pondera.

Segundo ela, o medo de dizer não aos filhos passa pelo medo da rejeição e também por uma sensação de frustração. “Lidar com as frustrações dos filhos é deparar-se com as nossas próprias frustrações, já que somos espelhos. Por isso, muitas vezes os pais não negam coisas aos filhos, porque não dão conta de lidar com a frustração deles próprios, disparada pela frustração do outro”, alerta.

“Dizer não para as crianças é um ato de amor para essa pessoa, já que quando dizemos não aos filhos, abrimos a possibilidade da criança trabalhar esse não e ver alternativas. Atendo muitos adultos que entram em grandes problemas emocionais quando se deparam com um não. Isso porque não aprenderam a lidar com os nãos que receberam na infância”, acrescenta.

Educação financeira

Mas não basta apenas dizer não aos pequenos na hora de ir às compras. É preciso educá-los para se tornarem adolescentes menos consumistas e adultos conscientes. Segundo Lizandra, desde que não seja de forma massacrante, as crianças podem sim receber educação financeira, já a partir dos 7 anos.

“Cada família pode determinar a forma como fazer isso, mas toda educação com método, que ajude a organizar algum aspecto da vida, é muito saudável”, orienta a especialista.

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