Veganismo ajuda na prevenção do câncer? Saiba quais são os benefícios da dieta

Nutricionista explicou ao Jornal Opção os cuidados necessários para se tornar vegano

Nos últimos anos, o veganismo, que é considerado um movimento ou estilo de vida, tem crescido bastante em todo o mundo, inclusive no Brasil. Para se tornar vegano, é preciso abolir a utilização de produtos de origem animal, tanto no cardápio quanto no vestuário. O que difere do vegetarianismo, onde os praticantes privam-se da carne e continuam consumindo derivados.

Entre os benefícios da alimentação vegana está a prevenção de algumas doenças, incluindo o câncer. Por outro lado, é preciso estar atento para o consumo de alimentos de origem vegetal que sejam ricos em alguns nutrientes.

Em entrevista ao Jornal Opção, Cyntia Maureen, nutricionista e consultora da Superbom, explicou os benefícios e alertou para alguns cuidados para quem decidir se tornar vegano. “Os benefícios desse tipo de alimentação se dão por sua riqueza em fitoquímicos, vitaminas e minerais, que possuem ação terapêutica, protetora e antioxidante, permitindo maior alcalinidade do organismo e combate aos radicais livres”, disse.

Segundo ela, a abstenção dos alimentos de origem animal também contribui para a redução da acidez do organismo, e é justamente em ambiente com pH mais baixo que células cancerígenas e outras doenças se desenvolvem. “Também podemos citar ação preventiva e terapêutica para doenças cardiovasculares, depressão, diabetes, hipertensão, osteoporose, doenças autoimunes, endometriose, entre outros”, acrescentou a especialista.

Além disso, devido seu alto teor de nutrientes, fibras e fitoquímicos e quantidades reduzidas de gorduras, principalmente saturadas, e colesterol, a alimentação vegana apresenta grande vantagem em relação à alimentação onívora, contribuindo para a saúde geral do indivíduo. “Prevenindo desde hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares até mesmo o câncer. Favorece a longevidade com maior qualidade”, explicou.

Mas quem decidir se tornar vegano, ou até vegetariano, deve prestar atenção à alimentação, ainda que a dieta sem carne e derivados seja extremamente rica em vitaminas e minerais. “É preciso atentar para o consumo de alimentos de origem vegetal que sejam ricos em Zinco, Cálcio, Ferro e a vitamina B12”, explicou Cyntia.

De acordo com a nutricionista, zinco, cálcio e ferro estão presentes em diversos alimentos vegetais, como castanhas, cereais integrais, sementes, leguminosas, vegetais verde escuros, etc. Já a vitamina B12, embora parte seja produzida pelo intestino saudável, não é encontrada em fontes vegetais, devendo então, ser suplementada de acordo com prescrição de um médico ou nutricionista.

A servidora pública Anna Luísa, de 26 anos, é umas das que se tornou vegana nos últimos anos e garante que se sente mais disposta desde que optou por este estilo de vida, sempre com acompanhamento médico. “Recentemente, me consultei em com um médico ayurveda e meus exames estão excelentes, a única coisa que preciso repor é a Vitamina B12, fora isso, tudo eu consigo com a alimentação”, disse.

Nutricionista Cyntia Maureen – Foto: Divulgação

Para ela, a rotina também não apresenta dificuldade na sua alimentação. “Eu viajo muito a trabalho, e essas viagens são principalmente para o interior de Goiás, desde os mais remotos – já estive em cidade de 3 mil habitantes – até os mais festivos, e eu nunca passei fome ou fiquei sem opção para comer, ou, pior, tive que comer qualquer coisa porque não havia uma opção decente, pelo contrário, tenho me alimentado muito bem pelos rincões do estado”, salientou.

Em Goiânia, inclusive, os lugares para comer fora também nunca foram um problema. “Claro que não são todos os lugares que tem opções veganas, mas eu costumo olhar antes os cardápios para não perder a viagem”, explicou.

Existem, inclusive, nutricionistas que estão se especializando nessa área para atender a demanda de seus clientes/pacientes. Para quem tiver interesse em encontrar uma nutricionista, pode consultar o portal do Conselho Regional de Nutricionistas (CRN) respectivo de cada região.

Adaptação

A mudança na dieta varia de indivíduo para indivíduo. De acordo com Cyntia, em sua prática clínica, “existem pacientes que se adaptam a exclusão com facilidade e outros que fazem essa mudança progressivamente, retirando os alimentos aos poucos”. “Cada indivíduo deve ser avaliado particularmente. Vale ressaltar, que, ao fazer a mudança, deve-se atentar para o consumo variado de alimentos e as devidas suplementações, para que não ocorra nenhuma deficiência. Para isso, é importante que essa transição seja acompanhada por um médico ou nutricionista”, afirmou.

Anna Luísa, por exemplo, se tornou vegetariana há um ano, e vegana há sete mes. “Digo “estar” e não “ser”, porque acho que nós não somos as coisas e sim estamos em determinada condição a partir das escolhas que fazemos, escolhas essas que transitam entre a nossa existência”, filosofou.

“Um dia eu acordei e não havia comido carne e decidi que não comeria mais carne a partir daquele momento, e, desde então, estou assim. Uma semana depois de tomada tal decisão, resolvi investigar mais sobre o assunto e a cada informação e, claro, resposta do meu corpo, eu ia gostando mais dessa nova opção. Os primeiros 30 dias foram de difícil adaptação, em termos de rotina, o corpo, o pensamento, e hoje é algo natural, carne não é mais uma opção pra mim, não sinto falta e não penso sobre”, concluiu.

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