Varejistas temem queda de faturamento com a restrição de venda de produtos em supermercados

Com o novo decreto que entrou em vigor nesta segunda-feira, 15, fica restrita a venda de alimentos, produtos de saúde, limpeza e higiene

Produtos isolados em supermercado de Goiânia. | Foto: Assessoria da Agos

Com o novo decreto municipal publicado no último sábado, 13, alguns pontos específicos do documento anterior sofreram alterações, entre eles, o funcionamento dos supermercados. Desde segunda-feira, 15, estabelecimentos ficam proibidos de comercializar produtos não considerados essenciais, ficando a venda restrita a alimentos, bebidas, produtos de limpeza e higiene.

Apesar de o decreto permitir exclusivamente “a venda de alimentos, bebidas, produtos de higiene, saúde e limpeza”, que foi reforçada em nota da Prefeitura ao Jornal Opção, o procurador-geral do Município, Antônio Flávio de Oliveira, explica que é permitida a venda de produtos que são considerados úteis ao consumidor em seu ambiente doméstico, como pilhas e lâmpadas.

“A restrição foi para roupas e eletrodomésticos, se você chegar no caixa de um supermercado, você vai conseguir passar com pilhas para controle remoto e outros produtos. O espírito da norma não é impedir a compra de produtos que não sejam os mencionados, mas impedir a circulação de pessoas que vão aos supermercados para consumir produtos que não são de prioridade máxima nesse momento”, explica o procurador.

O que ocorre na prática, contudo, não é tão simples. O presidente da Associação Goiana dos Supermercados (Agos), Gilberto Soares, que também é dono de um estabelecimento, explica que as novas determinações de restrição de venda por parte do decreto, prejudicam os clientes. “Muitos já pararam os funcionários para dizer sobre a necessidade de determinados produtos que não podem ser vendidos”, explica.

Segundo a Prefeitura, os supermercados deverão isolar as áreas de acordo com a realidade de cada um. “Pode ser feito o isolamento com faixas ou barreiras físicas impedindo o acesso dos consumidores a estes locais” completa. De acordo com Gilberto, os estabelecimentos estão optando por utilizar lonas e faixas de isolamento.

Com a proibição, Gilberto ainda teme pela queda que provavelmente existirá no faturamento dos estabelecimentos com essa nova medida. O principal receio são as demissões que podem ocorrer, caso essa redução seja significativa.

O presidente da Agos, entretanto, apesar de não medir esforços para cumprimento das decisões municipais e estaduais, tem esperança em uma flexibilização. “Agora é um momento de cooperação. Àquilo que for possível, os supermercados colaborarão, daremos as mãos às autoridades competentes para a redução drástica dessa contaminação e nós conseguirmos voltar a trabalhar com normalidade. Contudo, estamos em diálogo com as autoridades responsáveis pelo decreto para ver o que conseguiremos flexibilizar dentro dessa linha”, explica.

Além na especificação do que se deve ou não ser vendido, o decreto ainda frisa o não consumo de produtos dentro dos estabelecimentos e a proibição da entrada de mais de uma pessoa da mesma família dentro dos supermercados. Segundo pronunciamento oficial da Prefeitura, a inspeção do cumprimento das medidas restritivas está sendo feita pela Central de Fiscalização da Prefeitura de Goiânia e conta com mais de 150 auditores fiscais e guardas civis metropolitanos que trabalham sete dias por semana para coibir irregularidades.

Especialmente quanto a entrada de pessoas da mesma família, Gilberto pede pela conscientização da população, que se autorregule e não dependa das inspeções para cumprir as regras. “Essa fiscalização que acontece na entrada do supermercado é difícil, causa constrangimento ao cliente e até violência verbal aos nossos agentes”, conclui o presidente da associação.

Covid-19 em Goiânia

As novas medidas restritivas foram decretadas na capital goiana no último sábado, 13, e entraram em vigor nesta segunda-feira, 15. O objetivo é reduzir a contaminação do novo coronavírus na cidade e diminuir a demanda por leitos em hospitais, já que, segundo o procurador, a rede de saúde se encontra em colapso.

No momento, as Unidades de Terapia Intensiva (UTI) na rede estadual estão com ocupação de 97,52%, com somente 13 disponíveis, e com 90,76% na enfermaria. Em Goiânia, o percentual de leitos ocupados é de 97,44%.

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