Numa rua do Parque das Laranjeiras — um dos mais arborizados de Goiânia —, num muro cheio de hera (acima, há um ipê amarelo belamente florido) há um cartaz anunciando “Varal Solidário”. Do lado esquerdo, avisa-se: “Se tiver, doe. Se não, leve”. Do lado direito, há um alerta: “Leve somente o que precisar para que outros, também, possam pegar”.

Camisetas e blusas: a ideia é compartilhar aquilo de que não se precisa mas pode ser útil para outras pessoas | Foto: Euler de França Belém/Jornal Opção

Passo pela rua, com frequência, quando vou para o jornal e quando vou levar livros para a jornalista Mariza Santana resenhar para o Jornal Opção. Num dia, o varal está cheio de roupas; no outro, vazio — o que sugere que aquilo que não serve mais para você pode servir para outra pessoa.

No domingo, 21, havia no Mural Solidário camisetas, blusas, sapatos, tênis e sandálias. Todos são usados, mas, no geral, em bom estado.

Recentemente, ao passar pelo local, deixei uma camisa no Varal Solidário. Um homem parou, olhou a camisa, vasculhando de ponta a ponta, e a levou. Parecia satisfeito. Ele trabalha como servente de pedreiro. “O sr. vai usá-la para trabalhar?”, perguntei. “Não. Vou usá-la para passear e ir ao culto”, disse.

Sapatos e sandálias em bom estado | Foto: Euler de França Belém/Jornal Opção

Pergunto-me sobre qual samaritano — talvez uma samaritana (minha intuição, não sei por que, sugere que se trata de uma mulher) — que teve a ideia de distribuir roupas e sapatos usados. Quem será? Possivelmente a dona da casa em cujo muro o Portal Solidário está instalado.

Trata-se de uma boa ideia. E, como diz o varal, solidária. Seu autor (ou autora) sabe que não basta falar em “social” — é sempre possível fazer alguma coisa.