Vans escolares enfrentam dificuldades com baixa procura dos alunos, escalonamento nas escolas e alta do combustível

O retorno na atividade para o transporte de alunos, após volta às aulas presenciais na maioria das escolas, tem sido de dificuldades e desistência dos motoristas. “A rota não fecha. É inviável”.

Após quase um ano e seis meses sem transportar alunos, as vans escolares voltaram a circular pela região metropolitana de Goiânia, depois que autorizado o retorno das aulas presenciais nas escolas. De acordo com o presidente da Cooperativa do Transporte Escolar e Turismo do Estado de Goiás (Cooperteg), Adilson Humberto Lellis, a categoria enfrenta uma nova realidade.

“Estamos reinventando o transporte escolar. Com as aulas híbridas, capacidade reduzida e o escalonamento nas escolas, automaticamente, as vans circulam com menos estudantes. Estamos negociando com os pais, mas a rota não fecha. Os custos são os mesmos para regulamentar o carro, repassamos o aumentos, principalmente, do combustível”, afirmou o presidente da Cooperteg.

De acordo com Adilson, Goiânia possui hoje 338 vans do transporte escolar cadastradas no sistema da Secretaria Municipal de Trânsito Transporte e Mobilidade (SMT). Mas a estimativa é que ao todo a cidade tenham mais de 500 veículos.

“Muitos motoristas ainda não voltaram. Tentaram, mas tem apenas 15% da rota. Fica inviável. O combustível teve 6 altas apenas nesse semestre. Antes uma rota com 50 alunos hoje tem cerca de 15. Às vezes rodamos com um ou dois alunos dentro da van”, disse Adilson Lellis.

Para a presidente da Associação dos Trabalhadores em Transporte Escolar de Goiás, Valéria Rios, o retorno do transporte escolar nesse semestre está complicado devido a baixa procura dos pais e alunos, capacidade máxima autorizada de 50% de lotação por viagem e em função do escalonamento dos alunos na maioria das escolas.

“Os pais não estão querendo pagar o valor integral da van. Muitos colegas estão tendo dificuldades nesse retorno. A maioria se quer voltou devido ao fato de ter aula uma semana sim outra não. Nossa principal dificuldade é o valor do combustível e a procura está sendo pouca. Muitos colegas não devem retornar esse ano”, frisou Valéria Rios.

Segundo a presidente da Associação, a entidade perdeu cerca de 50% da categoria e nesse momento, dos que restaram, apenas cerca de 20% retornaram para a atividade. “Nesse um ano e meio que ficamos sem trabalhar muitos saíram do transporte escolar até mesmo porque tinham que sustentar suas famílias. Não tivemos praticamente nenhuma ajuda do governo, então, cada um está se virando no que pode. Ainda está muito difícil”.

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