Vanderlan Cardoso: “O eleitor está cansado de mentira”

O candidato critica a polarização histórica entre o PMDB e o PSDB e se diz confiante de que o eleitorado também se cansou da situação de troca de farpas entre peemedebistas e tucanos. “Toda eleição é isso, trocas de acusações. Nós vamos entrar com propostas”

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Candidato ao governo goiano pelo PSB, Vanderlan Cardoso, que segue em terceiro nas pesquisas de intenção de voto divulgadas nos meios de comunicação locais, assegura que números de levantamentos internos são muito diferentes do que chega ao eleitor por meio da imprensa, o que o deixa confiante nesta primeira etapa oficial da campanha. O candidato critica a polarização histórica entre o PMDB e o PSDB e se diz confiante na expectativa de que o eleitorado também se cansou da situação de troca de farpas entre peemedebistas e tucanos. “Toda eleição é isso, trocas de acusações. Nós vamos entrar com propostas, por sermos oposição”, acentua o pessebista, que nesta entrevista ao Jornal Opção Online também apresentou alguns detalhes do que será proposto nos programas de TV e rádio em segurança pública e saúde. Maiores detalhes do plano de metas seguem sendo resguardados porque a equipe de campanha de Vanderlan estuda que a melhor forma de expor a proposta será incluir todo o conteúdo no site oficial do candidato (o que é aguardado para este fim de semana) e até uma possível coletiva para a próxima segunda-feira (28/7) com a participação dos técnicos que auxiliaram na elaboração dos programas. Ex-prefeito de Senador Canedo, está é a segunda vez que ele concorre pelo Palácio das Esmeraldas (a primeira vez foi pelo PR, em 2010), o que, segundo frisa, ajuda no quesito experiência e reconhecimento pelo Estado. Vanderlan Cardoso chegou a passar pelo PMDB, mas preferiu deixar a legenda como forma de garantir o espaço necessário para postular o Executivo estadual.

Sobre a polarização entre Marconi Perillo e Iris Rezende, que volta a se mostrar nesse primeiro momento do período eleitoral, inclusive já com troca de ataques e ações na Justiça, qual a análise que o senhor faz da sua candidatura fora desse “tiroteio”?
Nós vamos apresentar propostas. O eleitor está cansado dessa polarização, dessa briga. Toda eleição é isso, trocas de acusações. Nós vamos entrar com propostas, por sermos oposição, postular aquilo que é melhor para o Estado, e tem muita coisa que precisa melhorar, mas nada raivoso, nada partindo para o pessoal, [porque] eu não parto para o pessoal. Por isso que o eleitor vai agradar da nossa campanha.

O que o senhor coloca como principal tema de debate para a campanha deste ano e o que o PSB tem de proposta para reverter a situação?
Falar a verdade, falar a verdade. O eleitor está cansado de mentira. Esse atual governo só tem mentido para a população. Vamos falar a verdade sobre a área da saúde, dizer como está a situação, aliás, há vários meses que nós já temos feito isso pelo Estado. Na área da saúde nós estamos apresentando a proposta do banco de leitos; para a segurança pública, a força estadual de segurança; e desenvolvimento dos polos tecnológicos [para a economia]. Então nós estamos apresentando propostas em todas as áreas, sem demagogia, sem ilusão. É isso que nós vamos fazer e graças a Deus nós temos sido bem aceitos.

E essas propostas que o senhor começa a apresentar possuem esboço de valor, fonte de recurso?
Sim, inclusive, temos como vão funcionar os programas e quais os custos do programa ano após ano. Tudo orçado para não cair no descrédito.

Poderia especificar alguns dados?
O banco de leitos, por exemplo, nós vamos fazer em parceria com a iniciativa privada por todo o Estado de Goiás, principalmente com os hospitais, credenciando os leitos que estiverem disponíveis, e também incentivando para que se construa UTIs para que o problema na área da saúde seja resolvido na região. Se quiser ver o programa com todo o orçamento nós passamos para o jornal [confira esses dados na galeria abaixo], para ser colocado como estamos fazendo tudo bem feito e organizado, inclusive, nós registramos [no TRE-GO] a síntese do nosso plano de metas, agora nós estamos colocando todo o nosso plano de metas, que vai estar disponível no site nesse final de semana.

A segurança pública também tem sido muito citada pelos candidatos e tem tudo para ser o principal assunto do debate político por conta dos últimos índices. Qual a posição do senhor, por exemplo, sobre a transferência da construção e gestão administrativa do complexo prisional de Aparecida de Goiânia para uma parceria público privada [cujo edital foi lançado no último dia 15]?
É um absurdo. Da forma como tem sido feito, parece que o governante não está administrando, está terceirizando toda a responsabilidade dele para os outros. Na saúde, por exemplo, o que está sendo feito de fiscalização [das Organizações Sociais]? Qual o custo que isso está tendo? Qual a transparência que se está tendo para a compra desses medicamentos? Dos serviços de laboratório? Eles estão dizendo o que estão dizendo, mas não está mostrando em números. Quem vê o Estado na propaganda é um, mas quando a gente chega lá no interior vê pessoas esperando até três anos, quatro anos, para fazer uma cirurgia, na lista de espera, é essa a realidade. Não essa [realidade] que estão mostrando ai na televisão.

Gostaria que explicasse mais sobre a forma que o senhor pretende trabalhar a questão da segurança pública em Goiás, inclusive no interior do Estado, que também sofre bastante com a violência e aumento do número de usuários de drogas e traficantes.
A estratégia de segurança que estamos propondo diz respeito ao fortalecimento da Rotam, levar ela para o interior, para não ficar só concentrada na região metropolitana. Firmar um convênio com participação do Ministério Público e o Judiciário para a gente fazer como já funciona no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, para as polícias se comunicarem. Para se ter uma ideia, está no nosso plano de metas, que o policial que estiver fazendo a ronda em determinado lugar, prevendo que uma pessoa menor de idade está prestes a cometer um assalto a estabelecimento, que ele vá, pessoalmente, fazer o TCO. Não vai ter que fazer isso só quando estiver na delegacia [especializada]. No interior, tem policial que tem que ir para outra cidade transportando a pessoa para fazer isso. No nosso plano de metas o soldado [da PM] poderá fazer esse procedimento para diminuir esse trabalho que é feito hoje duas, três, quatro vezes, e esses TCOs ficam engavetados. É preciso fortalecer o serviço de inteligência das polícias, eu acredito nisso. Também pretendemos investir por meio dos concursos públicos dos policiais. Investir em tecnologia para as polícias para que elas estejam muito à frente dos bandidos que andam muito bem equipados. Colocar equipamentos de primeira qualidade para eles. Melhorar os veículos usados pelos policiais, porque hoje há muitos veículos melhores que são alugados, mas a maioria são carros 1.0; isso não funciona. E eu tenho todo o planejamento feito para a área de segurança pública, inclusive de onde vão vir os recursos. Agora, eu acredito que com a União, as polícias [Civil e Militar] falando a mesma língua e junto com a população, pode ter certeza, nós vamos ter bons resultados. Nós trabalhamos isso no município que eu administrei [Senador Canedo] em parceria entre as polícias e foi bem recebido pelo município.

O senhor poderia comentar os últimos números da pesquisa Fortiori, encomendada pelo Jornal Opção [em que Vanderlan Cardoso permanece em terceiro, com leve vantagem sobre o quarto candidato, o petista Antônio Gomide, enquanto se consolida a polarização entre PSDB e PMDB]?
Essas pesquisas que têm saído eu procuro… [não concluiu a frase]. A gente estava viajando, fiquei sabendo [dessa pesquisa] pelo que me falaram, mas eu não olhei. Eu respeito quando sai esses números pelos institutos de pesquisa, mas os números que a gente têm não são esses, certo? Mas eu respeito todos esses institutos, só que considero como sendo a melhor pesquisa a que a própria população faz, porque isso que está aparecendo ai é vergonhoso para esses institutos.

E quanto às pesquisas internas encomendadas pela sua equipe, poderia comentar qual cenário é mostrado?
Totalmente diferente do que é mostrado por esses ai [enfático], muito diferente mesmo. Mas eu não quero polemizar contra os institutos porque o que a gente vê é que quando o instituto trabalha para o governo, o candidato está lá em cima; quando é encomendado por outro candidato, é o candidato do PMDB que aparece [com vantagem]. Ou seja, se você for pegar a diferença de uma para outra, dá 17 e até 27 [por cento] de diferença. Como que dá para acreditar nisso?

Qual o balanço das primeiras ações de campanha do PSB aqui em Goiás?
Na verdade já começamos nossos trabalhos de caminhada e as carreatas que a gente já vem anunciando, em cima do carro e conversando de perto com as pessoas. As reuniões também estão em andamento e estamos agora gravando os programas eleitorais para rádio e televisão. Continuamos recebendo lideranças do Estado inteiro, ou seja, estamos conciliando gravação, reunião de trabalho e saídas pelas cidades. Nesse final de semana agora, por exemplo, estivemos em Crixás e Rio Verde, onde nós fizemos caminhadas, visitas a feiras.

Como estão sendo montadas as gravações? Que tipo de foco e enquadramento serão explorados?
Há 18 meses nós temos trabalhado nosso plano de metas para o Estado de Goiás, então basicamente os nossos programas eleitorais vão ter muita participação da população. Inclusive se chama Participação Popular porque nós queremos a participação da população. E com base nesse plano de metas que nós estaremos fazendo nossas propagandas eleitorais.

E como será a divisão de exposição dos candidatos nesses programas?
Vão aparecer vários candidatos, nosso candidato ao Senado [Aguimar Jesuíno]. Temos pouco tempo de televisão, então vamos ter que usar de muita criatividade para poder levar nossa mensagem e apresentar nossos candidatos.

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