O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, decidiu atuar diretamente para conter a crise entre os deputados Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira, após a troca de ataques públicos que expôs divisões dentro do grupo bolsonarista. A movimentação ocorre em meio à escalada de tensão nos últimos dias.

Valdemar afirmou que pretende conversar com Nikolas e também se reunir com Eduardo nos Estados Unidos, na próxima semana, para tentar alinhar o discurso e reduzir o desgaste interno. “Vou conversar com o Nikolas e também com Eduardo em Miami. Vamos acertar isso”, disse.

Em tom conciliador, Valdemar reforçou a necessidade de unidade diante do cenário eleitoral que se desenha para 2026. “Essa eleição vai ser na casca”, afirmou, indicando que a disputa tende a ser acirrada e que conflitos internos podem comprometer o desempenho do grupo.

O episódio escancarou uma disputa por protagonismo dentro da direita, especialmente no ambiente digital, onde tanto Eduardo quanto Nikolas possuem forte presença e capacidade de mobilização. Nos bastidores, aliados avaliam que o embate não é isolado, mas reflexo de uma reorganização de forças e de influência dentro do campo conservador.

A crise ganhou força após manifestações públicas de Eduardo Bolsonaro, que criticou perfis e lideranças da direita por não estarem engajados na pré-candidatura presidencial defendida por seu grupo. No mesmo contexto, Nikolas interagiu com conteúdos desses perfis, o que foi interpretado como um gesto de desalinhamento.

A resposta de Nikolas, considerada irônica, agravou o conflito. Eduardo reagiu elevando o tom e fazendo críticas diretas ao deputado mineiro, apontando falta de lealdade e questionando sua postura política. A troca de farpas rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais e entre apoiadores.

Risinho de deboche para mim, @nikolas_dm? Ao que parece, não há limites para seu desrespeito comigo e minha família. Triste ver essa versão caricata de si mesmo. Não é, nem de longe, o menino que conheci, apoie e acreditei. Os holofotes e a fama te fizeram mal, infelizmente. Demorei muito para acreditar que você trabalhava o algoritmo das suas redes para dar visibilidade a quem deseja a morte de meu pai, a quem comemora a prisão dele e a todos os que odeiam a mim e a minha família. Foi com bastante tristeza que vi você trabalhar ativamente contra quem acreditou e apoio você, quando era um assessor desconhecido e com um sonho na mente. Eu realmente acreditava que você iria cair em si, que com a eleição se aproximando o senso de salvar o país falasse mais alto do que o ego e eventuais desentendimentos, mas meses se passaram e você continua colocando Flavio numa espiral do silêncio, com menos de meia dúzia de apoios públicos, apenas para fingir não ter abandonado o grupo político que te projetou. Você continua exigindo que seu grupo não apoie e divulgue o Flávio, a não ser quando fica tão gritante que começa a ser cobrado. Não bastasse isso, continua dando projeção a figuras abjetas, como o Silvo Grimaldo, que odeiam minha família. É triste de ver, mas espero que caia na real. A eleição de Flávio não é um capricho da minha família, mas a única chance real de acabarmos com um regime que persegue senhorinha e cidadãos inocentes. Afaste-se desse tipo de gente, que apenas rebaixa sua história até aqui. Deixe eventuais desavenças de lado, não por mim ou por minha família, mas pelo Brasil. Ou tudo que lhe restará é o risinho de deboche“, escreveu Eduardo no X, antigo Twitter.

O atrito também aponta um racha mais amplo envolvendo nomes próximos ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Michelle Bolsonaro e Nikolas defendiam o nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, como alternativa para a disputa presidencial. Com a retirada de Tarcísio desse cenário, parte desse grupo não aderiu de forma imediata à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, indicado como sucessor político do ex-presidente.

A falta de engajamento gerou incômodo dentro do núcleo mais próximo da família Bolsonaro, especialmente em Eduardo, que passou a cobrar publicamente maior alinhamento. A reação evidenciou divergências sobre estratégia eleitoral, liderança e condução da pré-campanha.

Diante da repercussão negativa, lideranças do PL passaram a defender publicamente a pacificação. O próprio Flávio Bolsonaro tentou minimizar o conflito, elogiou Nikolas e afirmou que o deputado continua sendo aliado do grupo. A declaração foi interpretada como uma tentativa de reduzir o impacto político da crise.

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