“Vai dar calote no Judiciário”, diz Cláudio Meirelles sobre empréstimo do TJGO a Caiado

Parlamentar também comentou a aprovação do projeto que pleiteia entrada de Goiás no Regime de Recuperação Fiscal: “será um tiro no pé”

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Recentemente, o deputado estadual Cláudio Meirelles (PTC) disse ao Jornal Opção que o governador Ronaldo Caiado (DEM) não seria capaz de pagar a folha julho e, conforme ele, a comprovação veio com o pedido de empréstimo ao Tribunal de Justiça. Agora, o parlamentar faz outra previsão: “Vai dar calote no Judiciário”.

O Tribunal de Contas de Goiás (TJGO) emprestou, com a anuência da Assembleia Legislativa, R$ 230 milhões para que o governo pague duas folhas de servidores do Judiciário. Estas deverão ser quitadas, ainda este ano, em quatro vezes.

Para Cláudio, a atitude do tribunal é louvável, mas corajosa – pelo risco do não recebimento. “Está salvando a administração do governador, mas me preocupo. Não acredito que o governador irá honrar. Vende discurso de terra arrasada para justificar incompetência”.

RRF

Outro ponto comentado por Cláudio diz respeito ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF), cuja intenção de entrada pelo governo estadual também foi aprovada na Assembleia.

“Essa aprovação é inócua”, garante Cláudio, que complementa: “O governador não precisaria. Ele, como chefe do poder Executivo, tem direito a entrar com o pedido. Quando ele faz isso, ele tem discurso para querer dividir a responsabilidade”.

Apesar disso, Meirelles lembra que os deputados de oposição votaram contra. “Vai dividir com os deputados da base. Se houver demissões, o governador terá que dividir com os 22 deputados que votaram nisso”.

Adesão

Cláudio não adentrou na possibilidade de aprovação ou não das medidas pela Casa para que se entre em definitivo no regime, mas disse que, a partir do momento que essa adesão for aceita, Goiás ficará, dentre outras coisas, sem concurso público. “Não haverá mais nenhum tipo de repasse de convênio com os municípios”, exemplificou também. “Será um tiro no pé”.

Mas, mesmo sem opinar se o regime tem chances de ser aprovado na Casa, ele exclamou que o secretário de Governo, Ernesto Roller, tem estado com frequência no legislativo goiano para conversar com deputados da base. “Caiado enviou Roller para pressionar e exigir. Deu cargo aos deputados e agora cobra a fatura”.

Rio

O parlamentar evidenciou que o Rio de Janeiro, que aderiu ao programa, teve problemas e o RRF não deu certo. “O próprio regime proíbe o Estado de pegar novos investimentos, dinheiro emprestado. Nenhum banco, mesmo oficial, vai emprestar dinheiro a Estado que dá calote, independente de Bolsonaro e Caiado serem amigos. Bancos obedecem regras”.

Meirelles ainda observa que, nesses seis meses de fôlego, correm juros e lá na frente o banco vai cobrar uma dívida, que será maior. “O governo federal vai querer receber”, apontou ele, que considera as medidas do regime duras demais.  

Outra medida lembrada por ele é que o Estado ficará proibido de dar e ampliar incentivos. “Goiás andará na contramão”, se preocupou ao exemplificar que São Paulo, que tem melhor logística, tem feito uso desses incentivos.

Estrategista do mal”

Para ele, “Caiado é um estrategista do mal”. O deputado afirma que o governador tem colocado para todo o Brasil que Goiás está em calamidade financeira e quebrado. “E a rede Globo mostrou, em reportagem, Estados que gastam acima do limite e Goiás não estava entre eles”.

Ele aproveitou para dizer, ainda, que a própria secretaria de Economia informou que houve aumento na arrecadação. “Nesses seis meses foram R$ 1 bi a mais que em 2018, no mesmo período. Existem outras alternativas que podiam ser feitas, começando pela exoneração de cargos em comissão que ele mesmo [Caiado] nomeou. A cada dia ele nomeia mais gente”.

De acordo com o legislador, este “é um governo que só olha para trás. Por uma questão pessoal, uma briga besta com o ex-governador. Trabalhar e mostrar a que veio, até agora nada. Caiado é uma decepção”.

Mais críticas

Meirelles anuncia que Caiado já contrariou o servidor público, empresários, todos os segmentos produtivos “e se não parar com esse ódio ao ex-governador, vai levar o estado a uma quebradeira. Mas por responsabilidade dele”.

Ele citou que foram 20 anos para que se implementasse as escolas de tempo integral e, em seis meses, estas já foram fechadas. Além disso, o deputado diz que o governo pretende fechar as escolas militares e “vai acabar com a educação básica ao colocar a Universidade Estadual de Goiás dentro dos gastos [hoje, a UEG recebe 2% sob a arrecadação do governo, de forma separada]”.

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