Universidade Católica é a unica de Goiás com disciplina sobre sexualidade humana

Inserção do tema na grade curricular em cursos da área de Saúde ainda é tabu em demais universidades, inclusive na UFG

PUC Goiás é pioneira no Estado quando assunto é sexualidade humana | Reprodução

PUC Goiás é pioneira no Estado quando assunto é sexualidade humana | Reprodução

“O médico não é médico de doenças, é médico de doentes, e todo doente é sexualizado.” É o que explica a professora Rita Francis Branco, que ministra para o curso de Medicina da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás) a única disciplina sobre sexualidade humana do Estado de Goiás na área de Saúde em nível acadêmico .

Segundo Rita Francis, a matéria, chamada na unidade como “módulo”, foi implantada na grade curricular há 10 anos, junto com a abertura do curso de Medicina da universidade e sempre fez parte do currículo dos aspirantes a médicos.

Professora Rita Francis | Reprodução/Facebook

Professora Rita Francis | Reprodução/Facebook

A professora explica em entrevista ao Jornal Opção que o módulo trata a sexualidade como um todo, traçando um panorama, que vai desde suas origens e história até chegar nas formas de seu desenvolvimento no ser humano. Em sala de aula, também são debatidos temas referentes a orientação sexual e identidade de gênero .

Para a médica, entender a vivência sexual humana é parte fundamental para a boa prática da Medicina. “O médico vai se deparar com pessoas diferentes e de sexualidades diferentes. Além disso, também existem doenças relacionadas à sexualidade”, explicou.

Sobre o fato da universidade católica, tida como tradicional e com forte influência religiosa, ser a única do Estado a trazer o tema na grade curricular de cursos da área de Saúde, a profissional prefere não comentar e sinaliza que este não deveria ser o escopo da discussão. “Deus fez os homens, os homens são sexualizados e a sexualidade foi feita por Deus”, finalizou.

Ironia laica

Em contraponto a esta realidade, outras universidades no Estado ainda encontram dificuldades para inserir o tema nas grades curriculares dos cursos da área de Saúde. É o caso da Universidade Federal de Goiás (UFG), que tem aproveitado o processo de revisão curricular da unidade para avançar as discussões sobre o tema.

Em entrevista, Ester Sales Matos, representante do Coletivo de Mulheres e Homens Transexuais, Pessoas Travestis e Transgêneras, Familiares e Apoiadores da Causa Trans na UFG, contou que o grupo chegou a se reunir, no último ano, com a reitoria da universidade para tratar do assunto. Apesar de bem recebida, a proposta de inserção curricular vai agora ser tradada com os professores de todos os cursos de Saúde da UFG.

Para Ester, a UFG, enquanto pública e laica, deveria ser a primeira a abrir espaço para essa discussão. “A universidade é pública e é laica e deveria ser exemplo nessa discussão. A PUC, ironicamente, já avançou neste sentido.”

A representante do coletivo destaca, ainda, a importância do debate sobre a sexualidade humana no seio acadêmico. “Precisamos pensar em uma maneira de formar profissionais mais preparados. Nem mesmo o curso de Psicologia possui uma disciplina específica para tratar do assunto”, destacou.

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