“Administração mais humana não significa falta de pulso”, diz novo titular da SSPAP

Novo secretário de Segurança Pública falou sobre a crise penitenciária no Brasil e disse que a questão da segurança pública deve ser pensada além da gestão de crises

Ricardo Balestreri assumiu Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária | Foto: Divulgação / Gabinete Imprensa

Em seu primeiro encontro com a imprensa como secretário de Segurança Pública e Administração Penitenciária de Goiás, o professor Ricardo Balestreri falou sobre as medidas prioritárias que pretende tomar à frente da pasta.

Em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (24/2), ele defendeu uma administração mais humana nos presídios e o trabalho em prol de resolver a situação dos presos provisórios.

“Uma administração mais humana não é uma administração fraca. Precisamos ter pulso firme nos presídios, até porque, se dermos qualquer sinal de fraqueza pode ser interpretado com permissividade. No entanto, ser duro e rigoroso não nos exime de sermos éticos e racionais”, ponderou.

“Nos presídios, precisamos humanizar a administração no sentido de não permitir que se tornem caixas de constituição de perversidades. Não podemos mais permitir que os presídios no Brasil sejam escritórios do crime. Não podemos permitir que os os bandidos perigosos dominem os demais presos com chantagem e violência”, concluiu.

Para tanto, ele citou como possíveis medidas, a realização de mutirões, com o apoio da Justiça, para resolver a situação dos presos provisórios e tentar, na medida do possível, cumprir o código penal na questão da separação dos presos por periculosidade.

“Na sequência, precisamos pensar como vamos punir os pequenos traficantes, ou seja, aqueles que são primários, não utilizaram violência, que nao formaram quadrilha. Não vamos ser complacentes com eles, vamos puni-los como se deve. Não podemos puni-los juntando os criminoso de alta periculosidade”.

Longo Prazo

Apesar das medidas a curto prazo sugeridas, Balestreri foi enfático em defender que a segurança pública não pode ser discutida apenas em momentos de crise. Estudioso da área, disse ainda que muitas das decisões tomadas “no calor do momento”, podem acabar piorando a situação.

“Não se resolve segurança pública com o fígado e a bílis. Se resolve com neurônios e cérebro. Todas as tentativas de resolver de outras foram desastrosas e terminaram em aumento da violência”, disse o novo secretário.

Segundo Balestreri, o grande desafio é ir além das medidas paliativas em momentos de crise. “É preciso superar o conceito da gestão por soluços. De maneira geral, temos dificuldade de fazer isso porque as crise da hora tem a tendencia de nos engolir. A crise da hora agora é essa e há uma pressão da mídia e da população hoje, então temos que responder isso. Amanhã vamos responder aquilo e depois de amanha aquele outro e no fim das contas não conseguimos resolver nada”, disse.

“É essencial um planejamento a médio e longo prazo. Precisamos ser práticos e ter conhecimento, inclusive observando o que deu certo em outros países em outros estados brasileiros, aqui em Goias”.

“É preciso que haja gestão científica da Segurança Pública. Ciência aplicada. O que reduz crime e violência? É a gestão científica da Segurança Pública”, afirmou o novo secretário. Balestreri foi secretário Nacional de Segurança Pública e tem longa carreira dedicada à formação e qualificação dos profissionais da segurança.

Desafios

Ele afirmou que terá pela frente como principais desafios a redução dos índices de homicídios e de furtos e roubos e a construção de um modelo de Segurança Pública que faça o Estado avançar na área. “Goiás é um Estado paradigmático. O que se faz aqui repercute nos outros setores. Temos pela frente o desafio de um modelo de liderança e valorização dos operadores de Segurança Pública em meio ao povo. Por exemplo, quanto mais nós ouvirmos os agentes prisionais, mais informações nós vamos ter”, ponderou.

“Não sou um sujeito com visão romântica do sistema prisional. Precisamos ser mais duros e rigorosos com os criminosos, que representam perigo à sociedade, e mais recuperatórios e dar mais oportunidades de recuperação à grande massa prisional que tem recuperação e que poderia se recuperar, mas não no âmbito prisional atual como o brasileiro. A maior parte dos presos é recuperável”, atestou.

Outro ponto levantado por Ricardo Balestreri foram os custos com a gestão da área. Ele afirmou que é completamente possível gerir a Segurança Pública sem precisar de muitos recursos. E garantiu que não aceitou o convite para assumir a Pasta sob a “perspectiva messiânica”.

“Basta que tenhamos soluções inovadoras. Nós precisamos trabalhar com o mundo real. Precisamos fazer o melhor possível com os recursos que temos. Temos que lutar para aumentar o volume de recursos, mas essa é uma luta do país inteiro. Com recursos escassos, nós podemos fazer muita coisa incrementando as parcerias, principalmente as público-privadas”, sugeriu.

Acompanharam a apresentação do novo secretário o vice-governador José Eliton, o secretário interino de Segurança Pública, Coronel Edson Costa, o secretário da Casa Civil, João Furtado, outros seis ex-secretários de Estado de Segurança Pública que já passaram pela pasta, entre outras autoridades.

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