“Um sentimento demoníaco me possuía”, confessa suposto serial killer goiano

Tiago Henrique foi ouvido nesta sexta-feira (9/1), quando reiterou a tese de que forças obscuras o motivavam aos crimes. Preso, ele afirma que ainda tem vontade de matar

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Tiago Henrique é suspeito de matar 29 pessoas em Goiânia | Foto: Thiago Araújo/ Jornal Opção

Foi levantando o braço esquerdo e mostrando a marca do projétil que Rocilda Gualberto da Silva iniciou seu depoimento nesta sexta-feira (9/1), na 1ª Vara Criminal de Goiânia. Ela foi atingida no braço pela mesma bala que matou sua irmã, Rosirene Gualberto da Silva, em julho do ano passado, no Setor dos Funcionários.

Além da vítima, o juiz Eduardo Pio Guimarães e o promotor Carlos Alberto Fonseca ouviram o suposto serial killer de Goiânia, Tiago Henrique Gomes da Rocha, de 26 anos, acusado de cometer o crime.

A oitiva ocorreu durante a primeira audiência em que o vigilante Tiago Henrique responde por um dos 29 homicídios que confessou ter cometido. De acordo com o depoimento de Rocilda, um homem em uma motocicleta preta a abordou juntamente com sua irmã em frente a uma casa noturna no dia 19 de julho de 2014.

“Estávamos na porta do estabelecimento quando o assassino estacionou, subiu calmamente à calçada e nos deu voz de assalto. E, antes da minha irmã entregar a chave do carro, ele atirou nela”, disse. Em seguida, indagada pelo promotor se ela reconhecia Tiago Henrique como o homem que assassinou sua irmã, sua resposta foi sucinta: “Tenho certeza. No local tinha luz suficiente que dava para ver toda a rua”, disse Rocilda.

Este caso é o primeiro em que o Ministério Público de Goiás (MPGO) representou por uma morte cometida por Tiago, que segue preso no Núcleo de Custódia do Complexo Prisional, em Aparecida de Goiânia.

“Não era errado matar”

Logo em seguida, Tiago Henrique foi chamado pelo magistrado Eduardo Pio Guimarães para contar sua versão do crime. De sandálias, camisa pólo branca e mais magro, o suposto assassino em série chegou escoltado por agentes do Grupo de Operações Penitenciaria de Goiás (GOP) e sentou-se.

Perguntando sobre os motivos que o levaram a assassinar Rosirene Gualberto, Tiago disse que foi “obrigado a praticar o crime”.

Com a cabeça abaixada, Tiago continuou: “No dia, saí de casa para beber e esquecer o sentimento ruim que tenho. Bebi bastante, 10 doses, voltei para casa e uma voz continuava dizendo para praticar o crime. Acho que estava bêbado e para mim não era errado matar pessoas. Um sentimento demoníaco me possuía. Fui até ao local e anunciei o assalto, depois disso fiquei cego e não lembro mais nada”.

Interpelado pelo promotor, Tiago disse que sabia manusear armas porque realizou curso de segurança. Antes de ser preso no dia 14 de outubro pela força-tarefa da Polícia Civil — operação incumbida a dar celeridade na elucidação de crimes que vitimavam mulheres —, o suspeito atuava como segurança no Hospital Materno Infantil (HMI).

Em seguida, Tiago disse, mais uma vez, que “mesmo depois de preso continua com vontade matar”. No caso da de Rosimeire, ele é acusado de homicídio duplamente qualificado por motivo torpe e por impossibilidade de defesa da vítima.

Em entrevista coletiva de imprensa depois da oitiva, o promotor Carlos Alberto Fonseca disse que o MPGO está “convencido que há todos os elementos para pedir a pronúncia do acusado e leva-lo ao tribunal do júri”.

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Promotor Carlos Alberto Fonseca | Foto: Thiago Araújo/ Jornal Opção

Entretanto, foi suscitado pela defesa de Tiago Henrique a incidência de insanidade mental. Ante o princípio da ampla defesa e para evitar uma futura nulidade processual, o MPGO concordou e o poder judiciário autorizou a realização do exame psicológico/psiquiátrico do suspeito.

Agora, é aguardada a realização dos exames por médicos. “Neste momento, a instrução processual fica suspensa até o término dos exames.  Se por acaso for concluído que o acusado não é capaz de entender o caráter do fato, ele estará sujeito a medida de segurança, mas temos convicção que ele tem autodeterminação e entendimento do que cometia”, finalizou Carlos Alberto Fonseca.

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Moacir Romeiro

Esse pilantra engana apenas a imprensa ingênua e os juízes, também ingênuos. Ficou patente que ele foi orientado a dizer essas bobagens sobre “vozes demoníacas” pelas pilantras das advogadas bem como pela família.

Epaminondas

Não seria o caso de chamar algum exorcista para colher o depoimento do Diabo?

Se adoram propagandear que cartas mediúnicas são usadas em tribunais brasileiros, então não parece nada demais colher depoimento de entidades cristãs.