O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Flávio Bolsonaro, já se encontra nos Estados Unidos, acompanhado da esposa e das filhas. O que chama a atenção é que, um dia antes, o senador havia afirmado que nunca cogitou deixar o Brasil e que não pretendia fugir do país.

“A decisão de Alexandre de Moraes se baseou numa fala do Eduardo, de 23 de outubro, de que eu deveria deixar o país se eu perdesse a eleição. Eu nunca falei isso. Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é justiça? E mais, essa decisão foi tomada no domingo à noite, logo depois do anúncio do resultado da eleição. Pensa comigo: se eu tivesse ganhado as eleições, ia acontecer a mesma coisa? Flávio Bolsonaro eleito, essa PF ia estar do mesmo jeito me intimando no meio da rua? Isso é um sinal de que a nossa democracia faliu”, disse.

“Foi uma decisão tomada conforme o resultado da eleição. Uma questão política, não pode ser assim. Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar, mas ninguém vai me calar, porque eu falei várias vezes durante a campanha: eu sou o último obstáculo para o PT implementar o seu projeto de destruição do país”, argumentou.

Na gravação, Flávio também afirmou que pediria a cassação da chapa de Lula da Silva (PT) e que organizaria a oposição ao próximo governo no Congresso Nacional. O discurso foi marcado por críticas ao processo eleitoral, ao Judiciário e ao PT, com maior ênfase no enfrentamento político do que na apresentação de propostas para o país.

Prorrogação do horário de votação

Flávio Bolsonaro também criticou a decisão que prorrogou em duas horas o horário de votação no segundo turno das eleições presidenciais. A medida foi adotada após um pedido da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, em razão de problemas na circulação de ônibus em diferentes regiões do país.

Em algumas localidades, apesar da determinação de funcionamento de 100% da frota de transporte coletivo, apenas 70% dos veículos estavam em circulação. Problemas dessa natureza foram registrados em cidades como São Paulo (SP) e Salvador (BA).

O senador questionou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que atuou como advogado de Lula antes de integrar a Corte.

Entretanto, antes de chegar a Zanin, o pedido havia sido encaminhado ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, por volta das 13h30. Como não houve apreciação naquele momento, a solicitação chegou ao STF por volta das 15h30, inicialmente sob a responsabilidade do presidente da Corte, ministro Edson Fachin. Cerca de uma hora depois, o processo foi distribuído a Zanin.

Apesar das críticas de Flávio Bolsonaro, a própria campanha do senador também apresentou um pedido de prorrogação do horário de votação, nesse caso para eleitores de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul.

A decisão de Zanin teve abrangência nacional, contemplando, portanto, as solicitações apresentadas pelas duas campanhas. Daniella Marques, integrante da coordenação da campanha de Flávio, chegou a comemorar a medida. O perfil oficial do PL nacional no Instagram também publicou um comunicado informando sobre a mudança no horário de votação.

A determinação foi posteriormente cumprida pelo presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, que encaminhou as orientações aos tribunais regionais eleitorais de todo o país.

Vale destacar que a diferença de votos entre Lula e Flávio Bolsonaro foi superior a 4,4 milhões. Já o número de votos registrados entre 17h e 19h, em todo o território nacional, foi de 34.393, segundo dados do próprio TSE. Dessa forma, mesmo que todos esses votos fossem atribuídos a um único candidato, não seriam suficientes para alterar o resultado da eleição.

Ao final da manifestação, Flávio agradeceu aos quase “60 milhões de brasileiros que me deram um voto de confiança, que escolheram a mudança, que queriam o caminho da prosperidade e a pacificação do país”.

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