Ultimato de delegados do PMDB é “equívoco político”, diz Antônio Gomide

Pré-candidato ao governo pelo PT defende que peemedebistas perderam o prazo para aliança no primeiro turno por falta de unidade interna, mas não descarta união entre as siglas no 2º turno

Na foto Antônio Gomide Crédito: André Kerygma

O prazo final estabelecido pelos delegados do PMDB tem sido ignorado pela cúpula petista. O pré-candidato ao governo pelo PT Antônio Gomide mantém sua agenda de pré-campanha como se nada tivesse ocorrido na última segunda-feira (2/6), quando peemedebistas decidiram dar uma espécie de ultimato até o próximo dia 8 pela aliança com o PT local ou votar em bloco pelo fim da aliança nacional. Em entrevista ao Jornal Opção Online na manhã desta terça-feira (3), o petista classificou de “equívoco político” o possível voto do PMDB goiano pelo fim da aliança nacional. “Vão votar contra o próprio partido porque o vice [Michel Temer] é do PMDB. Isso é um equívoco, porque esse projeto entre PT e PMDB dá sustentação política aos dois partidos não só no nacional como nos Estados”, considera Gomide.

Dia movimentado no PMDB goiano, na tarde da última segunda a executiva estadual, reunida com as alas irista e friboizista, decidiu por chamar Iris Rezende para a cabeça de chapa e possivelmente antecipar a convenção para meados deste mês. Enquanto isso, Antônio Gomide passava por Goianésia, Vila Propício e Barro Alto, cujos prefeitos são, na mesma ordem, Jalles Fontoura (PSDB), Waldilei Lemos (DEM) e Geraldo Martins (PT). Esta é a terceira vez que ele visita a região.

Perguntado sobre o prazo para rever a possibilidade de aliança para o primeiro turno, Gomide afirmou que este tipo de ultimato deveria ser do PT, não do PMDB, visto que a cúpula peemedebista teve até 29 de março para definir a cabeça de chapa e assim manter o apoio petista. “Nossa pré-candidatura está colocada, já estamos com as caravanas na rua. É legitima a colocação da pré-candidatura do PMDB, mas não altera em nada nosso projeto”, reitera o ex-prefeito, pontuando que sua pré-candidatura conta com o apoio das direções nacional e estadual. “Não estamos fechados [para o PMDB] no segundo turno”, destaca.

Possíveis alianças

Segundo Antônio Gomide, as conversações com o PROS, PCdoB, PDT e PHS estão bastante avançadas, mas é natural que a declaração de apoio se dê após meados deste mês, “quando teremos mais afunilamento quanto à chapa [majoritária] que dará sustentação a uma chapa forte de deputados estaduais e federais”.

Para o petista, diferentemente do que ocorre com a ala governista e peemedebista, a chapa petista terá mais facilidade para contemplar o anseio desses partidos quanto aos pleitos proporcionais porque o PT possui menos candidatos à reeleição a esses cargos [apenas Rubens Otoni pretende manter-se na Câmara dos Deputados, quanto Mauro Rubem, Olavo Noleto, Edward Madureira e Tayrone di Martino são pré-candidatos a deputado federal]. “Nessas outras chapas já tem muitos deputados que vão buscar a reeleição, então o espaço é restrito”, complementa.

O maior desafio de Iris Rezende quando vier a ser consagrado de fato o candidato do PMDB será buscar o PT já no primeiro turno, possibilidade tratada com esperança por peemedebistas e com receio e frases de impacto por petistas, como demonstrado ontem em matéria do Jornal Opção Online cuja fonte foi o presidente do PT goiano, Ceser Donisete. A (difícil, mas não impossível) aliança garantiria mais partidos coligados, já que muitos dos descontentes com o recuo de Júnior Friboi voltaram a abrir conversação com o petista, como o PCdoB, o PROS, o Solidariedade e o PDT, além de evitar que os dissidentes peemedebistas trabalhem contra a candidatura irista.

Caravana de Gomide

Embora pertença ao partido da base governista, o pepista Mauro Pimenta, presidente da Câmara de Vereadores de Vila Propício, fez menção de apoio a Gomide ao dizer que Goiás precisa de um governador atento às causas do Estado. “Hoje sofremos com o descaso do governo e passamos dificuldades como, por exemplo, estradas sem pavimentação”, disse o vereador durante visita do petista.

Em Barro Alto Gomide concedeu entrevistas a rádios locais e falou sobre os resultados obtidos em Anápolis enquanto chefe do Executivo municipal. Também petista, o prefeito Geraldo Martins engrossou o coro pró-Gomide ao enfatizar que a disputa pelo governo de Goiás não será fácil, mas que tudo do PT “foi conquistado com esforço, muita luta e nesta eleição não será diferente.”

A agenda de Antônio Gomide entre esta terça-feira e domingo perpassa por São Patrício, Pilar de Goiás, Campos Verdes, Cavalcante, Posse e termina no Entorno do Distrito Federal, possivelmente nas cidades de Novo Gama, Valparaíso e Águas Lindas.

3 Comment threads
1 Thread replies
0 Followers
 
Most reacted comment
Hottest comment thread
4 Comment authors

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

MARCOS PRATA

Faltava essa… O PMDB, que até agora não conseguiu resolver seu problema interno, tenta colocar o PT na parede. “Eitaaaa Goiáaaassss”

Carlos Gomes de Moura

O PMDB sem dúvida esta chegando ao fim no estado de Goiás, político que não abre mão da disputa do “poder”, sempre gostei do PMDB, mas um partido que quer permanecer no passado, sem dúvida Íris foi um grande governador, mas hoje tem que ser renovado.

Feliz é o homem que entedem que seu momento chegou ao fim na política, e abre as portas para pessoas cheias de energia.

Mario Borges

Na verdade, o PMDB agora é um apêndice do PT , entregou a Prefeitura de Goiânia sem necessidade alguma, apenas para tentar se vingar de Marconi Perillo, não conseguiu, agora é dependente de um partido exotico.

geyzon

Íris, Michel Temer e Valdir Raupp em Goiânia e o velho e conhecido “esquemão” de filiação e cotização em massa. Não representa nenhum elemento de novidade, porém é nada mais do que uma alternativa conservadora para um Goiás historicamente conservador.