A UFG está liderando uma pesquisa global sobre o zika vírus e você pode ajudar

Não precisa doar tempo, nem dinheiro, nem ser um grande cientista; Veja como contribuir com o projeto OpenZika

A Universidade Federal de Goiás, em parceria com o World Community Grid e cientistas de vários países lançou na manhã desta quinta-feira (19/5) o projeto OpenZika, um estudo desenvolvido para identificar possíveis medicamentos antivirais para combater o vírus zika, responsável por uma epidemia de microcefalia em bebês de todo o Brasil.

Para ajudar os cientistas a atingirem esse objetivo, voluntários do World Community Grid estão doando sua capacidade computacional não utilizada para conduzir experimentos virtuais, chamados de “ancoragem ou docking molecular”.

Qualquer pessoa que possua um computador ou um dispositivo móvel. Basta instalar um aplicativo em seu aparelho Windows, Mac, Linux ou Android e, automaticamente, passam a realizar experimentos virtuais para os cientistas sempre que esses aparelhos estiverem inativos.

Com base nos resultados desses cálculos, os pesquisadores poderão prever quais substâncias têm mais probabilidade de apresentar resultados promissores como potenciais fármacos em testes in vitro de laboratório.

Coordenadora do projeto, professora da Faculdade de Farmácia da UFG, Carolina Horta

Coordenadora do projeto, professora da Faculdade de Farmácia da UFG, Carolina Horta

A coordenadora do projeto e professora da Faculdade de Farmácia da UFG, Carolina Horta, explica como a colaboração acelera as pesquisas. “Utilizando estratégias modernas de descoberta de fármacos, conseguimos priorizar quais substâncias devem ser realmente testadas em laboratório”, detalhou.

Carolina Horta explicou que, normalmente são necessários entre 10 e 15 anos para que um novo medicamento chegue às farmácias, sendo um processo longo e dispendioso. “É como buscar uma agulha no palheiro, ou montar um quebra-cabeças para ver qual substância química consegue interagir com alguma proteínas-chave do vírus que vai acabar causando a sua morte”.

Atualmente mais de 3 milhões de colaboradores que permitem o rastreamento de compostos de bancos de dados já existentes com uma velocidade infinitamente maior do que em um laboratório tradicional, permitindo a avaliação computacional demais de 20 milhões de compostos apenas na fase inicial e até 90 milhões de compostos em fases futuras.

Sem a rede de computadores, essa parte de triagem demoraria pelo menos dois ou três anos. Com o projeto, a expectativa dos pesquisadores é a de concluir essa etapa em aproximadamente seis meses, quando a pesquisa deve seguir para experimentos em laboratórios, utilizando apenas aqueles compostos que já se mostrarem promissores.
Além disso, o projeto é de ciência aberta, ou seja, deverá ter todos os seus resultados imediatamente divulgados, permitindo que qualquer outro pesquisador contribua com o trabalho, acelerando seus resultados.

Preocupação mundial

Em fevereiro de 2016, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou o vírus Zika como uma emergência global de saúde pública. Isto se deveu principalmente à sua rápida disseminação nas Américas e à sua possível ligação a graves doenças neurológicas. Notavelmente, algumas mulheres grávidas que contraíram o vírus Zika teriam dado à luz crianças com problemas relacionados ao desenvolvimento cerebral por uma condição chamada microcefalia. Em abril de 2016, o Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC) confirmou a ligação entre o vírus Zika em mulheres grávidas e casos de microcefalia em fetos e recém-nascidos.

“Todos estamos alerta. O vírus Zika foi descoberto em 1947, mas quase ninguém havia ouvido falar sobre ele até 2015. Ele ficou desconhecido e pouquíssimas pesquisas foram feitas em todo esse período”, justificou a pesquisadora da UFG. Carolina Horta lembrou que o vírus está se espalhando rapidamente pelas Américas e que já há uma preocupação da Organização Mundial de Saúde de que ele possa chegar também a Europa no próximo verão.

O projeto é liderado pela Universidade Federal de Goiás (UFG), com a coordenação da professora da Faculdade de Farmácia, Carolina Horta, que se dedica às pesquisas de Fármacos e Medicamentos. Com frentes de estudo nas Américas do Norte e do Sul, o OpenZika têm a colaboração de pesquisadores da Rutgers New Jersey Medical School, da Collaborations Pharmaceuticals, Inc., e da University of Califórnia, nos Estados Unidos, bem como da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Brasil. A equipe é composta por 12 pesquisadores. (Com Ascom UFG)

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