UFG e Governo de Goiás elaboram Plano Estratégico de enfrentamento ao coronavírus

Parceria une pesquisadores de diferentes áreas. Objetivo é encontrar soluções para amenizar efeitos da epidemia nas áreas da Saúde e Economia

Rua da Região da 44 com comércios fechados | Foto: Fernando Leite

Diante da crise desencadeada pelos efeitos do coronavírus (Covid-19) no Brasil, a Universidade Federal de Goiás (UFG) e o Governo do Estado resolveram desenvolver uma grande parceria no sentido de amenizar os impactos da doença no Estado. O trabalho envolve o Instituto Mauro Borges (IMB), a Secretaria de Estado da Saúde (SES), a Secretaria de Estado da Economia (SEE) e a Secretaria de Estado de Desenvolvimento e Inovação (SEDI). Em conjunto, UFG e Governo estadual formaram um comitê para debater o tema.

Em pauta estão assuntos como a promoção de diagnósticos e assistência médica para os doentes, maneiras de assegurar o cumprimento da política de distanciamento social, os possíveis cenários da evolução da pandemia causada pelo novo coronavírus e, ao mesmo tempo, enfrentamento de problemas como o desemprego, diminuição do ritmo de produção e redução do nível de consumo das famílias.

As pesquisas incluem estimativas através de modelagem de casos, hospitalizações e óbitos causados pela Covid-19 no estado no curto e médio prazo; avaliação do impacto das medidas de distanciamento social; além de avaliação de quando e como flexibilizar com segurança as medidas implementadas pelo governo para o enfrentamento da epidemia, considerando o custo econômico inevitável das medidas de controle.

O primeiro relatório de trabalho do comitê apresenta a situação da pandemia em Goiás com base em evidências de estudos epidemiológicos e econômicos. Os resultados dão suporte também ao monitoramento da política de distanciamento social e outras medidas do governo bem como orientação aos gestores públicos nas tomadas de decisão frente à pandemia, de maneira que tomem as medidas necessárias para que o impacto na saúde e na economia sejam os menores possíveis.

Um dos pesquisadores que integram o estudo conjunto é o secretário de Planejamento da UFG, Vicente Ferreira. Segundo ele, o mundo enfrenta uma crise de saúde e economia sem precedentes na história recente. “O melhor que podemos fazer pela economia nesse momento é priorizar é diminuir o espalhamento da doença no Estado de Goiás o achatamento da curva epidemiológica”, defende o professor.

Ele explica que a partir do estudo de como outras economias mundiais estão reagindo à pandemia, o relatório elaborado pelas instituições definiu os serviços dos setores público e privado que são essenciais, e que podem funcionar plenamente ou com restrições, desde que seus fornecedores observem todas as condições de segurança determinadas pelos órgãos de saúde competentes.

Assim, o documento defende que as seguintes atividades essenciais sejam mantidas: serviços de saúde, produção, distribuição e comércio de gêneros alimentícios em determinados estabelecimentos comerciais assim como serviços de telecomunicações, tecnologia da informação, obras públicas e obras emergenciais, serviços de segurança pública e privada, serviços de transportes (com restrições) e serviços de entrega domiciliar, pois são os mais comumente definidos nos contextos nacionais e internacionais analisados.

A análise realizada pelos pesquisadores da UFG e do Governo continuará sendo atualizada, considerando novos dados que serão avaliados diariamente para aperfeiçoar os resultados.

Um dos representantes do Governo de Goiás na equipe que desenvolve o estudo, o secretário de Desenvolvimento e Inovação, Adriano da Rocha Lima, destaca a importância da união de esforços entre o poder público e a academia para a elaboração de ações conjuntas de enfrentamento à disseminação do novo coronavírus.

“A pandemia desestabilizou os sistemas de saúde e econômico dos países, estados e municípios. Diante desse grande desafio, os governos têm na ciência o caminho mais seguro para orientar suas decisões. É muito importante nos guiarmos por algo metodológico e estruturado, baseado em dados e experiência de pesquisadores do mundo, do que nos guiar por achismos”, explica.

O esforço coletivo também foi destacado pelo professor da UFG, Celso Camilo, que também é subsecretário de Tecnologia da Informação da SEDI. Ele ressalta a importância da integração das diferentes áreas do conhecimento para a resolução de problemas complexo, como é o caso desse grupo montado para combater a Covid-19 no Estado de Goiás. “Todos estão imbuídos de espírito público e extremamente dedicados para minimizar as perdas da pandemia, com os respectivos conhecimentos e habilidades”, argumenta.

Impacto na Saúde

Como parte dos estudos desenvolvidos pelo comitê, pesquisadores da UFG desenvolveram um modelo de simulação da progressão da infecção pelo novo coronavírus na população ao longo do tempo. A modelagem considerou parâmetros específicos da infecção na população e no contexto local de Goiás. As estimativas são fundamentais para auxiliar o planejamento de estratégias de prevenção e controle assim como organização dos serviços de saúde no Estado.

A professora Cristiana Toscano/IPTSP, médica infectologista e epidemiologista, explica que o estudo traçou possíveis cenários, considerando as medidas de distanciamento social adotadas no estado. “Caso tivéssemos abandonado as políticas de distanciamento social, estaríamos diante de um aumento em, pelo menos, 5 vezes no prazo de 30 dias no número de infectados e, consequentemente um grande impacto na demanda por leitos e UTIs no Estado”, destacou a professora. Ela explica que o modelo desenvolvido para as projeções foi estruturado de maneira semelhante a modelos internacionais, como o elaborado pelo Imperial College de Londres, sendo parametrizado com dados internacionais e locais.

O professor José Alexandre Diniz, do ICB, pesquisador que integra o comitê, reitera a importância da tomada de decisões para evitar que os picos da doença em Goiás esgotem a capacidade do atendimento médico disponível. “A mensagem principal da avaliação de longo prazo realizada no estudo refere-se principalmente ao achatamento efetivo da curva epidêmica com a adoção das medidas em curso, bem como a previsão do deslocamento de, pelo menos, 20 dias, entre os picos epidêmicos”, finalizou.

Estudo pioneiro

A crise mundial imposta pela epidemia da Covid-19 é ao mesmo tempo econômica e de saúde, conforme explica o Gerente de Estudos Macroeconômicos do Instituto Mauro Borges, Anderson Mutter Teixeira, que também é professor da FACE/UFG. Segundo ele, o grande debate é verificar quais setores da economia podem ser liberados a medida em que a curva de crescimento da doença vai se achatando ao longo do tempo.

O professor explica que o primeiro passo do trabalho foi identificar as áreas chamadas Economia de Subsistência ou Setores Essenciais. “Identificamos quais são as atividades que devem continuar operando para que as famílias possam se sentir à vontade para ficar em casa durante o período de isolamento”, ressaltou.

Segundo Anderson Mutter, essa delimitação é inovadora e importante pois permite que a comunicação entre o Governo do Estado, população e agentes econômicos se dê de forma detalhada, visando evitar interpretações distorcidas do que deve ficar aberto ou fechado a medida em que a pandemia se desenrola.

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