Túlio Maravilha: o “descompassito” escondido atrás da hilária “Mil Golzito”

O goleador perdeu o bonde da fama e quer a todo custo resgatá-la. Ele paga o preço do ridículo, mas ninguém tem nada a ver com isso

Ele já foi artilheiro de tudo que é tipo de campeonato – inclusive do Brasileiro, da Série A à C –, posou nu para revista gay, se elegeu vereador, quis ser deputado e acabou renunciando, protagonizou assédio moral contra uma apresentadora de TV e tornou o gol mil muito mais do que um carro popular da Volkswagen.

Túlio Maravilha se fez polêmico e, perto de virar um cinquentão e longe dos gramados há muito tempo, tem como questão de honra (ainda que a perca) se manter na mídia. A última dele agora foi aprontar um vídeo-paródia “cantando” – bem entre aspas mesmo – uma versão do megassucesso “Despacito” para voltar a surfar na crista da fama, ainda que pelos 15 minutos da lei de Andy Warhol.

A versão do hit viralizou na internet, justamente porque, no clipe, Túlio fez de tudo para torná-la o mais sem noção possível. Numa gravação que poderia ter sido feita por qualquer companheiro de pelada aparece fazendo caras e bocas e tentando cantar uma letra paupérrima de conteúdo como rica em frases egocêntricas. Misturou tudo com seu bom humor característico e conseguiu: como se diz, “a coisa bombou”.

A vida útil para Túlio no futebol terminou há mais de uma década e meia, mas ele insistiu em continuar como jogador semiprofissional, perambulando por times desconhecidos ou irreconhecíveis, até fazer o “gol mil” pelo Araxá (MG), aos 45 anos, em 2014. A obsessão pelo milésimo gol – uma conta que inclui até o que ele marcou em partidas festivas – foi o início do aprofundamento do que pode ser chamado de “marketing do ridículo” no futebol.

É que, jogando no Botafogo, em seu auge, quando começou a ver que certas declarações à imprensa “renderiam”, o atacante recuperou o legado deixado por outro goleador: Dario, o Dadá Maravilha – de quem Túlio tomou o apelido –, artilheiro nas décadas de 70 e 80, que tinha o costume de batizar seus gols e eternizar tiradas. A mais famosa e folclórica talvez tenha sido esta: “Só três coisas no ar: beija-flor, helicóptero e Dadá.”

Mesmo depois de ter se elegido vereador por Goiânia em 2008 com a ajuda da torcida do Vila Nova – que o idolatrava por ter se declarado torcedor do time, mesmo tendo sido revelado e despontado no arquirrival Goiás –, Túlio seguiu na carreira mambembe, tentando conciliar futebol e política. Em 2010 não se elegeu deputado estadual, tendo votação pífia sem o apoio da massa colorada. Em 2011, não aguentou a rotina de terno e gravata: renunciou ao mandato na Câmara e saiu na perseguição decadente rumo ao gol mil.

Túlio ainda integrou um reality show de casal na TV Record, com a mulher, Cristiane, tentou sem sucesso ser comentarista de futebol e recentemente foi banido pela Rede Globo por assediar a apresentadora Bárbara Coelho, do canal Sportv – mostrou-lhe o celular com uma foto de sua “passagem” pela revista “G Magazine”, com o pênis ereto.

A versão “Mil Golzito” para o original “Despacito” realmente ficou hilária, de tão ruim e ridícula. Mostra, na verdade, um “descompassito” de alguém que perdeu o bonde da fama e tenta, a todo custo, correr atrás dele descendo a ladeira. Mas Túlio é assim e quer pagar o preço. E ninguém tem nada a ver com isso.

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