O presidente do SET Adriano Oliveira diz que o déficit está em R$75 milhões e que as empresas estão enfrentando problemas financeiros desde março, no início da pandemia

Sistema pode entrar em colapso caso medidas não sejam tomadas | Foto: Reprodução

Nesta semana, a Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo (CMTC) recebeu um manifesto das empresas concessionárias sobre o risco de colapso no transporte coletivo nos próximos dias. Segundo Adriano Oliveira, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo da Região Metropolitana de Goiânia (SET), as empresas vêm enfrentando problemas financeiros desde o início da pandemia. Foram tomadas medidas paliativas que diminuíram os prejuízos, entretanto, os recursos chegaram ao fim e o risco de um colapso é iminente. 

“O que a gente fez nesses últimos dias foi alertar as autoridades, o poder público do risco iminente de um colapso no sistema. As empresas vêm enfrentando desde o início da pandemia um gravíssimo desequilíbrio. A nossa receita inicialmente caiu mais de 80%, hoje está estabilizado um pouco abaixo de 50%. Com essa queda brusca na receita sem que a gente pudesse ter feito o mesmo ajuste na despesa, a gente começou a experimentar um déficit muito grande. Até o final do ano, só na operação a diferença entre receita e despesa vai chegar a R$75 milhões”, relata Adriano.

Segundo ele, o déficit começou em março até então acreditou-se que pudesse haver alguma solução vinda do poder público, já que o serviço é uma concessão pública. “Essa solução até apareceu, um projeto de lei do governo federal que destinaria R$ 4 bilhões para todos os sistemas de transporte no Brasil. Houve um veto do presidente a esse projeto de lei. Hoje nós estamos numa situação em que as empresas não têm mais crédito”, alertou Adriano Oliveira.

O presidente da SET explicou que no início da pandemia houve ações do Ministério Público em parceria com o Estado de Goiás e municípios, porém apenas o governo estadual vem fazendo a sua parte nesse acordo.

“O governo de Goiás propôs um plano em que os municípios e o Estado iriam repartir essa obrigação, cobrindo a diferença entre despesa operacional e receita operacional. O Estado vem cumprindo com isso, mas a parte é pequena, de 17%. O restante os municípios não têm cumprido. A solução para esse momento é que os municípios aceitem participar deste plano emergencial. O nosso pleito é para que o município de Goiânia, Aparecida e os demais municípios possam participar. Existe uma solução que precisa ser tomada o mais tardar até o final da próxima semana, para que as empresas mantenham o serviço funcionando”, explicou o presidente da SET.

No último mês de novembro houve eleições municipais que elegeram novos governantes para as cidades da região metropolitana. De acordo com Adriano Oliveira, esse fator é mais um complicador para a resolução do problema. “A gente não quer trabalhar com essa hipótese da paralisação, até por isso estamos fazendo esse alerta. O momento é o pior possível, nós estamos em um momento de transição em que a gestão atual está saindo e tem dificuldades de tomar decisões, pois impacta na gestão futura”, fez o alerta.

A região metropolitana de Goiânia é composta pela Capital e outros 17 municípios. Para o presidente da SET, todas as cidades que compõem a região metropolitana serão afetadas de alguma maneira. “Todos esses municípios serão afetados. Nós temos um sistema com tarifa única, 100% integrado. Caso o sistema entre em colapso todos os municípios serão atingidos. Essa é a preocupação que a gente tem”, finalizou Adriano.