Transmissão de coronavírus entre animais são casos isolados e estudos controversos, aponta Conselho

Para a entidade, os casos confirmados em dois cães, um gato e recentemente um tigre ainda estão em discussão, com crítica aos estudos que fazem apontamentos de riscos 

Foto: Fábio Pozzebom/Agência Brasil

Após a tese de transmissão de coronavírus entre animais ganhar força depois que uma tigresa do zoológico de Nova York testou positivo, o Conselho Regional de Medicina Veterinária de Goiás (CRMV-GO) divulgou nesta semana considerações sobre a possibilidade. Segundo avalia a entidade, os casos ainda são isolados e os estudos experimentais que avaliam animais como possíveis transmissores ainda são controversos.

“Estatisticamente, são casos isolados e, epidemiologicamente, esses animais não representam fonte de infecção significativa, com potencial de disseminação da doença”, assinala o médico-veterinário Fernando Zacchi, assessor técnico da presidência do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV).

A matéria do CRMV destaca que, a partir da explicação de Zacchi, há duas formas de se identificar agentes infeciosos virais nos animais: a identificação direta da partícula viral; e a indireta, que sinaliza a resposta imune do paciente ao agente ou seus componentes. “A presença do agente, isoladamente, tem pouco valor diagnóstico, pois apenas nos informa que o animal teve contato com o vírus, sendo necessários outros testes e acompanhamento epidemiológico para obtermos uma informação mais apurada”, detalha Zacchi.

“Existe uma grande diferença entre encontrar o agente infeccioso e o animal ser capaz de desenvolver e transmitir qualquer doença”, destaca o assessor técnico na sequência.

Estudo chinês 

Para o conselho, pode haver desencontro de informações até mesmo entre os profissionais da área. As discussões ganharam força em razão de um estudo realizado por pesquisadores chineses que expuseram cães, porcos, galinhas, gatos, furões e patos a altas doses do vírus, concluindo que haveria capacidade de replicação, mais alta entre furões e gatos.

“O estudo e sua divulgação pela conceituada revista, sem questionamentos, gerou críticas de pesquisadores brasileiros, publicadas no Jornal da USP, da Universidade de São Paulo. Na reportagem, o professor Paulo Eduardo Brandão, do Laboratório de Zoonoses Virais da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ/USP), é enfático: “Se eu fosse revisor e recebesse esse artigo, negaria a publicação”.

Necessidade de cautela

Apesar disso, a entidade destaca alguns cuidados que devem ser tomados com os bichos. “Temos que ter mais cuidado no trato com os pets, se a pessoa estiverem se isolando, protegidas, não há por que se preocupar com os animais silvestre”, destaca o texto.

Outro ponto que o CFMV chama atenção é para a necessidade de isolamento de animais domésticos de pessoas infectadas. “O tutor infectado, ao espirrar ou tossir, poderá espalhar partículas com vírus pela pelagem do animal. Se o pelo estiver contaminado e outra pessoa o tocar, não há garantia de que não haverá transmissão”.

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