Trabalhadores da saúde da região do Pireneus temem calote milionário do Governo

Municípios sofrem com a falta de mais de R$ 14 milhões em repasses para hospitais e secretários garantem que situação pode começar a afetar atendimentos

Estado de Goiás deve cerca de R$ 11 milhões em repasses para o Hospital Estadual de Urgências de Anápolis Dr. Henrique Santillo (HUANA), segundo a Secretaria de Saúde de Anápolis | Foto: divulgação

Faltando menos de cinco dias para a troca de gestão política em Goiás, secretários e prestadores de serviços da saúde da região Centro-Norte do Estado, dos Pireneus, denunciaram a falta de repasses do governo atual. Segundo informações há uma dívida de R$ 14,7 milhões para os três hospitais de média e alta complexidade (Hospital Estadual de Urgências de Anápolis Dr. Henrique Santillo, Hospital Evangélico Goiano e Santa Casa de Misericórdia de Anápolis) que atendem os mais de 70 municípios da localidade.

A preocupação é tanta que, nesta quinta-feira, 27, a Comissão de Intergestores Regionais (CIR) se reuniram e garantiram que um documento será formulado e encaminhando ao Ministério Público de Goiás (MP-GO). Dentre outros pontos, o documento aponta que a falta dos repasses vai “estrangular” a rede municipal de saúde o que atinge os milhares de pacientes e dependentes das unidades nestes locais.

O secretário municipal de Saúde de Anápolis, Lucas Leite, foi um dos participantes do encontro. Na ocasião, o titular da pasta disse que os hospitais já sofrem com a redução dos serviços. “Com isso, os atendimentos são congestionados”, declarou ele, completando que a Secretaria do Estado de Saúde de Goias (SES) havia prometido quitar o débito desta “dívida”.

A secretária de saúde do município de Gameleira, Sônia Maria Faustino, também demonstrou preocupação. “Para nossos moradores, a referência de atendimento é Anápolis, então se as portas fecharem, vamos ficar desassistidos”, garantiu. Além disso, Sônia afirmou que todo investimento feito durante o ano foram federais e municipais, com a total falta de apoio do Estado.

Ainda de acordo com informações repassadas pela pasta de Anápolis, dos R$ 14,7 milhões, R$ 13,8 mi são referentes a repasses deste ano, e R$ 1,5 mi são referentes a 2016. Destes valores, R$ 11 milhões são para o Huana, R$ 1,4 mi são para o Hospital Evangélico, e o restante, são para a Santa Casa de Misericórdia.

O Jornal Opção tentou entrar em contato os respectivos hospitais para falar sobre o assunto. Em nota, o Hospital Evangélico Goiano informou que, apesar das diversas tentativas de negociação com o poder público, tanto na esfera estadual quanto na municipal, ainda não houve sucesso na regularização dos repasses oriundos do Sistema Único de Saúde.

“Apesar de todos os esforços, a instituição se viu obrigada nos últimos anos a diminuir a quantidade de atendimentos pelo SUS e isso se deve, em maior parte, à falta dos repasses. Reforçamos que o nosso principal objetivo sempre foi e continuará sendo o atendimento de qualidade à população. Estaremos sempre abertos para parcerias com o poder público, desde que haja o entendimento de que os custos da saúde são altos e demandam investimentos consideráveis por parte dos governos municipais e estaduais. Infelizmente, não tivemos o devido respaldo dos entes governamentais nos últimos anos, o que prejudicou a oferta de saúde à população por meio do SUS.”

A SES também foi procurada, e, em nota, informou que está ciente da paralisação no atendimento a novos pacientes no Hospital de Urgência de Anápolis (Huana). Confira:

“A SES informa que amanhã [28] serão repassados R$ 40 milhões às OSs que administram os hospitais. E acrescenta que recebeu da Sefaz a previsão de outro repasse eletrônico, no dia 30, que estará disponível às OSs no dia 2. Os valores a serem repassados estão disponíveis no Portal Transparência.”

Atualizada dia 28 de dezembro de 2018 às 09h59*

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