Terceira audiência sobre IPTU/ITU tem tom politizado na Câmara de Goiânia

Funcionários da prefeitura e pessoas ligadas ao PT se manifestaram a favor do projeto. Em contrapartida, militância do PSDB, PHS, PP, PPS e PSD levaram faixas de protesto

As discussões sobre a atualização do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU/ITU) de Goiânia tomaram viés político durante a terceira audiência pública para discutir o tema na manhã desta segunda-feira (24/11), em auditório da Câmara de Vereadores Goiânia.

Por volta de 9h40, a presença do público ainda era tímida. Mas ao final da manhã o auditório Jaime Câmara estava cheio, inclusive com pessoas em posse de faixas, que reclamavam do aumento do imposto. As frases de protesto tinha conotação política e sempre que havia a palavra IPTU, por exemplo, as duas letras do meio estavam pintadas de vermelho.

O Jornal Opção Online apurou que os manifestantes são ligados à ala da juventude de três partidos: PP, PSDB, PPS e PHS e PSD. As siglas são da base aliada do governador Marconi Perillo (PSDB). Morador da Região Noroeste da capital, o presidente do PSDB Jovem de Goiânia, Jhonathan Ferreira, disse que é contra a aprovação do projeto do jeito que se encontra. “A discussão está sendo feita de trás para frente, sem a Planta de Valores”, pontuou.

Do outro lado, pessoas ligadas à Prefeitura de Goiânia e ao PT se inscreveram para usar o microfone, após os vereadores se manifestaram. A primeira a falar foi a secretária de organização do diretório petista na capital, Paula Beiro. “É preciso ficar claro que haverá um reajuste que não é feito há nove anos, e não um aumento”, declarou.

Ela disse que a cobrança irá se converter em melhorias da cidade e que a prefeitura deve saber da população onde o dinheiro deverá ser aplicado. Moradora do Setor Marista, Paula Beiro também defende a atualização dos valores venais dos imóveis. “O valor está caro, mas acho justo”, avalia, detalhando que sua casa está avaliada em cerca de R$ 300 mil. O projeto prevê aumento de 57,8% e 29,7%, a serem aplicados nos próximos dois anos.

O advogado Juruna Sebastião Ferreira declarou apoio ao projeto. Petista desde 1983, o defensor disse que o realinhamento dos valores é válido porque os imóveis da capital foram valorizados. “Não tenho cargo na prefeitura, minha esposa está lotada na Câmara. Sou a favor da atualização porque é justo.”

José de Oliveira Lobo trabalha na Secretaria Municipal de Cultura (Secult) e relata que a arrecadação do Paço Municipal vai melhorar a partir dos novos valores arrecadados. “Esse reajuste, na verdade, está aquém do que deveria ser posto no carnê”, analisou. O funcionário público tem casa no Setor Santo Hilário e pagou R$ 132 de IPTU.

Outro a falar foi o coordenador da comissão que elaborou a nova Planta de Valores, José Marques. “A atualização está beneficiando e muito a capacidade de contributiva de todos. Principalmente àqueles que estão situados na terceira e quarta zonas fiscais”, defendeu, indicando que esses goianienses foram os que mais foram favorecidos por serviços da prefeitura.

João Abssair Dias é contra o aumento, pois não retorno para a população | Foto: Marcello Dantas/Jornal Opção Online

João Abssair Dias é contra o aumento: “Falta retorno para a população” | Foto: Marcello Dantas/Jornal Opção Online

O aposentado João Abssair Dias, de 69 anos, não tem ligação partidária e diz que a proposta é absurda. Residente no Setor Novo Mundo, o idoso aponta que o principal motivo seria a falta de retorno por parte do poder público. “Há anos estamos lutando para conseguir asfaltar pouco mais de 200 metros da Rua Bogotá, que sai da Avenida Pedro Álvares Cabral e vai até a Rua Luziânia, e não conseguimos”, reclamou o ex-motorista da Saneago. Ele, que usou o transporte coletivo para assistir à audiência pública, paga R$ 167 em IPTU atualmente.

A presidente da Associação Comercial e Industrial de Goiás (Acieg), Helenir Queiroz, foi questionada se o novo encontro atendeu às expectativas, e respondeu apenas com um suspiro profundo. “A ponta da questão é a festa de 15 anos da prefeitura. Eu não tenho informações sobre. E vocês, vereadores, têm. Mães e donas de casa, não vamos cortar o arroz de casa, e sim o supérfluo, o aniversário de 15 anos”, comparou.

O secretariado do prefeito Paulo Garcia (PT) esteve em peso no auditório, como o de Governo, Osmar Magalhães; de Trabalho, Indústria, Comércio e Serviços, Giovanny Bueno; chefe de gabinete, OIavo Noleto; de Cultura, Ivanor Florêncio; o controlador geral da prefeitura, Edilberto de Castro Dias; o de Desenvolvimento Urbano Sustentável, Nelcivone Soares de Melo. Jeovalter Correia, das Finanças, também esteve na audiência, pois apresentou o projeto.

O projeto segue para votação na Comissão Mista na próxima quarta-feira (26) e, se aprovado, vai para análise da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ). Segundo o presidente deste último colegiado, o líder do PT na Casa, Carlos Soares (PT), nenhuma proposta de emenda foi apresentada.

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