“Tentam criar um clima de instabilidade contra uma política para melhorar a educação”, diz Marconi

Durante a posse de dois superintendentes executivos do Estado, o governador criticou o que ele chama de tentativa dos “que estão acuados” de colocar Goiás “na vala comum”

Governador disse que ficou assustado com vídeo em que líder do MST pede a estudantes que mantenham ocupações | Foto: Henrique Luiz

Governador disse que ficou “estarrecido” com vídeo em que líder do MST pede a estudantes que mantenham ocupações | Foto: Henrique Luiz

Durante discurso, o governador Marconi Perillo (PSDB) voltou a defender a gestão compartilhada do governo estadual com Organizações Sociais (OSs) das escolas públicas de Goiás. Mas, dessa vez, o tucano atacou o que ele define como “corporativismo atrasado” de “setores radicais do país”. As declarações foram dadas por Marconi durante a solenidade de posse de dois novos integrantes da equipe do Estado na tarde desta sexta-feira (29/1), no auditório Mauro Borges do Palácio Pedro Ludovico Teixeira.

O governador criticou os “segmentos políticos que se opõem à modernização” da educação pública estadual em Goiás. “O Brasil vive uma crise moral, política, de credibilidade, uma crise econômica sem precedentes. E é impressionante como os que estão acuados por conta de muitos erros cometidos tentam nos colocar na vala comum. Há uma iniciativa deliberada de setores radicais no país no sentido de tentar nos nivelar a eles. Não no aspecto moral — eu sou quatro vezes governador e não há nenhuma ação contra mim –, mas no sentido político.”

O discurso do tucano focou principalmente um vídeo publicado na manhã de quinta-feira (28) na página do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) no Facebook, no qual João Pedro Stédile, um dos líderes do MST, incentiva os estudantes secundaristas goianos a continuarem as ocupações de escolas estaduais na busca por uma “educação pública de qualidade”. No vídeo, Stédile acusa o governador de tentar “privatizar a escola pública”.

“Hoje cedo vi um vídeo que fiquei estarrecido. O presidente nacional do MST, o invasor número um de terras, de propriedades no Brasil, incitando os alunos a invadirem escolas. Com que objetivo? Tentar criar uma cizânia maior no país, como se os problemas já fossem poucos?”, questionou Marconi.

O governador lembrou o episódio da Operação Monte Carlo, investigada também por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso, quando foi convocado a depor em 2012. “No passado, tentaram me criminalizar por conta de uma casa que eu vendi, escriturei, coloquei no meu imposto de renda, vendi em um preço, e hoje aparece dinheiro no estrangeiro, triplex de empreiteira. E aí? Eu quase fui imputado em uma CPI por conta de uma casa que eu vendi, que era minha; que eu comprei, paguei.”

Segundo Marconi, o movimento contrário à gestão compartilhada das escolas estaduais através das OSs tenta desmerecer a iniciativa do governo de Goiás. “Eles vão fazendo tudo quanto é tipo de falcatrua no país e tentam nos colocar no mesmo nível. Tentam criar um clima de instabilidade contra, por exemplo, uma política na qual estamos apostando para melhorar a educação”, declarou o tucano.

Veja o vídeo no qual João Pedro Stédile, do MST, se declara a favor das ocupações:

Objetivo

Na defesa da política educacional adotada pelo Estado ao chamar OSs para buscar a gestão compartilhada das escolas estaduais, Marconi declarou que o principal objetivo do governo é transformar esses colégios em instituições de da melhor qualidade possível.

“O que eu quero é que as nossas escolas sejam escolas padrão Primeiro Mundo. É isso que eu quero. Ontem de novo foi divulgado o ranking de instituições de pesquisa em inovação no mundo e, de novo, dentre as cem melhores instituições do mundo, não aparece nenhuma instituição brasileira. Dentre as 200 universidades mais importantes do mundo, não aparece nenhuma brasileira.”

De acordo com o governador, em seu discurso desta sexta, “está tudo errado”. “É preciso que saiamos do mais do mesmo, da mesmice e tentar ações que efetivamente façam a diferença. Eu não iria colocar em risco a minha história, minha biografia, meu nome, os quatro mandatos que o povo me entregou para inventar algo que amanhã pudesse sair contra os alunos”, defendeu o projeto.

Marconi reclamou de uma onda de mentiras, segundo ele, inventadas nas redes sociais, contra o processo criado pelo Estado para licitar o processo de chamamento das OSs por meio da Secretaria Estadual de Educação, Cultura e Esporte (Seduce).

“Nós estamos desmentindo agora na televisão, mostrando que a escola vai continuar pública, e porque nós queremos que filho de pobre estude em escola como se fosse de filho de rico, sem pagar nada, para ter os melhores empregos, entrar nas melhores universidades. Não há outro desejo a não ser esse.”

OSs na Saúde

O exemplo da gestão por OSs nos hospitais estaduais foi lembrada por Marconi em seu discurso. O governador afirmou que esse modelo deu certo na Secretaria Estadual de Saúde (SES) e que a “experiência exitosa” mostra que há garantia da eficácia do modelo na pasta da Educação.

“Nós estamos mudando a saúde, e se deu certo em uma área tão difícil como a saúde, que não podemos esperar dois minutos para salvar uma vida, senão a gente perde aquela vida, como não vai dar certo na educação?”, questionou.

De acordo com o tucano, a experiência da SES é “excelente”. “Não querem aceitar que nós discutamos. E eu sei por que não querem. Não querem porque, se der certo, vai acabar com o corporativismo atrasado, retrógrado.”

Romper paradigmas foi como Marconi definiu o que o Estado quer fazer ao propor um novo modelo de educação em Goiás. “Uma das características dos nossos governos foi a inovação permanente. Esse debate da OS estamos discutindo algo propositivo para o futuro e vamos continuar assim”, concluiu.

Novos integrantes do governo

No evento, Marconi empossou os integrantes da nova Superintendência Executiva do Trabalho, da Secretaria Cidadã, e o superintendente executivo de Desenvolvimento Regional da Secretaria Estadual de Desenvolvimento (SED), que substitui Danilo de Freitas no cargo.

Jaime Bueno é o presidente da Superintendência Executiva do Trabalhado, indicado pelo Fórum Permanente dos Trabalhadores. Ainda foram empossados Celi de Fátima Sousa Santos, gerente do Sistema Estadual de Emprego; Havana Pereira Tavares, gerente de Qualificação Profissional; e Derciley Cunha de Almeida, chefe do Núcleo do Sistema Estadual de Emprego e Qualificação Profissional.

Em substituição a Danilo de Freitas, o ex-prefeito de Formosa, Pedro Ivo de Campos Faria, assumiu o cargo de secretário executivo de Desenvolvimento Regional da SED. (Com informações do Gabinete de Imprensa)

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