Chuvas comprometem jazigos e provocam exumações no Cemitério Jardim das Palmeiras
21 maio 2026 às 08h00

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Ao passar pelos portões do Cemitério Jardim das Palmeiras, sou tomado por uma vista marcada pela calmaria e certa beleza: um jardim verde se expande no horizonte e que é decorado pelo rasante das araras azuis que vão e voltam entre as árvores. A graciosidade visual do lugar se mistura a um pesar sonoro. Um coro baixo lamenta, quase envergonhado, a perda de entes queridos; rostos inchados, com lágrimas sobre bochechas avermelhadas, que passam cabisbaixos enquanto procuram conforto.
Morte, um destino inevitável, mas engana-se quem pensa que o descanso é eterno. Prova disso são os cercados laranjas segurados por estacas distribuídos ao longo dos verdes jardins. Fui à administração para saber por que aquela vista linear do jardim era escondida por ares de obras. Por lá, fui recebido por Paula Faganello, que explicou que as chuvas e demais condições meteorológicas comprometem as fundações dos jazigos, tornando necessária a exumação dos corpos para reconstrução das estruturas que sustentam os caixões. Esse processo, segundo ela, se faz recorrente em todo período chuvoso.
“É fundamental contextualizar que tais intervenções não representam fatos isolados ou excepcionais. Procedimentos de reconstrução de jazigos são realizados como manutenção ordinária em diversos outros cemitérios da Grande Goiânia que possuem estruturas semelhantes. Essa prática é um padrão técnico no setor de necrópoles para garantir a perenidade das instalações e a segurança operacional, sendo adotada regularmente por grandes gestoras de cemitérios parques na região metropolitana como parte de seus cronogramas de conservação, bem como agindo na fase reparatória, pois alguns jazigos, após meses chuvosos do ano e deslocamento de solo, apresentam necessidades estruturais”, explicou a administração em nota enviada posteriormente à visita no cemitério .
Segundo ela, todo o processo é realizado após contato com as famílias. Os restos mortais são transferidos para outras áreas dentro do próprio cemitério e, após a conclusão das obras, retornam aos jazigos originais. Paula afirma que o cemitério, fundado em 1974, possui estruturas subterrâneas antigas e que muitos danos só são percebidos quando há afundamentos ou durante a abertura de jazigos para novos sepultamentos.
“Os jazigos são estruturas de alvenaria que, após décadas de exposição a intempéries e pressões geológicas, podem apresentar riscos de colapso. A reconstrução constitui manutenção preventiva ou reparatória, com reforço estrutural e recomposição das paredes e tampas, sem qualquer intervenção direta sobre os restos mortais”, diz o texto.
De acordo com a administração, quando um comprometimento estrutural é identificado, a área é isolada para avaliação dos danos e levantamento dos jazigos afetados. As famílias responsáveis são comunicadas individualmente sobre a necessidade de exumação e podem acompanhar todas as etapas do processo.
A gerente destacou que não há cobrança extra nesses casos. Desde 2024, uma tarifa anual de manutenção, instituída por decreto, é destinada à conservação, administração e reconstrução de jazigos danificados.
Ela também relatou que, caso um jazigo apresente problemas estruturais durante a abertura para um novo sepultamento, a família é avisada imediatamente. Se houver outro jazigo disponível da própria família, o corpo pode ser transferido para ele. Caso contrário, o cemitério disponibiliza um jazigo provisório sem custos adicionais.
“Antes do início de cada obra, a administração realiza o contato direto com as famílias titulares por meio de telefone. Em todos os casos, os restos mortais são preservados com todos os critérios e reinumados ao final da obra, mantendo-se integralmente a identificação original e a sacralidade do local”, complementa o texto enviado à reportagem.
Nos casos de sepultamentos recentes, em que a exumação não pode ser realizada por questões legais, os corpos são transferidos na própria urna e retornam ao local original após a reconstrução da área.
Segundo a administração, quatro áreas em diferentes quadras passam por reconstrução ou período de cura das obras atualmente. Durante a visita, pude identificar oito cercados laranjas espalhados pelo cemitério. Foi pedido a quantidade de túmulos reconstruídos em 2026, mas os dados não foram repassados até a publicação da reportagem.
Questionada sobre riscos sanitários, Paula Faganello afirmou que todos os procedimentos seguem protocolos de segurança e que, nos casos mais recentes, as urnas são transferidas sem contato direto com os corpos.
“Reafirmando nossa política de transparência total, a Administração coloca-se à inteira disposição para fornecer esclarecimentos adicionais antes do fechamento de qualquer pauta jornalística. Nossa equipe de atendimento na Secretaria Administrativa também está preparada para receber interessados pessoalmente, garantindo que a sociedade receba informações precisas e seguras”, destaca a nota.
Veja o texto completo na íntegra
A Administração do Cemitério Jardim das Palmeiras, em uma iniciativa proativa de resposta às informações solicitadas pelos veículos de comunicação e reafirmando seu compromisso inabalável com a transparência pública, vem prestar esclarecimentos detalhados sobre os serviços de reconstrução de jazigos atualmente em andamento em suas dependências. Todas as intervenções são realizadas em estrita observância à legislação, visando garantir a segurança dos visitantes, a conservação do patrimônio e a dignidade dos restos mortais depositados.
É fundamental contextualizar que tais intervenções não representam fatos isolados ou excepcionais. Procedimentos de reconstrução de jazigos são realizados como manutenção ordinária em diversos outros cemitérios da Grande Goiânia que possuem estruturas semelhantes. Essa prática é um padrão técnico no setor de necrópoles para garantir a perenidade das instalações e a segurança operacional, sendo adotada regularmente por grandes gestoras de cemitérios parques na região metropolitana como parte de seus cronogramas de conservação, bem como agindo na fase reparatória, pois alguns jazigos, após meses chuvosos do ano e deslocamento de solo, apresentam necessidades estruturais.
Os jazigos são estruturas de alvenaria que, após décadas de exposição a intempéries e pressões geológicas, podem apresentar riscos de colapso. A reconstrução constitui manutenção preventiva ou reparatória, com reforço estrutural e recomposição das paredes e tampas, sem qualquer intervenção direta sobre os restos mortais.
Antes do início de cada obra, a Administração realiza o contato direto com as famílias titulares por meio de telefone. Em todos os casos, os restos mortais são preservados com todos os critérios e reinumados ao final da obra, mantendo-se integralmente a identificação original e a sacralidade do local.
Reafirmando nossa política de transparência total, a Administração coloca-se à inteira disposição para fornecer esclarecimentos adicionais antes do fechamento de qualquer pauta jornalística. Nossa equipe de atendimento na Secretaria Administrativa também está preparada para receber interessados pessoalmente, garantindo que a sociedade receba informações precisas e seguras.
Administração do Cemitério Jardim das Palmeiras
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