Tecnologia para recuperar pastagens degradadas ganha espaço diante de desafio da pecuária brasileira
21 julho 2026 às 14h53

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Recuperar áreas de pastagem degradadas tornou-se um dos principais desafios da pecuária brasileira. Segundo dados do MapBiomas, o Brasil possui cerca de 164 milhões de hectares destinados à atividade, e aproximadamente 60% dessas áreas apresentam algum grau de degradação, conforme estimativas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O cenário tem impulsionado a busca por tecnologias capazes de aumentar a produtividade sem a necessidade de abertura de novas áreas.
Entre as alternativas apresentadas ao mercado está o uso de forrageiras de maior desempenho, como o Tifton 85, variedade desenvolvida nos Estados Unidos e utilizada no Brasil tanto para alimentação animal quanto para recuperação de pastagens. A tecnologia esteve entre os destaques do PEC Brasil, evento voltado ao agronegócio realizado em Fortaleza (CE), onde empresas apresentaram soluções para a pecuária.
Uma das participantes foi a Amazon Mudas, empresa sediada em Brazabrantes, na Região Metropolitana de Goiânia, especializada na produção de mudas da gramínea. A companhia aposta na mecanização da produção e do transplantio como forma de facilitar a implantação da forrageira em propriedades rurais.
De acordo com o zootecnista Oswaldo Stival Neto, presidente da empresa, a proposta é permitir que o produtor aproveite melhor as áreas já utilizadas pela pecuária. Segundo ele, sistemas mais produtivos podem contribuir para reduzir a pressão por abertura de novas áreas e aumentar a eficiência da atividade.
O Tifton 85 foi desenvolvido em 1992 a partir do cruzamento de gramíneas de clima temperado com espécies tropicais africanas. Desde então, passou a ser utilizado em diferentes regiões do Brasil por apresentar elevado valor nutricional para alimentação do rebanho, especialmente em sistemas intensivos de produção.
Segundo Stival, estudos sobre a cultivar indicam teor de proteína superior ao de outras forrageiras tropicais. Na prática, isso permite maior oferta de alimento por hectare e pode elevar a capacidade de suporte das pastagens, desde que associado ao manejo adequado da área.
Além da alimentação animal, a gramínea também é apontada como alternativa para melhorar a cobertura vegetal do solo. A formação de uma camada mais densa de vegetação ajuda a reduzir processos erosivos, preservar a umidade e aumentar a matéria orgânica, fatores considerados importantes para recuperar áreas degradadas e prolongar sua capacidade produtiva.
Especialistas da área destacam, entretanto, que a recuperação de pastagens depende de um conjunto de práticas. Além da escolha da forrageira, o sucesso do processo envolve correção da fertilidade do solo, adubação, manejo adequado do pastejo e planejamento da propriedade, medidas consideradas essenciais para garantir ganhos duradouros de produtividade.
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