Técnico diz que compra de software de R$ 4 mi feita sem licitação pela SMS foi desnecessária

César Augusto Marques de Souza, servidor da Sedetec, declarou que o software antigo não precisava ser trocado, já que havia equipe qualificada para aprimorá-lo

A Comissão Especial de Inquérito (CEI) que investiga irregularidades na Saúde em Goiânia ouviu, nesta sexta-feira (6), o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho, Ciência e Tecnologia, Ricardo De Val Borges, sobre a substituição de software utilizado para marcar exames e fazer o controle dos medicamentos comprados pela secretaria.

O no software, da empresa Vivver Sistemas, de Belo Horizonte (MG), que entrou em funiconamento no final de 2017 custou R$4,2 milhões e a compra foi feita sem licitação. O secretário afirmou que foram realizadas cotações no mercado e que a Vivver foi a empresa que atendeu a todos os requisitos, oferecendo o menor preço.

Segundo ele, os técnicos da Sedetec não foram ouvidos se havia maneiras de aprimorar o software anterior, porque a preocupação da secretaria municipal de Saúde era trocá-lo.

Como convidado da CEI, o técnico da Sedetec, César Augusto Marques de Souza, declarou que o software antigo não precisava ser trocado, já que havia equipe qualificada para aprimorá-lo. De acordo com ele, talvez fosse necessário contratar mais mão de obra, mas o valor seria inferior ao gasto na implantação do novo sistema.

Já o diretor do Cais de Campinas, Max Nascimento, que também foi ouvido na CEI como convidado, disse que o novo software é mais difícil de operar e que muitos médicos têm optado por não usá-lo, fazendo todo o procedimento de forma manual.

“Para o servidor, foi horrível a mudança. A gente só perde tempo, já que 80% dos pacientes que estavam cadastrados não aparecem mais com o software novo. Temos que cadastrar de novo quando vão ao Cais”, destacou Max.

Para o relator da CEI, vereador Elias Vaz (PSB), a secretaria de Saúde errou ao contratar o novo sistema sem se preocupar se havia possibilidade de aprimorar o anterior, gastando uma quantia que faria diferença se investida em infraestrutura e medicamentos.

Caos

Durante depoimento, o diretor do Cais de Campinas, Max Nascimento, também fez algumas denúncias sobre a Saúde Municipal. “Nós, servidores, estamos sendo agredidos diariamente, porque o serviço da saúde está ruim. Além disso, estamos correndo risco de morte, já que a SMS não nos fornece equipamentos para trabalharmos e são inúmeros os pacientes suspeitos de H1N1”, relatou.

Ele também fez questão de citar as más condições físicas do Cais de Campinas, que segundo ele, não tem estrutura física para atender os pacientes.

Durante a reunião, o vereador Clécio Alves (MDB) solicitou que o secretário da Sedetec, Ricardo De Val, participasse das diligências nas unidades de saúde, para verificar o funcionamento do sistema. Ricardo aceitou o pedido, se dispondo a acompanhar o colegiado.

A próxima reunião da comissão ficou marcada para segunda-feira (9), às 8h30. Os vereadores partirão da Câmara Municipal em diligência por unidades de saúde de Goiânia.

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