Suspeitos de matar menino Bernardo são ouvidos pela Justiça

Leandro Boldrini, pai do garoto, negou participação no crime; Graciele Ugulini, madrasta e principal suspeita, permaneceu calada durante audiência

Leandro Boldrini disse que a relação entre a madrasta e Bernado era muito agressiva | Foto: Ricardo Duarte (Agência RBS)

Leandro Boldrini disse que a relação entre a madrasta e Bernado era muito agressiva e que eles se odiavam | Foto: Ricardo Duarte (Agência RBS)

Bruna Aidar

Os suspeitos do assassinato do menino Bernardo começaram a ser ouvidos pela Justiça nesta quarta-feira (27) no Fórum da cidade de Três Passos, no Rio Grande do Sul. O primeiro a falar foi o pai do garoto, morto em abril de 2014, o médico Leandro Boldrini. Também são suspeitos a madrasta do menino, Graciele Ugulini; Edelvânia Wirganovicz, amiga de Graciele; e Evandro Wirganovicz, irmão de Edelvânia.

Leandro Boldrini negou ao juiz Marcos Luís Agostini ter participado do crime. Quando questionado sobre quem seriam os verdadeiros autores do crime, Boldrini jogou a culpa nos demais suspeitos. Para ele, o seu nome aparece na denúncia porque a polícia e o Ministério Público imaginaram que ele teria participado da morte.

A madrasta Graciele foi a segunda a ser ouvida, mas optou por ficar em silêncio, como permite a Constituição. Ela é a principal acusada e confessou ter matado o menino acidentalmente com uma superdosagem do sedativo midozolam, aplicado para tentar acalmá-lo. Ela garantiu que o marido não teve participação.

A Policia Civil apontou que Bernardo realmente morreu por superdosagem de sedativo. Edelvânia adotou a mesma postura de Graciele e permaneceu calada. Já Evandro Wirganovicz, acusado de ter cavado o buraco onde o menino foi enterrado, foi o último a depor e chorou enquanto respondia às perguntas. Ele negou participação e disse ter ido ao local para pescar.

Ao juiz, Boldrini disse que Bernardo era uma criança difícil e que não obedecia ninguém. O comportamento do menino seria a causa dos desentendimentos entre ele e a madrasta que “se odiavam”. As brigas entre os dois eram, segundo o médico, bastante agressivas. Boldrini disse, ainda, que tentava moderar as discussões.

Sobre os vídeos em que ele a madrasta aparecem gritando com Bernardo e dizendo que o lugar dele era debaixo da terra, Boldrini disse que os fez para mostrar a agressividade do garoto e, então, procurar ajuda psiquiátrica para ele. No entanto, disse que, ao gravar o vídeo, percebeu que a situação em casa não estava normal.

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