Suplicy sobre reformas de Temer: “Não sobreviverão por muito tempo”

Ex-senador petista avalia que um governo democraticamente eleito deve rever mudanças e propõe coalizão dos partidos de esquerda para 2018

Eduardo Suplicy durante entrevista ao Jornal Opção | Foto: Larissa Quixabeira

Para o petista Eduardo Suplicy, as reformas do governo de Michel Temer (PMDB), como a trabalhista, recentemente aprovada pelo Congresso Nacional, a da Previdência, ainda em tramitação, e o congelamento dos gastos públicos por 20 anos, devem ser revistas pelo próximo governo.

“É algo que vai prejudicar muito a nação brasileira. Um novo governo eleito diretamente pelo povo irá modificar muitas dessas medidas colocadas pelo presidente. Com certeza não sobreviverão por muito tempo”, disse o ex-senador e vereador por São Paulo em entrevista ao Jornal Opção.

Suplicy esteve em Goiânia como um dos palestrantes do Encontro Nacional do Estudantes de Economia (Eneco), realizado no Centro de Eventos da Universidade Federal de Goiás (UFG). Em sua fala, o ex-senador se propôs a debater a distribuição de renda no Brasil e explicar o conceito de Renda Básica de Cidadania.

Para ele, a melhor saída para os partidos ditos de esquerda seria fazer uma grande aliança e a realização de prévias com os principais nomes de cada sigla para escolher quem seriam os candidatos a presidente e vice-presidente.

“Vamos supor que cheguemos a um bom entendimento entre esses cinco ou seis partidos, se conseguirmos unir as forças progressistas por um critério que todos acreditam ser o mais democrático, cada um apresenta seus melhores quadros e vamos convidar o povo para escolher, numa grande prévia com todos os eleitores que queiram participar, filiados e simpatizantes”, disse citando partidos como PT, PCdoB, PDT, Psol, Rede e PSB.

O petista explica que o modelo além de mais democrático também daria mais sustentabilidade à candidatura e possível governo dos escolhidos nas prévias.

“Quem sabe seria uma forma de maior legitimidade àquelas duas pessoas que serão escolhidas para compor a chapa presidencial e que depois, possam no Congresso Nacional ter uma base de apoio de maior sustentabilidade, sem que se precise fazer como está acontecendo com o governo Temer, que agora está em um processo de distribuir vantagens à sua base de apoio para que votem contra a denúncia da PGR, o que deixa a população indignada e constitui uma afronta aos princípios éticos que todos nos brasileiros queremos ver e praticar na vida política”, asseverou.

Quando questionado se o PT estaria, portanto, disposto a abrir mão da cabeça de chapa numa disputa presidencial, Suplicy lembrou que o ex-presidente Lula ainda aparece em primeiro colocado na maioria das pesquisas que aferem os cenários para 2018. “Numa prévia como essa, assim como nas pesquisas de opinião nesses últimos tempos, Lula tem estado à frente, mas daríamos oportunidade a todos, numa forma de escolha mais democrática”, disse.

Sobre os planos pessoais para 2018, o petista ainda não definiu, mas acredita que a tendência seja a disputa por uma vaga ao Senado. “O mais natural e o que as pessoas mais próximas têm recomendado a mim é eu que seja candidato ao Senado novamente, mas tenho estado aberto a outras possibilidades. Mas o mais importante neste momento é realizar um bom trabalho como vereador. Tenho que fazer jus aos meus eleitores em São Paulo”, arrematou.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.