Superintendente da SSP questiona atuação de assassino em série. “Criamos um serial killer?”

Deusny Aparecido Silva fez questão de frisar, todavia, que nenhuma possibilidade foi descartada pela corporação

A força-tarefa da Polícia Civil criada para investigar os crimes relacionados à onda de assassinatos contra mulheres em Goiânia está com os trabalhos avançados e a expectativa é que, em breve, novos mandados de prisão devam ser cumpridos. Fora isso, a PC permanece sem conceder qualquer detalhe sobre a investigação. Em entrevista à imprensa, na tarde desta segunda-feira (11/8), o superintendente de Polícia Judiciária da Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO), Deusny Aparecido Silva, alegou ainda ser cedo para qualquer posicionamento e questionou a possível atuação de um serial killer em Goiânia.

Ao ser perguntado sobre o porquê do titular da Delegacia de Investigação de Homicídios (DIH), Murilo Polati, em um primeiro momento, ter negado com veemência a possibilidade de um assassino em série à solta pelas ruas da capital, Deusny disparou: “Porque naquele momento as investigações sobre dois ou três casos, em nenhuma hipótese, levavam a essa situação. Agora, se isso veio acontecer de lá para cá, ou com tanta mídia, falsidade, inverdade e denúncias falsas; eu pergunto: será que criamos um serial killer?”

Mesmo com a declaração, o superintendente fez questão de frisar que nenhuma possibilidade foi descartada pela corporação. Segundo ele, não é papel da polícia afirmar ou negar qualquer circunstância enquanto não há ainda condições para isso. “Eu não sei o que vai dar no final do inquérito. E se eu afirmar que é um serial killer e, no fim, não for? Ao contrário também”, esclareceu.

Durante entrevista, Deusny também alegou que os crimes investigados, mesmo que em circunstâncias semelhantes, são bastante genéricos. Ele afirmou que em várias capitais brasileiras é possível verificar diversos casos em que mulheres foram mortas com suspeitos em uma motocicleta. “No ano passado, tivemos outras mortes de mulheres e homens por motoqueiros”, acrescentou.

Novo caso

Neste ano, foram registrados 40 casos de assassinatos de mulheres na capital, sendo que 11 foram solucionados. Na lista, estão incluídos 17 em que os suspeitos estavam em motocicletas de cor escura — 15 de mulheres assassinadas, uma tentativa de homicídio e a morte de um homem.

O número de casos investigados pode aumentar e mais um crime em circunstâncias semelhantes deve ser acrescentado na lista. Trata-se da morte da estudante Arlete dos Anjos Carvalho, de 16 anos, que morreu no dia 28 de janeiro nas mesmas circunstâncias das outras 17 vítimas.

Nesta segunda-feira, Deusny Aparecido disse que as investigações ainda não haviam determinado a inserção do caso nos trabalhos da força-tarefa. “Será de acordo com as investigações. Se a equipe entender por bem inserir nesse hall de assassinatos, tudo bem. Senão, a delegada responsável pelo caso com certeza já está fazendo o trabalho necessário”, disse.

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Marta

Infelizmente, a vida imita a arte (e vice-versa), porque nos filmes vemos essa atuação chinfrin da polícia, que com a teimosia não se preocupa com as vidas que estão se esvaindo na frente deles. Se estivessem matando homens, com certeza eles já teriam iniciado essa investigação a partir do 3º assassinato. Mas mulheres, não tem importância nenhuma nessa sociedade machista! Indignada!