Sucesso nas pamonharias, Chica Doida se torna patrimônio cultural dos goianos

Prato se espalhou e está presente em outros estados do País

Sucesso nos bares, restaurantes e pamonharias de todo Estado, a Chica Doida foi reconhecida oficialmente como Patrimônio Cultural e Imaterial de Goiás. A lei, de autoria do deputado Coronel Adailton (PRTB), foi sancionada pelo governador Ronaldo Caiado (UB) e publicada no Diário Oficial desta quarta-feira, 13. Segundo a história, a receita teria sido criada há 70 anos em Quirinópolis, município localizado a cerca de 295 km de Goiânia. A base é o milho, e o prato original leva queijo, linguiça e jiló, no entanto atualmente é possível encontrar versões adaptadas com itens como presunto e frango desfiado.

Na justificativa, o parlamentar argumenta que esta é “uma tradicional iguaria goiana, que foi criada há mais de 70 anos pela família do Sr. João Rocha e Dona Petronilha, moradores do município de Quirinópolis, em Goiás, e se tornou um ícone da gastronomia goiana”. O deputado salienta que a comida se espalhou e está presente não só em Goiás, mas também em outros estados do País. “Praticamente todas as pamonharias de Goiânia adotaram o prato em seus cardápios. Várias versões foram criadas por renomados Chefs de Cozinha”, destaca.

Ele complementa que a receita trouxe tanta popularidade para a família de Dona Petronilha que em dezembro de 2020 foi inaugurado em Quirinópolis um mercado público municipal, o qual recebeu o seu nome. Além disso, no local há um quiosque destinado à família, para a comercialização da iguaria na versão original.

Memória

Na proposta apresentada aos pares, o deputado estadual Coronel Adailton narrou como a Chica Doida teria sido gerada em uma fazenda perto de Quirinópolis. A história conta que a iguaria surgiu por acaso, durante uma pamonhada na fazenda. Ainda havia massa de milho para fazer mais pamonhas, mas a palha acabou. Dona Petronilha Ferreira e seu marido, João Batista da Rocha, decidiram então “inventar moda”. Confira a memória completa:

Dona Petronilha Ferreira Cabral e o marido João Batista da Rocha sempre reuniam a família e os amigos numa pamonhada, na Fazenda Cachoeirinha do Rio Preto, município de Quirinópolis. Conta Dona Petronilha que em meados de 1945, numa dessas pamonhadas, a palha acabou. Na dúvida sobre o que fazer com a massa de milho que havia sobrado, recorreu ao marido, que sugeriu que ela inventasse um prato. Dessa feita, Dona Petronilha foi adicionando a massa de milho bastante cebola picada, alho amassado com sal e pimenta malagueta. A massa foi para o forno e dona Petronilha acrescentava água fervendo para ficar no ponto. Depois espetou as sobras de queijo, linguiça e jiló. Cobriu a massa com fatias de queijo e levou para dourar. Serviu o prato bem quente.

Relata Dona Petronilha que entre um gole e outro de cachaça todos saborearam e se deliciaram com o invento. “Que coisa apimentada é essa, gostosa”, queriam saber e também batizar o prato. Foi quando seu marido o Sr. João Batista disse: “É uma coisa de doido! Vai se chamar ‘Chica Doida’, em referência a pimenta e em homenagem a Dona Francisca, uma senhora que morava com a família e foi a responsável por acrescentar grande quantidade de pimenta malagueta à receita.

Depois que se mudou para a cidade, já com a família formada, Dona Petronilha virou referência da culinária de Quirinópolis. Passou a receita para as filhas, para as vizinhas e atualmente toda cidade aprecia o prato. Dona Petronilha, hoje com mais de 80 anos de idade, se orgulha em dizer que a Chica Doida é uma receita de sucesso e se popularizou, conquistando espaço nos cardápios de restaurantes e bares da cidade.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.