Inquérito, que se arrasta desde abril, investiga suposta interferência de Bolsonaro na Polícia Federal

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidirá nesta quinta-feira, 8, a partir das 14h, se o depoimento do presidente Jair Bolsonaro a respeito das interferências na Polícia Federal (PF) será feito por escrito ou de forma presencial.

A decisão de pautar o tema foi do presidente da Suprema Corte, Luiz Fux, a pedido do ministro Celso de Mello, relator da pauta. Esta será a última audiência do ministro de 74 anos, que se aposenta na terça-feira, 13.

A participação de Celso de Mello é vista como fundamental para o processo, tendo em vista que foi o próprio ministro que determinou, ainda em setembro, que Jair Bolsonaro fizesse o seu depoimento pessoalmente. A vontade do presidente da República era de realizar tal depoimento por escrito.

O ministro aponta em sua decisão que o recurso de fazer um depoimento por escrito é uma prerrogativa de autoridades que prestam depoimentos como testemunhas de um caso. Na ocasião, Bolsonaro figura como investigado no inquérito.

A Procuradoria Geral da República (PGR), chegou a defender que o presidente do Brasil pudesse responder as perguntas por escrito. Entretanto, Celso de Mello rejeitou os argumentos da PGR.

A investigação ganhou seus primeiros contornos em abril. O ex-ministro Sérgio Moro pediu demissão de seu cargo como Ministro da Justiça e Segurança Pública, alegando que Jair Bolsonaro havia tentado interferir no comando da PF, ao indicar Alexandre Ramagem para a superintendência da instituição. Além disso, Bolsonaro também teria exigido relatórios de inteligência do órgão para monitorar as ações da PF.