Sobre corte de energia em órgãos municipais, diretor da Celg lembra que distribuidora é dirigida por governo petista

Para Elie Chidiac, alegação de “ação política” por parte de Jeovater Correia é um contrassenso, uma vez que a estatal é hoje administrada pela Eletrobras

O diretor de Regulação da CelgD e vice-presidente da CelgPar, Elie Chidiac, em entrevista ao Jornal Opção Online nesta quarta-feira (27/8), condenou as declarações do secretário municipal de Finanças, Jeovalter Correia, que assegurou se tratar de “ação política” o corte de energia em alguns prédios e órgãos municipais. Para Chidiac, a alegação é um “contrassenso”, uma vez que a estatal é hoje administrada pela Eletrobras, gerida pela União. “Ou seja, o governo federal, o governo do PT. O mesmo governo da Prefeitura de Goiânia”, explicou.

Mesmo sem a transferência oficial dos 51% das ações da Celg para a Eletrobras — prevista para ocorrer em um prazo de três meses, após assinada a promessa de acordo entre as partes —, a estatal goiana já é dirigida, desde 2012, pela distribuidora federal. Do total de sete diretores da Celg, cinco foram nomeados pela gestão federal, incluindo os cargos de diretor financeiro e comercial.

Baseado nisso, Elie Chidiac garante que o corte de energia depreendido pela Celg é uma ação “meramente técnica”. O dirigente afirmou também que, apesar de manter uma relação de cortesia com Jeovalter, o secretário não o procurou antes de anunciar as supostas origens eleitoreiras por trás da interrupção de energia.

Enquanto as partes não chegam a um acordo, três órgãos da Prefeitura de Goiânia seguem com a energia cortada nesta quarta-feira. Uma dívida de R$ 4,8 milhões seria a razão da suspensão elétrica. O Paço, por sua vez, argumenta que a Celg deve ao município o total de R$ 144 milhões.

Segundo Jeovalter, a companhia e a prefeitura seguiam com negociações em prol de uma compensação das dívidas. A Celg, no entanto, teria desistido de descontar o débito da gestão municipal e resolveu buscar a prefeitura para quitar metade do valor devido (R$ 2,4 milhões), além de exigir que fosse fornecida a certidão negativa dos débitos. Apesar de ter aceitado a quantia a ser paga, o município se recusou a conceder o documento, alegando que só o faria caso a dívida fosse quitada integralmente.

Em resposta ao corte de energia, Jeovalter afirmou que ainda hoje a Celg será notificada de sua inscrição no Cadastro Informativo Municipal (Cadin), um banco de dados de pessoas físicas e jurídicas que possuem pendências financeiras com a gestão do município de Goiânia.

Sobre o imbróglio criado, Elie Chidiac afirmou à reportagem que não está a par das negociações entre as partes, mas acredita que a questão pode ser resolvida por meio do diálogo. “Não seis quais foram os trâmites para que as diretorias [da Celg] chegassem a uma decisão radical dessa natureza. Deve ter algum desentendimento, mas não conheço a fundo. O que não é justo é colocar um ato político dentro de um ato puramente técnico e negocial”, acrescentou.

Críticas de Caiado

Durante entrevista, Elie Chidiac também comentou sobre as críticas do senatoriável Ronaldo Caiado (DEM) sobre a federalização da Celg. O democrata, por meio de nota, chegou a afirmar que moverá uma ação contra a transferência de 51% das ações da distribuidora goiana para a Eletrobras. Para o parlamentar, a assinatura concretizada no final da tarde de ontem fez com que os goianos sofressem uma “de suas maiores derrotas”.

Elie Chidiac, por sua vez, reforçou que a federalização foi a única alternativa encontrada a fim de livrar a estatal goiana da crise financeira em que está afundada, bem como resguardar a população goiana e os funcionários da distribuidora. “Buscamos bancos nacionais e internacionais, além de várias outras empresas. Fomos até à China, mas por causa das dívidas da Celg ninguém teve o interesse de investir. O único caminho é a federalização”, avaliou.

Esta não é a primeira vez que o vice-presidente da CelgPar comentou declarações de Caiado sobre o assunto. Em resposta a um artigo do democrata publicado no início do mês pelo jornal “Folha de S. Paulo”, Chidiac afirmou que o democrata desconhecia o contrato de federalização, além de pecar ao levar a questão para um viés político. No texto em questão, Caiado alegava que a conclusão do processo entre as distribuidoras em ano eleitoral favorecia tanto a presidente Dilma Rousseff (PT) como o governador Marconi Perillo (PSDB). “Não adianta a apresentação de planos mirabolantes para um setor estritamente técnico e regulado”, disse Chidiac na ocasião.

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