Situação atual do Brasil é caracterizada como ‘catástrofe humanitária’ por Médicos Sem Fronteiras

País conta com segundo maior número de mortes por Covid-19 no mundo; organização apela a autoridades brasileiras que reconheçam a gravidade da crise e implementem ações de combate a doença

Paciente internado com a Covid-19. | Foto: Prefeitura de Jundiaí, SP/Reprodução

Foi divulgado, na manhã desta quinta-feira, 15, comunicado do Médicos Sem Fronteiras (MSF) que classificou a situação no Brasil como uma “catástrofe humanitária”. A caracterização é decorrente do descontrole da contaminação do coronavírus no país.

A justificativa apresentada no comunicado publicado pela organização internacional é da não existência de ações eficientes de saúde pública com o objetivo de prevenir e combater a Covid-19 no país, mesmo tendo-se passado mais de 12 meses do início da pandemia. “A falta de vontade política para responder de forma adequada à pandemia está matando milhares de brasileiros. As autoridades brasileiras precisam reconhecer a gravidade da crise e implementar um sistema coordenado para impedir mais mortes evitáveis”, apela o MSF.

Aumento na curva de contágio

Na lista de países com maior número de mortes pela Covid-19, o Brasil está em segundo lugar, com óbito de 362 mil pessoas, e só perde para os Estados Unidos (563 mil). Entretanto, enquanto nos EUA, a taxa de contaminação e a pandemia desaceleram, com número diário de mortes abaixo de mil, o Brasil registrou média móvel de 3.012 mortes por dia na última quarta-feira, 14, a maior do mundo.

“O governo federal praticamente se recusa a adotar diretrizes de saúde pública baseadas em evidências científicas, e resta às dedicadas equipes médicas brasileiras cuidar das pessoas em estado muito grave em UTIs e improvisar soluções quando não há leitos disponíveis. Isso deixou o Brasil em um estado permanente de luto e levou o sistema de saúde pública brasileiro ao colapso iminente” diz Christos Christou, presidente internacional dos MSF.

Preocupantes estatísticas

No texto, a organização ainda menciona que, na semana passada, o Brasil foi responsável por 11% de todas as infecções de Covid e 26,2% de todas as mortes no mundo. Além disso, relata que, em hospitais ao redor do Brasil, a falta de oxigênio e de sedativos necessários para entubar pacientes em estado grave da doença é comum.

“A devastação que as equipes de MSF testemunharam primeiro na região do Amazonas agora se tornou realidade na maior parte do Brasil. Esses números estarrecedores são uma prova clara do fracasso das autoridades para administrar a crise humanitária no país e proteger os brasileiros, especialmente os mais vulneráveis”, afirma.

O MSF também classificou a “avassaladora quantidade” de desinformação como grande fator de agravamento da pandemia no país. “Máscaras, distanciamento social e a restrição de deslocamentos são rejeitados e ganham contornos políticos. Além disso, políticos promovem hidroxicloroquina e ivermectina como panaceias para a Covid, e os medicamentos são prescritos como tratamento e prevenção da doença”, diz Meinie Nicolai, diretora-geral dos MSF.

MSF

A organização dos Médicos Sem Fronteiras (MSF) é responsável por atuar em conflitos armados, epidemias, desastres naturais e desnutrição em alguns dos países mais pobres do mundo. Por suas ações, a entidade recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1999. No Brasil, equipes dos MSF trabalharam em abrigos de população sem teto, e em 50 unidades de saúde em oito estados. No momento, estão atuando em Rondônia, em Roraima e no Amazonas.

Informações de A Folha de São Paulo

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