“Sistema previdenciário atual é perverso”, diz Guedes na Câmara

Ministro Paulo Guedes defende Reforma da Previdência na Comissão de Constituição e de Justiça

"Sistema previdenciário atual é perverso", diz Guedes na Câmara
Foto: Reprodução / TV Senado

O ministro da Economia, Paulo Guedes, está em audiência na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), na Câmara Federal, para falar sobre a Reforma da Previdência. “Em 2018 gastamos R$ 700 bilhões com a Previdência, que é o passado, e R$ 70 bilhões com a Educação, que é o nosso futuro”.

Segundo Guedes, tema já atravessou quatro governos e é um drama, que tem muito efeito social e cria muita paixão. “É uma dimensão fiscal incontornável. O sistema está condenado por uma bomba demográfica”, disse.

O ministro também afirmou que os gastos públicos, nos últimos 40 anos, subiram de 17% a 45% do PIB. “O principal foi o gasto com pessoal (especialmente na previdência)”, complementou.

Bombas

A segunda bomba, conforme ele, é a forma “perversa” como ele é financiado. “Financiar a aposentadoria do trabalhador idoso desempregando trabalhadores é uma condenação, um sistema perverso. 40 milhões estão excluídos do mercado formal por esta forma perversa. Sistema previdenciário atual é perverso”, reforçou.

Para ele, a terceira bomba é a forma de não levar recursos para o futuro [desempregados que vão se aposentar]. “Sabemos o que é um juro. Mas quando fala em colocá-lo para trabalhar para o trabalhador, não pode. A sociedade não leva para o futuro, porque o jovem contribui e os idosos utilizam [no agora]”.

Reforma

De acordo com ele, a escala de tributação progressiva proposta na reforma tenta remover privilégios, reduzir desigualdades sociais e recuperar a sustentabilidade fiscal “de um regime que está condenado”. “Além disso, tentamos abrir uma porta para as gerações futuras”, disse.

Para Guedes, se aprovarem [os congressistas] com a potência menor ele não terá coragem de lançar um sistema de capitalização, já utilizado no Chile. “Se vocês preferem que filhos e netos sofram o mesmo que Rio, Minas e outros, podem seguir”, afirmou.

Sobre sistema de capitalização, ele explica que este pode sempre adicionar uma camada de repartição [para gerar a aposentadoria de quem não contribuiu o necessário, o que chamou de imposto de renda negativo]. “A bomba demográfica, de financiamento com encargos trabalhista, de promessa para futuro sem levar recursos não estará a bordo de um sistema de capitalização”, defendeu.

“Vai pra Venezuela”

Das cadeiras, alguns deputados criticaram as comparações com a previdência do Chile e Guedes pediu para comparar, então, com a Venezuela. “Fala mais alto do que eu, fala mais”, debochou o ministro, enquanto o presidente da CCJ, Felipe Francischini (PSL), pedia por decoro. “Peço respeito de ambas as partes”, disse o deputado.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.