Síndromes ansiosas: os desdobramentos mais comuns da ansiedade e dicas de tratamento

Neurologista Leandro Teles explica os principais tipos de ansiedade e cita diferenças entre elas

Considerada o mal do século, a ansiedade pode se tornar – ou já se tornou – um transtorno para grande parte da população. De acordo com a OMS, o Brasil é o país mais ansioso do mundo. O neurologista Leandro Teles, autor do livro O Cérebro Ansioso (Editora Alaúde), explica que a ansiedade tem uma quantidade bastante extensa de sintomas que podem se manifestar em praticamente o corpo todo. “É como se a doença tivesse um nome (ansiedade) e um sobrenome (tipo de ansiedade)”, diz.

Segundo o especialista, existem variados tipos mais comuns de ansiedade. Confira a diferença entre eles e dicas de tratamento:

Transtorno de ansiedade generalizada (TAG)

Essa é uma das formas mais frequentes de ansiedade patológica, ocorrendo em cerca de 4% da população adulta mundial. O TAG pode começar em qualquer idade, mas aparece geralmente em jovens adultos, entre os 20 e 30 anos. O transtorno é marcado por sintomas crônicos que se manifestam diariamente ou quase diariamente, sendo alguns deles tensão excessiva, irritabilidade e cansaço mental e/ou físico.

Síndrome ou transtorno do pânico

O transtorno do pânico é uma das ocorrências mais dramáticas conhecidas pela medicina. O termo é relativamente recente, mas já foi chamado de vários outros nomes, como: coração irritável, astenia neurocirculatória, síndrome do esforço, entre outras. O paciente com transtorno do pânico apresenta uma tendência a ter crises recorrentes, marcadas por muita angústia e sofrimento, além dos sintomas físicos (taquicardia, falta de ar, formigamento dos membros, etc.).

Fobias específicas

Trata-se de um transtorno ansioso muito comum, havendo casos intensos e incapacitantes e outros sem maior gravidade ou de impacto mais sutil. Fobias são medos exagerados provocados pela exposição a um fator gatilho, ou até pela expectativa da exposição, que gera uma cadeia de eventos ansiosos, como sintomas desconfortáveis e comportamento de esquiva e evitação.

Síndrome do estresse pós-traumático (SEPT)

Também conhecido como transtorno do estresse pós-traumático, os sintomas iniciam depois de uma situação emocionalmente intensa e traumatizante, que geralmente envolve risco de vida ou lesões graves a si ou a pessoas queridas. Bastante comum em ex-combatentes de guerras no passado, o conceito tem incluído mais recentemente quaisquer eventos extremos nos quais a pessoa sentiu-se profundamente ameaçada, horrorizada ou em um estado de franca vulnerabilidade.

Transtorno Obsessivo-compulsivo (TOC)

A realidade do paciente com TOC é bem menos glamorosa e engraçada do que encontramos em séries e filmes, que costumam romantizar a doença. É um dos distúrbios mais frequentes e incapacitantes de que se tem conhecimento. Ele pode ser colocado dentro do grupo de doenças ansiosas, pois a ansiedade é uma marca entre o pensamento obsessivo e o comportamento a ele associado – compulsivo. O TOC pode surgir em qualquer fase da vida, e é um transtorno crônico e oscilante, com fases de piora e melhora.

Tratamento

De acordo com Murilo Ferreira Caetano, psiquiatra e professor da Universidade Federal de Goiás (UFG), a eficiência e necessidade do tratamento dependem de cada caso. Há situações em que a terapia ou o medicamento podem curar, mas há casos em que o paciente tem que apenas ficar satisfeito com uma melhora, necessitando sempre de um tratamento paliativo.

“O tratamento tem que ser individualizado. Como a ansiedade patológica pode ser sintoma de transtornos diferentes, como depressão e pânico, por exemplo, para cada uma das condições você tem um procedimento específico”, explica Murilo.

De acordo com ele, é importante que o paciente seja avaliado globalmente para que possa ser instaurado uma forma de tratamento ideal, que nem sempre necessita de medicação.

Além do tratamento médico, quem sofre de transtorno de ansiedade precisa mudar o estilo de vida. As mudanças na rotina de vida são muitas vezes fundamentais na melhora da ansiedade. “É indicado a prática de atividade físicas, alimentação mais adequada e a busca por atividades prazerosas, como ouvir música e participar de ações coletivas”, diz Murilo.

Durante uma crise aguda, de acordo com o psiquiatra, existem tanto medicamentos que agem de forma instantânea quanto técnicas comportamentais que são utilizadas, relacionadas ao controle de respiração e tomada de consciência do próprio corpo. “Um médico ou um terapeuta podem ensinar para cada pessoa as formas de controle”, finaliza.

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