Sindicância apura morte de mulher no Hugo

Dona de casa Patrícia Costa França Ferreira sofreu em busca de atendimento durante longo período e faleceu no sábado (18)

atrícia Ferreira deu entrada no Hugo no dia 7 de julho com quadro de cefaléia e perda visual | Foto: Reprodução

Patrícia Ferreira deu entrada no Hugo no dia 7 de julho com quadro de cefaléia e perda visual | Foto: Reprodução

Foi aberta sindicância para apurar as condutas dos responsáveis por atender a dona de casa Patrícia Costa França Ferreira, de 25 anos, morta no sábado (18/7) no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) após dez dias de busca por atendimento. Os parentes da vítima alegam omissão de socorro médico. Ela foi enterrada no Cemitério Jardim da Paz, na manhã desta segunda-feira (20).

Segundo comunicado, o processo de assistência à paciente será encaminhado ao Conselho Regional de Medicina de Goiás (CRM-GO), que vai apurar se houve ato ilícito ético ou de conduta profissional.

Patrícia Ferreira deu entrada no Hugo no dia 7 de julho com quadro de cefaléia e perda visual. Ela estava “lúcida e orientada, sem déficit motor e com sinais vitais normais”, conforme o hospital. Nos dias seguintes, foi avaliada por outros dois neurocirurgiões. Nova tomografia realizada dois dias depois. Já no dia dez, foi transferida para o Hospital Cidade Jardim.

Em 11 de julho, familiares dela a encaminharam novamente ao Hugo, sendo avaliada por neurocirurgião e orientada a retornar ao Hospital Cidade Jardim para dar continuidade ao tratamento.

Um novo retorno ao Hugo foi registrado no dia 16, quando a paciente apresentava dor de cabeça. Na sequência, foi encaminhada a uma unidade do Cais, apresentando piora clínica. Na mesma madrugada, Patrícia Ferreira deu entrada na Emergência do Hugo, quando foram constatados focos de hemorragia em diferentes regiões do cérebro.

No dia seguinte, ela apresentou sinais de falência cerebral, motivo que levou à retirada das medicações sedativas conforme preconizado pelo protocolo de morte encefálica. Ainda de acordo com o comunicado, o hospital aguarda laudo cadavérico para confirmação das possíveis causas dos diferentes sangramentos apresentados ao longo do período pela paciente. “Somente essa avaliação conclusiva pode validar qualquer hipótese levantada até então”, diz o texto.

Veja, abaixo, nota completa:

O Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) esclarecer sobre o desfecho do caso da paciente Patrícia Costa França Ferreira:

1- A paciente deu entrada na unidade no dia 7 de julho, com quadro de cefaléia e perda visual. Foi avaliada por neurocirurgião, encontrava-se lúcida e orientada, sem déficit motor e com sinais vitais normais. Tomografia e angiotomografia de crânio realizadas confirmaram quadro de AVC hemorrágico. Não havia sinal de aneurisma cerebral, má-formação arteriovenosa ou trombose de seio venoso nos exames realizados nas primeiras três horas do atendimento. A paciente foi internada no Hugo, seguindo orientação da Neurocirurgia, para tratamento conservador.

1.1- Nos dias seguintes, foi avaliada por outros dois neurocirurgiões. Nova tomografia realizada em 9 de julho, demonstrava diminuição do hematoma, motivo que levou à conduta de manter o tratamento clínico, sem necessidade de cirurgia. O devido acompanhamento neurológico se deu até a data de sua transferência, pela Central de Regulação no dia 10 de julho, a uma unidade conveniada ao SUS.

1.2- Não é possível fornecer informações sobre o atendimento que a paciente recebeu no Hospital Cidade Jardim.

1.3- Em 11 de julho, Patrícia retornou ao Hospital de Urgências de Goiânia trazida por familiares. Novamente avaliada por neurocirurgião na Emergência do Hugo, a paciente encontrava-se assintomática. Após examiná-la e revisar os exames realizados, o profissional prescreveu medicação anticonvulsivante e para dor. Foi orientada a retornar ao hospital Cidade Jardim para manter a internação.

1.4- Um novo retorno ocorreu no dia 16 de julho, quando a paciente apresentava dor de cabeça, com estabilidade clínica e hemodinâmica, e nível de consciência mantido. A triagem seguiu os protocolos baseados em critérios internacionais (Protocolo de Manchester) para o encaminhamento feito ao Cais, onde, segundo relatos da família, apresentou piora clínica.

1.5- Na mesma madrugada de 16 de julho, Patrícia deu entrada na Emergência do Hugo com rebaixamento de consciência evoluindo para parada cardiorrespiratória, prontamente revertida. A paciente foi encaminhada a uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Nova tomografia evidenciou a diminuição do hematoma previamente existente e o surgimento de dois novos focos de hemorragia em diferentes regiões do cérebro, sem indicação de intervenção cirúrgica.

1.6- Em 17 de julho a paciente apresentou sinais de falência cerebral, motivo que levou à retirada das medicações sedativas conforme preconizado pelo protocolo de morte encefálica, instituído pelo Ministério da Saúde.

1.7- Após o fechamento do protocolo, com a realização no dia 18 do último exame que o compõe que é o eletroencefalograma, foi retirado o suporte clínico da paciente e o corpo encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML).

2- O Hugo aguarda laudo cadavérico para confirmação das possíveis causas dos diferentes sangramentos apresentados ao longo do período pela paciente. Somente essa avaliação conclusiva pode validar qualquer hipótese levantada até então.

3- O protocolo de morte cerebral é composto por dois exames clínicos, realizados com intervalo mínimo de seis horas. Além desses, um exame complementar é realizado para avaliar a existência de atividade cerebral. Neste caso, o último exame, um eletroencefalograma, foi feito às 12h39 de sábado (18). Realizado por um técnico, seu resultado não é emitido imediatamente, pois necessita da avaliação criteriosa de um médico especialista. Após esta análise, o resultado definitivo foi informado à equipe médica da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no início da noite da mesma data, quando o fato foi comunicado à família.

4- Foi aberta sindicância pelo Hugo para apurar as condutas de todos os envolvidos na assistência dada a paciente Patrícia Costa França Ferreira, que será encaminhada ao Conselho Regional de Medicina que apurará se houve algum ato ilícito ético ou de conduta profissional.

5- Desde o início, respaldada por informações do prontuário médico da paciente, a direção do Hugo se mantém disponível para esclarecimentos aos familiares, imprensa e opinião pública.

Ricardo Furtado Mendonça, diretor técnico do Hospital de Urgências de Goiânia

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