A Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara dos Deputados vai convidar a ministra do Planejamento, Simone Tebet, para prestar esclarecimentos sobre o empréstimo concedido pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) à Argentina.

Segundo informações divulgadas pelo Estadão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria orientado Tebet a aprovar um empréstimo de US$ 1 bilhão para a Argentina, como parte de um acordo para liberar um desembolso de US$ 7,5 bilhões do Fundo Monetário Internacional (FMI).

A transação ocorre próximo às eleições presidenciais argentinas, nas quais Javier Milei, um candidato autodenominado anarcocapitalista e aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), é um dos favoritos para vencer a disputa.

Simone Tebet, que é governadora do Brasil no CAF, desempenhou um papel crucial na operação, que exigia sua aprovação. No entanto, ela nega qualquer interferência de Lula na liberação do empréstimo e disse que o recurso não pertence ao Brasil. A crescente possibilidade de vitória de Milei tem gerado preocupações no Palácio do Planalto.

Bia Kicis (PL-DF), presidente da comissão e autora de um dos requerimentos, alegou sobre a “possibilidade de interferência no processo eleitoral de outro país”.

“A Argentina está a menos de um mês de concluir o processo eleitoral que definirá o próximo presidente da República. Ademais, o candidato do governo Alberto Fernández, que enfrenta severa crise econômica, é o atual ministro da Fazenda, Sérgio Massa, que seria diretamente beneficiado no pleito”, argumentou a parlamentar.

Além de Tebet, o colegiado, que tem a maioria de integrantes apoiadores de Bolsonaro, aprovou requerimentos para convidar outros ministros, como Nísia Trindade (Saúde), Mauro Vieira (Relações Exteriores), Fernando Haddad (Fazenda) e Carlos Fávaro (Agricultura).

Um acordo estabelecido no início da legislatura com o governo assegurou que os ministros seriam inicialmente convidados, e em caso de ausência, a convocação seria pautada. No caso de convocação, os ministros são obrigados a comparecer, sujeitos a possíveis acusações de crime de responsabilidade se não o fizerem.

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