Setor de serviços foi o mais afetado pela crise gerada em Abadiânia após prisão de João de Deus

Estudo do Sistema S mostra que 51% dos empreendedores que estão instalados nas proximidades da Casa Dom Inácio de Loyola tiveram seus negócios afetados

Foto: Felipe Cardoso/Jornal Opção

O Sistema S apresentou, na manhã desta quarta-feira, 3, o resultado do mapeamento do cenário de crise gerado em Abadiânia após a prisão do médium João Faria de Teixeira, líder religioso que atuava na Casa Dom Inácio de Loyola, localizada no município.

Antes do início da apresentação dos dados, o presidente da Federação do Comércio de Goiás (Fecomércio), Marcelo Baiocchi, considerou que cerca de 90% da economia local gira em torno dos pequenos negócios, ou seja, os principais afetados com a queda da movimentação turística na região.

De acordo com os dados apresentados no encontro, o centro de atendimento espiritual levou prosperidade à cidade devido à rede de negócios que movimenta. Em virtude dos fatos registrados a partir de dezembro de 2018, esse cenário de prosperidade sofreu impacto significativo afetando o ciclo de desenvolvimento econômico local.

Dados

Os números mostram a importância das micro e pequenas empresas para a sobrevivência do município: o setor de serviços ocupa a maior parcela das atividades econômicas de Abadiânia. Segundo a pesquisa, são 39,3% do total. Em seguida, com 26,5%, aparece a agropecuária. Depois, o comércio (13,8%), indústria (6,7%) e, por fim, a construção civil (5,8%).

O setor de serviços, como dito pelo presidente da Fecomércio foi o mais impactado. O número de demissões, por exemplo, foi expressivo quando comparado ao mesmo período do ano passado. Os escândalos envolvendo o nome do médium foram o principal fator das demissões segundo a pesquisa (82%). O estudo mostra, ainda, que 51% dos empreendedores que estão instalados nas proximidades da Casa Dom Inácio de Loyola tiveram seus negócios afetados, seja pelo fechamento ou demissão de funcionários. Ainda, 82% dos entrevistados atribuem essa demissão ao que aconteceu com o médium.

Também foi diagnosticado que 37% dos trabalhadores atuam de maneira informal. O perfil de empreendimento ainda é muito familiar. “Por isso o que aconteceu no município acabou afetando também muitas famílias. São empresas ainda no processo de avanço e estruturação e, de fato, precisam de apoio”, explicou a gerente executiva de atendimento do Sebrae, Camila Carvalho.

Presente no encontro, o prefeito do município, José Aparecido Alves Diniz (PSD), disse que a cidade não sabe “como será o dia de amanhã”. “Infelizmente é algo muito grave e, a princípio, não tínhamos tantas informações sobre o que estava acontecendo. Tivemos um impacto significativo, mas tivemos também a grata satisfação de ter essa equipe conosco para desenvolver esse trabalho. Sentimos que o Sistema S abraçou nossa querida Abadiânia como sua própria casa”, agradeceu.

Para o presidente da Fecomércio, a união das entidades pode mudar o perfil e o caminho que o município está destinado a caminhar na medida em que perde suas atividades econômicas. “Estamos empenhados em não permitir um futuro cruel para Abadiânia. Queremos somar naquilo que é a nossa expertise”, ressaltou.

Estratégias

A partir desta quinta-feira, 4, o sistema realiza capacitações empresariais na região. Serão promovidas oficinas, cursos e formações para ajudar empreendedores de Abadiânia. A programação segue até o fim de 2019 e atende empresários de todos os gêneros, educadores e alunos.

Como sugestão para recuperação, o Sistema S propôs a retomada das atividades na Casa Dom Inácio, mesmo que com outra pessoa à frente. Também sugeriram promoção de eventos, como rodeios, festa da pimenta, entre outros.

Além disso, as entidades propuseram instalação de parque aquático, de indústria de soja, aproveitamento da rede hoteleira para receber turistas de Pirenópolis, plantação de soja e investimentos na agricultura.

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