SES-GO não identifica aumento de contágio, mas prevê repique de 2ª onda ainda pior

Superintendente de Vigilância Sanitária, Flúvia Amorim diz que média atual é de pouco mais de 8 mil casos por semana; secretário de Estado de Saúde diz que aumento de casos vem sendo contrabalanceado com avanço da vacinação

Flúvia Amorim, Superintendente de Vigilância Sanitária. Foto Fábio Costa/Jornal Opção

Questionada sobre o aumento de casos da Covid-19 em Goiás, registrado no Painel da Covid-19 na última terça-feira, 18, a superintendente de Vigilância Sanitária, Flúvia Amorim, pede cuidado ao se fazer uma análise dos dados. Segundo ela, não há um aumento dos casos da doença em si, mas um registro não ordenado dos casos pelas unidades de saúde, que juntam fichas e registram todas de uma vez. Segundo dados divulgados ao Jornal Opção, a média é de pouco mais de 8000 casos por semana.

“É errado usar a data de registro, comparando quantos casos e tinha ontem, hoje e amanhã, por exemplo.  Para calcular da forma correta a quantidade de casos, utilizamos a data que ela adoeceu, porque essa é a data que interessa, é o momento em que ela estava transmitindo. Por esse dado, não é visto aumento de casos por data de início de sintomas, em 2021. Essa diferença existe porque muitos municípios que acumulam fichas e digitam de uma vez. Quando isso acontece, entra tudo de uma vez no sistema e dá essa diferença”, justifica a superintendente.

3ª onda da Covid-19

Flúvia ainda comenta sobre a possiblidade de uma terceira onda da doença no estado, assim como no resto do Brasil. Para ela, a grande preocupação hoje é referente à variante indiana do vírus, que ainda não chegou em solo brasileiro. “Não sabemos como o vírus vai se comportar e temos uma parcela muito pequena da população vacinada, não sabemos como é a variante que circulará. A grande preocupação hoje é com a variante indiana, como ainda não tivemos contato com ela, não sabemos como ela vai se comportar”, afirma e relembra a variante de Manaus, que após ser identificada em dezembro de 2020, em fevereiro de 2021 já registrava casos em todo o país.

Apesar de não ser possível saber quando esse aumento exponencial de casos se dará, Flúvia ainda explica que a terceira onda seria causada por, não apenas um, mas uma série de fatores em conjunto. Entre eles, a banalização da doença que é vista com cada vez mais frequência. “Vemos cada vez mais as pessoas deixando de lado as medidas de prevenção, sem máscara, aglomeradas… É como se as pessoas estivessem se acostumando com o caos, o que para nós é terrível. Essa banalização, juntamente com a redução do uso dos protocolos, a inserção de novas variáveis e uma quantidade pequena de pessoas vacinadas podem ser considerados fatores de risco a propiciarem a nova onda”, acrescenta.

Mesmo não sendo possível projetar quando ocorrerá a terceira onda de pico da Covid-19, o secretário de Estado de Goiás, na manhã desta quarta-feira, 19, disse ao Jornal Bandeirantes, da Rádio Bandeirantes, sobre a possibilidade de uma nova onda nos próximos 30 dias. Essa não seria, entretanto, uma terceira onda, já que não houve queda significativa no que se refere à ocupação hospitalar da rede pública estadual de Saúde.

Ele explica que isso é possível porque o indicador R, que é responsável por medir a velocidade de transmissão, tem aumentado há cerca de três semanas, estando acima de 1 (com 1.2). Esse dado pode fazer com que outras taxas acabem subindo nos próximos dias também. Para o secretário, o repique da segunda onda seria ainda pior que a terceira, já que para uma terceira, seria preciso ter atingido um estágio mais baixo de contaminação, que com a onda passaria a subir novamente.

“Se fosse uma terceira onda, teria um fôlego. Se o repique vem agora, nós não desocupamos todos esses leitos”, explicou. Ismael ainda acrescentou que esse aumento vem sendo contrabalanceado com a imunização contra o coronavírus no estado.

Quanto ao avanço da vacinação, como aspecto decisivo ao controle do contágio, Flúvia também não consegue prever avanço significativo nos próximos meses, uma vez que há uma semana foi anunciada a paralisação do Instituto Butantan e “se a Fio Cruz não receber, também irá paralisar”, diz Flúvia. A superintendente reforça, portanto, a importância da manutenção dos cuidados e o respeito ao protocolo de biossegurança estabelecido pelo Ministério da Saúde. “Sabemos que a população está cansada, ávida por voltar à normalidade, até porque tem questões econômicas envolvidas. Mas é preciso pensar na vida; nas dos outros e nas delas próprias”, conclui.

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