Servidores denunciam falta de repasse do Governo aos bancos em empréstimo consignado em folha
24 julho 2019 às 10h08

COMPARTILHAR
Presidente do Sintego, Bia de Lima diz que prática é antiga e que orientação é ignorar as cartas; No contrato, agência sabe que é o Estado que vai pagar, então não pode negativar trabalhadores

A Associação Mobilização dos Professores de Goiás (AMPG) entrou em contato com o Jornal Opção para denunciar uma suposta prática irregular do Governo. Segundo informado, apesar de descontar o empréstimo consignado dos trabalhadores em seus pagamentos, o Estado não estaria repassando aos bancos, o que geraria a inclusão dos servidores no Sistema de Proteção ao Crédito (SPC).
Thiago Oliveira Martins, coordenador de comunicação da AMPG, informou que pelo menos 15 pessoas o procuraram e, inclusive, os atrasos chegam até 13 meses. “Muitos já entraram com processo contra o Estado e o Banco”, revelou ao dizer que um dos professores chegou a receber sete cartas da unidade bancária que informava o não recebimento.
O docente informou que os funcionários têm o prejuízo, ao serem negativados, de não poderem pegar cheque especial ou empréstimo, além de outros problemas. Ele afirma, também, que o banco sabe dessa postura do Estado, mas mesmo assim negativa o funcionário. Como a maioria dos professores têm salários vinculados à Caixa Econômica Federal, lá é a unidade com maior número de prejudicados, declarou Thiago.
Caso
Uma professora do Estado, que pediu para não ser identificada, afirmou que, apesar de receber as cartas, o seu nome não foi negativado. No entanto ela tentou fazer outro empréstimo no banco e não conseguiu.
Ela informou que pretende entrar com um processo contra o Estado caso seja negativada. “Outros colegas meus passam por isso. Quando chega para mim, chega para eles… Todos que têm empréstimos na Caixa têm recebido”.
A docente diz que outra professora, que tinha conta em uma agência diferente da Caixa, teve o nome incluído no SPC. Ela entrou na Justiça, conforme a fonte, e ganhou R$ 9 mil em uma ação contra o Governo.
Sintego
A presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego), Bia de Lima, disse que essa prática é antiga e que a orientação aos professores é ignorar a carta e não ir ao banco pagar, pois já foi descontado na folha. “No contrato com governo, o banco já sabe que é o Estado que vai pagar”, afirmou e classificou a atitude das agências como “estratégia sacana”.
Ela garante que os professores não ficarão inadimplentes, mas entende o servidor fica angustiado. “É uma péssima estratégia”, repreendeu Bia. “Os bancos fazem isso como mecanismo para o servidor fazer pressão no governo. Mas eu não vou brigar para o governo pagar banco. Vou brigar para pagar o salário, que até hoje não pagou dezembro a todos”.
O Jornal Opção entrou em contato com a Secretaria de Estado de Economia e aguarda um posicionamento sobre o tema. Também é tentado contato com a Caixa Econômica. A matéria poderá ser atualizada.