População não completou ciclo vacinal, deixou de usar máscaras e contaminados não fazem mais isolamento; esses são alguns motivos por trás da quarta onda da doença

Na última semana chamou a atenção os dados divulgados de que Goiânia atingiu o maior nível de casos de contaminados por Covid-19 de todo o período da pandemia de Covid-19. Um recorde. Para se ter ideia, de 6 a 12 de junho, foram mais de 11 mil notificações da doença, que pode ainda ter subnotificações. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), ao todo, se constatou uma alta de 25% dos exames realizados, índices semelhantes foram registrados apenas entre 10 e 16 de janeiro deste ano.

A pasta destacou que houve também aumento no número de testes realizados. No final de abril, eram 3 mil e passou para 7 mil, no final de maio e início deste mês. Até o momento, já foram feitos 45.269 exames. No entanto, para a infectologista Cristiane Kobal, há uma série de fatores que vem aumentando os casos de contágios pelo novo Coronavírus, embora a vacinação tenha ‘enfraquecido’ a doença. “Vacinas protegem absurdamente de doença grave. Apesar desta quarta onda gigantesca, pouquíssimos internados, a maioria está com doses aquém do recomendado”, alerta.

Retomada de grandes eventos e a desobrigação do uso das máscaras são apontados como alguns dos motivos para a alta da doença. “Ninguém usa mais máscaras”, constata. “Ambientes totalmente fechados, nesta época mais fria, e todos sem máscaras”, acrescenta ela, indicando os ambientes propícios para a proliferação do vírus. Além disso, pessoas com a Covid-19 “trabalhando normalmente e transmitindo o vírus”. “Não querem manter nem mais o isolamento correto recomendado”, lamenta a infectologista, frisando da necessidade de continuar se seguindo os protocolos sanitários, como o “isolado de no mínimo uma semana para não transmitir para os contactantes a doença”.

Kobal salienta que muitas pessoas com sintomas da enfermidade, como espirro, tosse, nariz escorrendo (coriza) “não estão fazendo exames para Covid, e continuam suas atividades normalmente é sem máscaras”. É fato que o fim das medidas mais rígidas, por decretos, tem sinalizado para a população que a pandemia chegou ao fim, porém, há muita gente ainda sendo vítima fatal do Coronavírus no país.