Senadores querem que Venezuela seja expulsa do Mercosul

“O governo brasileiro tem que escolher de que lado está: se da democracia, de seus representantes, ou se está do lado do autoritarismo”, escreveu Aécio no Twitter

Foto: vídeo/PSDB

Foto: vídeo/PSDB

Depois de terem a viagem à Venezuela frustrada, os senadores brasileiros de oposição falam em pedir oficialmente a retirada do País do Mercosul. Manifestação veio do senador Aécio Neves (PSDB), que integrava a comitiva, nesta sexta-feira (19). De acordo com tucano, pedido será feito com base na cláusula democrática que ambos os países assinaram. “É fundamental que as respostas venham, resposta do governo brasileiro. Discutir em que condições e de que forma podemos rever inclusive a participação da Venezuela no Mercosul”, disse tucano.

Os senadores Aécio, o goiano Ronaldo Caiado (DEM), Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), José Agripino (DEM-RN), Ricardo Ferraço (PMDB-ES), José Medeiros (PPS-MT), Sérgio Petecão (PSD-AC) e Aloysio Nunes (PSDB-SP) viajaram para a Venezuela na última quinta-feira (18) para prestar apoio a presos políticos. Intenção era pressionar o governo do presidente Nicolás Maduro a libertar os prisioneiros.

Aécio disse em entrevista que houve uma ação deliberada do governo venezuelano, por impedir que o grupo saísse do aeroporto e fosse ao presídio visitar o opositor Leopoldo López, preso há mais de um ano por instigar protestos contra o governo. O tucano disse que também houve ação deliberada por parte do governo brasileiro, por expor uma delegação oficial de senadores que foram “ser solidários com presos políticos e defender a democracia venezuelana”.

“O governo brasileiro tem que escolher de que lado está: se da democracia, de seus representantes, ou se está do lado do autoritarismo”, publicou tucano de Minas Gerais, via Twitter. “É inadmissível o que aconteceu na Venezuela.”

O senador mineiro disse ainda que é necessário que o Brasil cumpra sua tradição democrática e “não se submeta a acordos de viés ideológicos. “Isso na verdade traz prejuízos a Venezuela, mas, quem sabe no futuro, possa vir a trazer ao Brasil.”

O goiano Caiado também usou o Twitter para criticar a presidente Dilma Rousseff (PT), que de acordo com ele não tem agido da forma correta quanto ao ocorrido. “Interessante que Dilma invocou a cláusula democrática para expulsar o Paraguai do bloco, mas a lei só vale conforme o interesse do PT”, se referindo à suspensão do País em 2012.

“Também vamos questionar no STF, por meio de uma Ação de Descumprimento de Preceitos Fundamentais (ADPF), a presença da Venezuela no Mercosul”, afirmou Caiado.

A comitiva de senadores ficou presa em um engarrafamento na saída do terminal do aeroporto e a van foi cercada por defensores do governo que baterem no veículo, jogaram pedras e gritaram “Chávez não morreu, multiplicou-se”, sobre o ex-presidente Hugo Chávez, falecido em 2013.

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