Seminário discute caminhos para políticas públicas em Educação

Gestão com base em estudos científicos e constante aprimoramento são determinantes para melhorias definitivas na área 

Mesa de abertura teve a participação do ministro da Educação, Mendonça Filho, do presidente do Instituto Unibanco, Pedro Moreira Salles e Maria Cristina Frias, da Folha de S.Paulo | Foto: Divulgação / Assessoria

Mesa de abertura teve a participação do ministro da Educação, Mendonça Filho, do presidente do Instituto Unibanco, Pedro Moreira Salles e Maria Cristina Frias, da Folha de S.Paulo | Foto: Divulgação / Assessoria

Larissa Quixabeira
De São Paulo

Terminou na noite desta sexta-feira (16/9), em São Paulo, a segunda edição do Seminário Internacional Caminhos para a qualidade da educação pública: Impactos e Evidências. Durante dois dias o Instituto Tomie Othake foi espaço de profunda reflexão sobre os caminhos que levam a uma educação de excelência. O Jornal Opção acompanhou o evento, de iniciativa do Instituto Unibanco, em parceria com o Insper e o jornal Folha de S. Paulo,

No palco, pesquisadores e gestores se intercalavam nos painéis de discussões em um debate detalhado sobre os caminhos para uma educação de excelência. Na plateia, educadores de todo o Brasil, que vivem a realidade da escola e são os principais agentes de atuação para realizar as mudanças tão necessárias.

Logo na abertura do seminário, ainda na manhã de quinta-feira (15), o ministro da Educação Mendonça Filho, deu o tom da discussão: “Supervisão, monitoramento e planejamento devem estar presentes na gestão pública, inclusive na educação. Temos um enorme desafio pela frente. Superamos os desafios de inclusão e do acesso, mas quando se avalia a qualidade estamos muito distantes do que seria razoável para um país que é a 8ª economia do mundo”, afirmou.

De fato, não há retrocesso na educação. Porém, o consenso entre os que pensam educação no País é de que o ritmo do crescimento precisa ser acelerado e não se pode mais nivelar por baixo a qualidade da educação no Brasil.

Estudar para mudar

Caminhos eficazes de aprimoramento permanente de políticas públicas apenas são possíveis a partir de avaliações, pesquisas e análises. Desta maneira, academia e gestão devem caminhar juntas, na produção de dados a partir de avaliações e na análise e estudo dessas evidências, para entender o que elas significam medidas devem ser mantidas, modificadas ou descartadas no constante processo de construção de uma escola melhor.

As políticas públicas e os estudos têm de levar em conta a complexidade inerente à educação e às escolas para que sejam bem-sucedidos. Assim, na produção de pesquisas e avaliações, é importante intensificar as interações e diálogos entre diferentes áreas do conhecimento, bem como entre pesquisadores e os atores envolvidos nos sistemas de ensino e nas escolas.

Sobre este tema, o educador Greg Welsh, da Universidade de Nebraska (EUA), palestrante do painel “Produção e uso de evidências para aprimorar políticas educacionais”, apontou que toda avaliação de impacto deve estar a serviço dos gestores. “As avaliações existem para serem fontes de informação para gestores e formuladores de políticas educacionais”, disse.

Para Paula Louzano, da Universidade de São Paulo (USP), os pesquisadores das faculdades de Educação das universidades têm uma grande responsabilidade na produção de conhecimento e de evidências para apoiar ações voltadas para a compreensão dos desafios e de suas soluções. “Não é apenas avaliação de impacto que produz informação relevante para as políticas públicas”, enfatizou.

Outro estrangeiro que dividiu suas experiências com os educadores brasileiros foi o assessor especial do Ministério de Educação e Cultura da Finlândia, Ilkka Turunen, que demonstrou como um dos sistemas educacionais mais desenvolvidos do mundo trabalha para gerar impacto na aprendizagem.

O sistema educacional finlandês atua com avaliações em larga escala, porém as escolas têm autonomia para atuar diretamente na melhoria do desempenho dos alunos. Segundo ele, os alunos são avaliados diariamente pelos professores. “O objetivo da avaliação é desenvolver a educação, dar apoio ao aprendizado e nos processos decisórios.

Pedro Carneiro, do University College London, enfatiza a necessidade de “abrir a caixa preta” das avaliações de impacto para identificar os aspectos que são mais eficazes. “É importante abrir a caixa preta para conhecer quais aspectos funcionam, quais necessitam de reforço e se é possível replicar os resultados”, falou.

Caso de sucesso 

A experiência bem sucedida do projeto Jovem de Futuro, tecnologia educacional desenvolvida e implementada pelo Instituto Unibanco, cuja atuação é focada na gestão escolar para garantir a aprendizagem dos estudantes, foi apresentada pelo superintendente executivo Ricardo Henriques. Ele ressaltou a importância da avaliação, baseada em métodos científicos, para a produção de evidências que colaborem para compreender o impacto das políticas educacionais. “As boas práticas de gestão se traduzem em uma escola de melhor qualidade. Para conhecermos as melhores ações, no entanto, devemos submetê-las ao teste e saber se fazem sentido”, disse Henriques.

A avaliação do Jovem de Futuro demonstrou que, nas escolas onde o projeto foi implementado, em parceria com as secretarias de educação dos estados, houve aumento de cinco (5) pontos no desempenho dos estudantes na escala do Saeb (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica). Isso significa 80% do que se aprende tipicamente em uma série do Ensino Médio e, portanto, o efeito do Jovem de Futuro é similar ao que aconteceria caso essa etapa escolar passasse a ter uma série a mais. O resultado é também superior ao progresso em proficiência alcançado por 85% dos estados brasileiros. “É a construção de um caminho que aumenta as chances de que as crianças e jovens aprendam aquilo que esperamos que aprendam”, falou Henriques.

A metodologia usada para avaliar o impacto do Jovem de Futuro foi aplicada pelo pesquisador Ricardo Paes de Barros, economista chefe do Instituto Ayrton Senna e professor no Insper, e é considerada inovadora para a área de políticas educacionais. Barros explicou no seminário como a metodologia aplicada, chamada Experimento, chegou ao impacto do Jovem de Futuro, medindo o desempenho acadêmico dos alunos por meio das proficiências em Língua Portuguesa e Matemática, ao final da 3ª série do Ensino Médio, três anos após o início da implantação do projeto. “Os resultados evidenciam o impacto positivo que o Jovem de Futuro teve nessas escolas”, disse.

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