Sem-teto ocupam canteiro de obras da Ferrovia Norte-Sul, em Goianira

Reintegração de posse já foi solicitada. Grupo quer novo terreno para assentamento, mas prefeitura alega problemas financeiros e diz que famílias não são da cidade

Trecho da Ferrovia Norte-Sul, em Goianira | Divulgaçã-Aterpa

Trecho da Ferrovia Norte-Sul, em Goianira | Divulgação-Aterpa

Marcelo Gouveia e Sarah Teófilo

Famílias sem-teto, ligadas ao movimento “Unidos por Moradia”, ocupam há cerca de 15 dias o canteiro de obras da ferrovia Norte-Sul, localizado no município de Goianira, região metropolitana de Goiânia. O grupo cobra da administração municipal uma nova área para o assentamento, mas a prefeitura alega dificuldade financeira.

Integrantes do movimento chegaram a invadir o prédio da Prefeitura de Goianira, na última quarta-feira (19), em uma tentativa de negociação com a gestão municipal. O prefeito Randel Miller (PP) atendeu os manifestantes e explicou a eles que a administração não possui condições financeiras para atender às demandas das famílias.

Em entrevista ao Jornal Opção Online nesta quinta-feira (20), o chefe do Executivo municipal adiantou que já foi pedida a reintegração de posse da área, que pertence à União e que, por isso, deve ser feita pela Polícia Federal. “Eles souberam disso e vieram para a prefeitura pedir apoio para assentarmos eles em algum lugar. Eles querem uma área de cerca de dois alqueires e meio, e falamos que não tínhamos condição de comprar”, explicou.

Thiago dos Reis, representante das famílias sem-teto, nega que o grupo exija terras. “Queremos uma casinha, ou um lote”, disse. De acordo com o líder, foi a própria prefeitura que encaminhou o grupo ao canteiro de obras. Antes, eles estavam acampados em uma área particular, localizada no Residencial Paineras. Segundo o grupo, o terreno em questão seria fruto de usucapião pelos atuais proprietários. A administração municipal, no entanto, afirma que a área está legalizada desde 2002.

“A prefeitura tirou a gente de lá e disse que ia levar para uma área provisória, mas levou para o canteiro de obras da ferrovia Norte-Sul. Nós temos até filmagens do caminhão da prefeitura removendo a gente. Os meninos estão sem escola, sem estudar, passando necessidade e frio”, contou Thiago dos Reis.

À reportagem, o prefeito negou a versão dos assentados e afirmou que as famílias não são do município de Goianira, mas sim de outras localidades. “A Polícia Militar pediu apoio da prefeitura para deslocar os móveis e barracas e a gente chegou a locomover um caminhão para as famílias que supostamente moravam em Goianira. Quando a gente viu que eles não moravam aqui, a gente suspendeu o serviço”, alegou Miller, frisando que a migração para a área do governo federal nada tem a ver com a gestão municipal.

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