Aprovado no Senado, projeto de lei para reconhecimento da prática deve passar pela Câmara dos Deputados ainda este ano

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O projeto de lei que autoriza a prescrição da ozonioterapia em todo o território nacional, após passar pelo Senado, atualmente está em debate na Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF) da Câmara dos Deputados. Se aprovado em plenário, o texto irá permitir que o tratamento seja amplamente realizado por médicos brasileiros. Atualmente, apenas o Conselho Federal de Odontologia (CFO) reconhece a eficácia da mistura de gás oxigênio e ozônio para tratar problemas circulatórios, infecções e outros males.

Mas o que é a ozonioterapia? De acordo com o médico Arnoldo de Souza, presidente  da Associação Brasileira de ozonioterapia (Aboz), a técnica existe há mais de um século, tendo sido iniciada na Alemanha. “O ozônio, ao entrar em contato com os fluidos humanos, gera reações que melhoram a circulação, alteram o metabolismo e melhoram o processo de combate aos radicais livres”, explicou.

Segundo o médico, a estimulação do organismo através da oxidação do ozônio garante mais força imunitária ao paciente, o que controla os processos inflamatórios e atua como forte germicida. De acordo com a associação, o ozônio medicinal pode ser indicado para o tratamento de:

-Problemas circulatórios;

-Diversas doenças e condições do paciente idoso;

-Doenças causadas por vírus, tais como hepatites, Herpes simples e Herpes zoster;

-Feridas infectadas quaisquer, inflamadas, de difícil cicatrização, como úlceras nas pernas, de origem vascular, arterial ou venosas (varizes), úlceras por insuficiência arterial, úlcera diabética, risco de gangrena;

-Colites e outras inflamações intestinais crônicas;

-Queimaduras;

-Hérnia de disco, protrusão discal, dores lombares;

-Dores articulares decorrentes de doenças inflamatórias crônicas;

-Imunoativação geral;

-Como terapia complementar para vários tipos de câncer.

Apesar de a técnica ser difundida, o Conselho Federal de Medicina (CFM) chegou a emitir uma nota de repúdio à lei, em dezembro do último ano, com apoio de outras 24 entidades médicas de representação nacional. No documento, os médicos argumentam que autorizar a oferta da técnica sem a certeza de sua eficácia e segurança “expõe os pacientes a riscos, como retardo do início de tratamentos eficazes, avanço de doenças e comprometimento da saúde”.

De acordo com o representante da Aboz, no entanto, se feita com critérios e por pessoas habilitadas, a terapia tem grandes condições de produzir melhoras aos pacientes.

Segundo ele, como o ozônio não pode ser patenteado, o tratamento pode chegar a um preço bastante acessível à população. “Não é possível o lucro por geradores de patentes. Por isso, talvez, a terapia não receba simpatia da indústria farmacêutica”, disse.

Aplicação

O ozônio pode ser aplicado de diversas maneiras, como por via venosa (em mistura com o sangue) ou quando você colhe o sangue e aplica no músculo misturado ao elemento. Além disso, em tratamentos para coluna, por exemplo, a aplicação pode ser feita de forma local na região lombar.

De acordo com Arnoldo, a Ozonioterapia é praticamente isenta de efeitos colaterais, desde que aplicada corretamente.

Precauções

É importante saber que somente profissionais capacitados podem indicar a dosagem e a via correta de aplicação da ozonioterapia.

Além disso, o ozônio é um gás altamente instável e nocivo se inalado, necessitando ser gerado de forma precisa com equipamentos específicos, no local do uso.

Contraindicações

A principal contraindicação é a deficiência da enzima Glicose-6-Fosfato Desidrogenase (G6PD), conhecida como favismo, em função do risco de hemólise.

Em casos de hipertireoidismo descompensado, diabetes mellitus descompensado, hipertensão arterial severa descompensada e anemia grave, é necessário que a estabilização clínica dessas situações seja realizada previamente à aplicação da ozonioterapia.