Sem receber um centavo, empresa demite 200 funcionários e paralisa obras do novo HC

Dívida pela execução da obra chega a R$ 3,5 milhões. Prédio está sendo construído na mesma quadra da atual sede e será o maior hospital de uma universidade federal 

Nova unidade do HC será a maior obra já realizada na UFG

Rafaela Bernardes

As obras da nova unidade do Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Federal de Goiás (UFG), no Setor Universitário, em Goiânia, estão paralisadas desde a tarde da última sexta-feira (2/6). Ao Jornal Opção, o coordenador de obras da Engemil, empresa responsável pela construção do prédio, Vinícius Castro, explicou que a falta de pagamento foi o motivo da suspensão do serviço.

“Assumimos a quarta etapa da obra no dia 29 de novembro do ano passado e desde então trabalhamos sem receber um centavo. Hoje, a dívida acumulada já é de R$3,5 milhões. A situação ficou insustentável e tivemos que paralisar a obra e demitir os 200 funcionários que trabalhavam no local”, explicou.

Segundo Vinícius, os recursos para a construção do novo prédio do hospital foram garantidos por meio de emendas parlamentares da bancada goiana no Congresso Nacional.

“Os parlamentares goianos conseguiram R$100 milhões para essa obra, mas para que o dinheiro seja liberado pelo governo federal é preciso empenho e pressão por parte dos deputados e senadores. O que nos foi passado é que falta vontade política para que esse dinheiro seja repassado as empresas que trabalham na execução do serviço. Enquanto isso o trabalho continua paralisado e a obra atrasada”, disse ao Jornal Opção.

A conclusão do novo prédio do HC estava estimada para novembro de 2018, mas, com a paralisação, não há mais previsão para a entrega da obra. A nova unidade está sendo construída na mesma quadra da atual sede e será o maior hospital de uma universidade federal brasileira, com 20 andares e 600 leitos, dobrando a capacidade atual.

O novo HC terá, ainda, um andar destinado somente à maternidade, com capacidade de atendimento a gestantes de alto risco, equipado com UTI neonatal e centro obstétrico. Outro andar será exclusivo para a internação de pacientes transplantados, e outros dez pavimentos vão abrigar centros cirúrgicos, UTI e estruturas de apoio ao funcionamento da unidade.

A expectativa pela inauguração do novo hospital é grande em vista da oferta de leitos e devido à dificuldade de atendimento encontrada pela população não só de Goiânia, mas de todo o Estado. Segundo o reitor da UFG, Orlando Amaral, “a obra tem uma enorme importância para a pesquisa, o ensino e a extensão, sobretudo para a população que necessita de serviços hospitalares e que será atendida integralmente pelo SUS”.

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Rodrigo Vieira

Meu caro Vinícius Castro, a boa vontade desses senhores só depende de propina, para conseguir esse valor só pagando propina, infelizmente, no brasil os políticos só trabalham dessa forma.