Sem pediatras no Cais de Campinas, crianças voltam pra casa passando mal

Algumas vão para a segunda e última opção para os goianienses, o Hospital Materno Infantil, outras resolvem aguardar o amanhecer

No Cais de Campinas, Pauline espera ser atendida. Foto: Elisama Ximenes/Jornal Opção

Na noite desta sexta-feira, 29, quem levou crianças ao Cais de Campinas para serem atendidas teve que voltar para casa, mesmo com os filhos passando mal. Acontece que a unidade de saúde da Prefeitura de Goiânia não dispunha de médicos pediatras para fazer o atendimento.

Cláudia Regina já estava entrando no carro de volta para casa com seu neto de 4 anos. “Ele está vomitando, dando febre, e não tem médicos aí para atender, eles falam que só amanhã, se tiver que morrer vai morrer”, contou ao Jornal Opção.

As funcionárias da unidade, que não quiseram se identificar ou dar entrevistas, confirmaram a ausência de médicos pediatras no turno noturno em alguns dias da semana, apontando que se trata de algo recorrente.

A angústia das mães é visível, afinal, apenas o Cais de Campinas atende pediatria na Capital pela rede municipal. Além dele, o Hospital Materno Infantil, da rede estadual, tem atendimento a crianças, mas muitas temem a superlotação, já que na quinta-feira, 28, um menino morreu na fila de espera.

Na recepção do Cais, Jackeline Alves, chegou com seu filho de 6 anos ardendo em febre, mas de cara recebeu a sentença. “Hoje não está atendendo, só no Materno”. Diferente da maioria, que preferiu voltar pra casa, Jackeline seguiu rumo ao hospital estadual.

Pauline Clara também voltou para casa com sua filha de 10 meses . “Ela está com febre alta e vomitando tem uma semana, mas aqui não tem atendimento, e aqui em Goiânia não tem opção”, lamentou. Segundo a avó da menina, Zaira Carla, uma funcionária lhe disse que a falta de pediatras à noite ocorre toda semana, as quartas, quintas e sextas.

“E não avisaram nada, nós chegamos aqui e demos com as portas fechadas, a opção que tem é o Materno, mas lá nós não vamos porque não tem a menor condição, as crianças estão internadas, o corredor está lotado de criança”, disse a avó, que disse que a orientação que receberam foi de retornar no sábado pela manhã, quando teriam de 3 a 5 pediatras atendendo.

“É um absurdo ter só dois hospitais em Goiânia atendendo, não comporta, é tanto que tem criança no corredor, está difícil”, reforçou Pauline.

Ainda nesta sexta, 29, o Jornal Opção foi até o Materno Infantil e se deparou com uma recepção parcialmente lotada. Uma das recepcionistas informou que 50 senhas haviam sido distribuídas às 21 horas, mas que a demanda poderia aumentar no decorrer da noite. Na quinta-feira, 28, uma criança morreu na fila de espera da unidade estadual.

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