Sem adesão de médicos a edital, urgência pediátrica de Goiânia segue com poucos profissionais

Previsão inicial era de 50 pediatras, mais de três meses depois apenas 12 assinaram com a Prefeitura. Insegurança e problemas no edital são apontados como responsáveis 

Foto: Luiz Phillipe Araújo/Jornal Opção

Insegurança durante atuação na rede pública e fragilidade de clausulas contratual são os principais fatores apontados como responsáveis pela insistente falta de adesão de médicos pediatras ao edital publicado pela Prefeitura de Goiânia há três meses. Com previsão inicial de 50 contratações, apenas 12 pediatras aderiram ao edital.

O chamamento de novos profissionais foi feito pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) em abril, quando em audiência com o Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO), estabeleceu a medida, buscando solucionar a constante superlotação do que na época era o único centro de saúde que atendia a especialidade, o Cais Campinas.

Ocorre que o edital, que prevê remuneração de R$ 10 mil, não teve adesão. Na época do anúncio feito pela secretária da SMS, Fátima Mrué, a gestora destacou o caráter imediato do edital. Mrué explicou que não havia previsão exata de limites de profissionais, e que eles seriam alocados conforme observância de demanda, mas citou estimativa de 50 pediatras.

Os 50 médicos seriam divididos no que é definido pela própria SMS como “distritos sanitários”, um total de quatro. Ainda em abril, após 20 dias desde a publicação, a Secretaria havia registrado apenas 12 profissionais. Dessa forma, com a baixa procura, até o mês de maio o Cais Campinas seguiu sendo o único a atender urgência pediátrica. No local se tornou rotina não haver se quer cadeiras vazias para as mães que aguardavam atendimento.

Foto: Luiz Phillipe Araújo/Jornal Opção

Mais de três meses após a publicação, segundo dados apontados pela própria SMS, o quadro de adesão ao edital segue sendo dos mesmos 12 pediatras registrados no final de abril. Além disso, apenas mais um distrito passou a receber a especialidade, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Itaipú.

Possíveis porquês

Na época da publicação do edital, o presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego), Leonardo Reis, afirmou ao Jornal Opção que havia no documento detalhes que gerariam insegurança. Para o presidente, o chamamento específico para pessoa jurídica e o tempo estabelecido em um ano de trabalho não eram suficientes para tornar as vagas atrativas.

Presidente do Cremego, Leonardo Reis | Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

“Aquele profissional que já está inserido em alguma atividade do mercado certamente não vai ser aventureiro de deixar o que está fazendo para um chamamento desses, seja por 20 ou por 40 horas. A remuneração não é tudo, é um aspecto importante, mas não é tudo”, afirmou na ocasião.

Profissionais do Cais Campinas que não quiseram ser identificados apontam um segundo fator que estariam afastando os pediatras da urgência da rede pública. Segundo os trabalhadores, o registro de agressões contra os médicos da especialidade teria se tornado comum no último semestre. Alguns dos pais que chegam a aguardar mais de dez horas para atendimento estariam agredindo verbal e fisicamente os funcionários.

O que diz a SMS

Em nota SMS reforçou que atualmente dois centros de saúde oferecem a especialidade em urgência: Cais Campinas, onde segundo a Secretaria são realizados atendimentos pediátricos de urgência todos os dias e a UPA Itaipu, onde os atendimentos são de segunda à sexta-feira.

“É importante ressaltar que o Edital de credenciamento continua aberto. O intuito da SMS é expandir o serviço de urgência pediátrica para outras unidades do município, mas para isso precisamos da adesão dos profissionais da área pediátrica”, afirma em nota.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.