“Sei que é um grande desafio”, diz Hélio Lopes, que assume presidência do Ipasgo

Gestor que já comandou Apae Anápolis por nove anos diz ao Jornal Opção que crise na saúde e operações policiais dentro do Ipasgo são motivo maior para que ele aceitasse proposta de Caiado para assumir autarquia

Hélio Lopes, novo presidente do Ipasgo | Foto: Reprodução

Voluntário na Apae Anápolis há 20 anos, Hélio Lopes é advogado de carreira e passou por diversos cargos na instituição. Atuou como assessor jurídico, tesoureiro, vice-presidente e foi presidente por quatro mandatos. Dos 50 anos de história da Apae Anápolis, Hélio fez parte de nove deles como presidente e cumpria seu mandato de reeleição quando foi convidado pelo governador Ronaldo Caiado (DEM) para assumir a gestão do Ipasgo.

Hélio Lopes será empossado no Ipasgo nessa quinta-feira, 2, após ter sido eleito em novembro do ano passado por mais três anos à frente da reconhecida Apae Anápolis. Ao Jornal Opção, Hélio conta que conheceu pessoalmente Caiado em dezembro do ano passado, na inauguração da nova sede da instituição, e que, desde então, os dois passaram a se falar constantemente por telefone.

“Eu nunca havia me filiado a nenhum partido político, mas atendendo a solicitação dele eu acabei me filiando ao DEM nessa janela partidária de final de março e início de abril. Eu me afastei da Apae e todos pensaram que eu seria candidato a prefeito em Anápolis, mas eu estava aguardando essa conversa com o governador”, relatou. “Ele me convidou a um tempo atrás [para assumir o Ipasgo] e achei que não era conveniente. Ele me pediu novamente e eu aceitei o desafio. Amanhã cedo eu tomo posse. Aceito o desafio”, afirmou.

“É um novo desafio. Estou deixando a presidência de uma instituição que já é grande no Estado de Goiás, mas, por outro lado eu acho que tem condições de continuar ajudando agora não Anápolis, mas o Estado de Goiás”, disse.

Crise da saúde

Ao ser perguntado sobre como era assumir a autarquia de saúde em meio a uma pandemia, Hélio respondeu com humor: “Tá vendo como o desafio é grande?”. Para o gestor, quanto maior o adversidade, maior parece ser a motivação para ultrapassar os obstáculos. “Eu sei que é um grande desafio e tenho acompanhado principalmente nessa semana a questão do lockdown em Goiânia”, conta.

“Estou em Anápolis, aqui nós estamos em uma condição muito melhor. Ontem, o Roberto, prefeito, afirmou que nós estamos com 33% dos leitos ocupados. Então temos condição de flexibilizar um pouco mais”, opinou.

“Eu entendo que a população tem sido difícil. O governador pediu lá atrás para a população dar uma segurada, não desafiar. Não soubemos fazer isso e acabou tomando essas medidas antipáticas, comercialmente falando, junto a todo empresariado, associação de classe. É ruim, mas por outro lado temos que pensar na vida também em detrimento dessa captação de recurso. Não só pensar em economia”, argumentou Hélio.

“Meu primeiro contato [com Silvio, atual presidente do Ipasgo] será amanhã. É um trabalho totalmente diferente daquilo que eu faço, mas eu acho que posso ajudar o governador e o instituto com a minha chegada”, afirma.


Investigações

O Ipasgo foi alvo de operações policiais que investigam atos de corrupção. “Eu chego nesse momento. Mas estou indo com muita tranquilidade. Eu tenho informação. Pretendo que assim que chegar conhecer o delegado que toca todo esse sistema. Não tem dificuldade, embora minha área de atuação é a área cívica, mas sendo advogado eu tenho facilidade para saber o que está se passando”, disse Hélio.

Ele conta que teve dúvidas em aceitar o convite do governador, justamente por conta das operações policiais. À redação do Opção ele disse que Caiado recomendou que ele esquecesse o passado, deixasse a polícia resolver o que fosse preciso e iniciasse um trabalho diferenciado. “Acho que a polícia faz o serviço dela, abusos tem que ser apurado, vamos pedir a condenação, que seja aplicada pena aos infratores, mas daqui para frente temos que viver nesse momento e imaginar o Ipasgo crescendo e que possa servir seus 700 e poucos mil usuários”, afirmou.

De acordo com ele, o objetivo agora é uma gestão “que possa dar satisfação aos seus prestadores de serviço, que as 17 regionais no Estado sejam atendidas plenamente”.

“Ontem quando eu conversava na parte da manhã, no Palácio com o governador, eu tomei conhecimento de que a regional Anápolis está fechada. Eu não sabia. Moro na cidade, mas não tenho acesso a esses dados do Ipasgo. A cidade de Anápolis já me cobra essa posição sem eu nem ao menos ter tomado posse. A partir de amanhã, começo a tomar providências no sentido da gente ter essa possibilidade de reabertura o mais rápido possível”, contou.


“Eu quero ter planejamento estratégico, quero ter código de conduta ética e tudo que for necessário. Se não tiver implantação definitivamente em um instituto como o Ipasgo do compliance, acho que não merece realmente falar que é uma autarquia ligada a um órgão de governo. Tenho esse propósito. Sei que o Ipasgo tem certificação, tem ISO, mas não adianta. Falo com sinceridade, porque eu não sou bom de serviço, mas gosto de trabalhar com pessoas melhores que eu”, afirma.

“Nessa situação, dei dignidade para a Apae de Anápolis em 2016,1017,2018,2019. Recebemos reconhecimento pela transparência. Eu te falo com muita tranquilidade, presidi a Apae esse tempo todo, estou há vinte anos dentro da Apae, eu não tenho dentro da Apae nenhum ascendente, descendente, colateral, nenhum parente. Tinha muita tranquilidade de admitir e demitir sem nenhum problema. Minhas filhas médicas entendem que onde eu presido, elas não trabalham”, garantiu.


“Assumo o compromisso com a população goiana de empenho, dedicação e trabalho não faltará. Não tenho colaborador ‘vai’, é ‘vamos’. Estarei à frente de tudo que for necessário. Sei do grande desafio que é. Vai ser difícil. O que me motiva a aceitar o desafio com o governador é a dificuldade. Se tivesse tudo organizadinho, pronto e arrumado talvez eu rejeitaria”, disse.




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