Seguindo FHC, Juventude do PSDB condena Bolsonaro

Para tucanos, comentário do deputado federal demonstra ignorância em relação à história e descompromisso com futuro do Brasil

Depois que o presidente de honra do PSDB, Fernando Henrique Cardoso, criticou a fala do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) durante sessão de votação do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), a Juventude do partido também resolveu se posicionar sobre o comentário. Em nota publicada no Facebook, os tucanos sustentam que Bolsonaro merece “Reprovação e oposição”.

Para a Juventude do PSDB, o comentário não é de oposição política, mas sim um desrespeito aos brasileiros: “Ao citar o torturador de Dilma Rousseff, Bolsonaro não fez oposição ao governo, mas oposição ao Brasil”. “Bolsonaro é ignorante em relação a história e descompromissado com o futuro do Brasil”.

Numa clara demonstração de que não se consideram parte da oposição representada por Bolsonaro, eles lembraram outros momentos de polêmica do deputado. “Jair Bolsonaro – que já defendeu publicamente a tortura, o assassinato em massa de oposições políticas, surras corretivas a homossexuais e crianças – homenageou (na falta de termo melhor) o infame Coronel Brilhante Ustra. Este militar que marcou época pela truculência, pela atuação marginal e desrespeitosa em relação aos direitos básicos da pessoa humana”, lembram.

“Os discursos do deputado se revelam exógenos à política e à democracia. Não merecem guarida. São palavras perigosamente antidemocráticas, apesar de populares, misóginas, homofóbicas, xenofóbicas e racistas”, disparam.

A nota lembra ainda que a liberdade de expressão não significa que todo discurso é válido. “A liberdade de expressão protege ideias internas à democracia, serve para proteger consciências contra tiranias, não o contrário. Por isto nos manifestamos a favor do impeachment e contra Bolsonaro”, defendem.

Confira, na íntegra, o posicionamento da Juventude do PSDB:

NOTA DE REPÚDIO

A juventude do Partido da Social Democracia Brasileira repudia a manifestação do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) durante a votação da admissibilidade do pedido de Impeachment de Dilma Rousseff (17/04/2016).

A crise de representatividade que se abate sobre todos os partidos vem acompanhada de novos paradigmas de relação entre partidos e governo – o presidencialismo de cooptação que não se baseia em agendas comuns, mas em trocas pragmáticas e democraticamente marginais.

Estão enfraquecidas as lideranças que se constroem com base em trajetória e discurso para o Brasil ao mesmo tempo que surgem oportunistas que se colocam messianicamente como políticos anti-políticos.

Domingo passado as feridas foram expostas e muitos de nós acordamos com um gosto amargo na boca. Se por um lado venceu a legalidade, afastou-se a impunidade pela fraude bilionária promovida por Dilma, e começou o acerto de contas do PT com o Brasil, por outro nos surpreendemos com a postura de muitos de nossos representantes.

O deputado Jair Bolsonaro e seus filhos são populares no número de likes, no apelo que causam por dizerem palavras de ordem que encontram uma audiência apaixonada e órfã.

Dentre o florescer da cidadania – desde 2013, pelo menos – há uma minoria que, frustrada com as alternativas democráticas, flerta com autoritarismos de direita e cogita uma absurda, indesejada e ilegal, “intervenção militar”.

Mas o trunfo é da democracia, mais viva que nunca no Brasil!

O cisma, o racha, incentivado pelos governos do PT ajudaram a extremar a opinião pública. Mas não é hora de abraçarmos qualquer aparente solução antipetista.

Jair Bolsonaro – que já defendeu publicamente a tortura, o assassinato em massa de oposições políticas, surras corretivas a homossexuais e crianças – homenageou (na falta de termo melhor) o infame Coronel Brilhante Ulstra. Este militar que marcou época pela truculência, pela atuação marginal e desrespeitosa em relação aos direitos básicos da pessoa humana.

Ao citar o torturador de Dilma Rousseff, Bolsonaro não fez oposição ao governo, mas oposição ao Brasil.

Bolsonaro merece nossa reprovação e oposição. Não se admite, na democracia, todo e qualquer discurso. A liberdade de expressão protege ideias internas à democracia, serve para proteger consciências contra tiranias, não o contrário. Por isto nos manifestamos a favor do impeachment e contra Bolsonaro.

Os discursos do deputado se revelam exógenos à política e à democracia. Não merecem guarida. São palavras perigosamente antidemocráticas, apesar de populares, misóginas, homofóbicas, xenofóbicas e racistas. Bolsonaro é ignorante em relação a história e descompromissado com o futuro do Brasil.

De nenhuma forma o sim dele pela admissibilidade do Impeachment se confunde com tantos outros que saíram da boca de homens públicos honrados com compromisso com o futuro é responsabilidade com a história do Brasil.

À direita e à esquerda se encontram aqueles que desprezam a luta democrática, o povo e a constituição.
O Partido da Social Democracia Brasileira deve mostrar a que veio, honrar sua memória democrática, e marcar posição.

Pela memória de Tancredo, Covas, Sérgio Guerra, Teotônio, José Richa e tantos outros mais!

Nossos deputados honraram seus votos e representaram o brasileiro que, em sua esmagadora maioria, quer democracia de qualidade, com representação e aprofundamento de direitos. Nossos Senadores reafirmarão o compromisso com o Brasil e julgarão procedente o Impeachment.

Devemos, pelo compromisso que temos, atentar às palavras de FHC: “não lutamos para ganhar no dia seguinte, mas para criar um horizonte de alternativas”.

Nós somos a oposição à favor do Brasil.

Juventude do Partido da Social Democracia Brasileira

 

Uma resposta para “Seguindo FHC, Juventude do PSDB condena Bolsonaro”

  1. Avatar maria disse:

    isto significa voto, né FHC, então vamos a favor deles ….onde tem voto o FHC aparece sem um pingo de vergonha

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