Secretário se nega a dizer quem deu ordem para Guarda retirar manifestantes

Em coletiva a portas fechadas, Marcelo da Costa disse que prefeitura está “aberta ao diálogo”, após ação deixou vários feridos na última quarta (25)

Foto: Larissa Quixabeira / Jornal Opção

O secretário municipal de Educação, Marcelo da Costa, concedeu entrevista coletiva na manhã desta quinta-feira (27/4) sobre a ação da prefeitura de desocupação do prédio da secretaria na noite da última quarta-feira (26). Na ocasião, professores e alunos ocuparam a sede da SME na capital para protestar contra a gestão do prefeito Iris Rezende (PMDB) e a falta de diálogo.

Aos jornalistas, o titular da pasta afirmou que a prefeitura “repudia qualquer tipo de excesso” no episódio em que vários professores da rede municipal de educação ficaram feridos após ação da Guarda Civil Metropolitana.

“A Educação não merece qualquer tipo de situação como essa. Isso tem que ser resolvido na mesa, com negociação. A prefeitura está aberta à negociação com as pessoas que estão habilitadas para isso”, disse Marcelo da Costa.

Apesar disso, o secretário indicou o que a pasta já havia afirmado por meio de nota, que não considera o Simsed representante oficial da categoria e, portanto, não deve abrir conversa com os servidores que estão em greve.

“Quando quiserem ser recebidos, nós os receberemos. Falei com eles pessoalmente ontem, disse que poderíamos conversar, mas parece que não houve consenso entre eles. É importante que a parte coletiva da ação sindical tenha um representante. É impossível negociar individualmente […] Não tenho conhecimento de carta sindical por parte do Simsed, por isso nosso diálogo tem sido com o Sintego [Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás]”, disse o secretário.

Segurança

Barra de ferro bloqueava a saída de emergência das escadas do 6º andar | Foto: Larissa Quixabeira / Jornal Opção

A coletiva de imprensa, que aconteceria na sede da Secretaria Municipal de Educação, no setor Universitário, foi transferida de última hora para o 6º andar do Paço Municipal, no setor Park Lozandes porque representantes do sindicato já se concentravam no local.

No Paço Municipal, a segurança foi reforçada para impedir a entrada de manifestantes. Os elevadores tiveram o acesso bloqueado ao 5º e 6º andar do prédio e as escadas de emergência estavam bloqueadas com barras de ferro, em detrimento da segurança dos jornalistas e das pessoas que trabalham nesses pavimentos.

No 5º andar está localizado o gabinete do prefeito e no 6º fica o salão nobre. Os jornalistas foram levados a este último por um elevador privativo. Segundo a assessoria de imprensa, a medida de segurança foi para impedir que a coletiva fosse interrompida por manifestantes que teriam tentado entrar no local para “causar tumulto” e “depredar”.

Representantes da prefeitura garantiram que a situação é atípica e que segurança do prédio estava monitorando a ocorrência de qualquer problema que pudesse gerar necessidade de usar as saídas de emergência.

Resposta

Durante coletiva, Marcelo da Costa se negou a responder perguntas dos jornalistas sobre de quem teria partido a ordem para que a Guarda Civil promovesse a desocupação. Da primeira vez, fugiu do questionamento dizendo que “é professor” e sua função é “cuidar para que a qualidade da educação aconteça”.

Questionado se fora o prefeito Iris Rezende, ele respondeu: “Eu não estava presente. Cuidei da parte da educação”. Foram pelo menos cinco tentativas dos repórteres de conseguir a resposta, mas todas sem sucesso.

De qualquer forma, garantiu que qualquer excesso será apurado e que a ação teve respaldo jurídico e foi feita para “preservar o patrimônio público”. Ele garantiu ainda que a SME paga o piso estipulado pelo Ministério da Educação (MEC), informação contestada pelos trabalhadores.

Segundo o secretário, a precariedade da merenda nas escolas de Goiânia está “resolvida” e toda a negociação para as demais demandas, como aumento no número de vagas, serão atendidas na medida do possível.  “Não é possível resolver em três meses, problemas que já se arrastam há anos. Reitero que estamos para negociar escalonadamente. O que for possível de ser resolvido agora, será resolvido e com planejamento vamos dimirir as outras situações.

A Guarda Civil Metropolitana, por meio de assessoria, também tinha confirmado na manhã desta quinta-feira (27/4) a presença de um porta voz da na coletiva de imprensa, para prestar esclarecimentos sobre a ação dos agentes durante desocupação da última quarta-feira (26).

Porém, nenhum representante esteve presente para falar com a imprensa e a assessoria da prefeitura não soube informar o porquê da ausência.

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